Terminou a interdição de voos Portugal/China. Mas ligações só regressam daqui a um mês

27 jul, 07:20

Voos diretos foram suspensos por causa da covid, mas Beijing Capital Airlines vai manter uma ligação semanal entre Portugal e a China. Porém, só será retomada a 26 de agosto. Ligação a Lisboa passará a ser feita a partir de Hangzhou

 

Termina esta quarta-feira a interdição de voos entre Portugal e a China, imposta pelas autoridades chinesas por causa da incidência de casos de covid no último voo direto que partiu de Lisboa para aquele país asiático. Porém, apesar de já não haver obstáculos às ligações diretas, estas só serão retomadas daqui a um mês.

A companhia Beijing Capital Airlines já confirmou o interesse em manter um voo direto semanal entre os dois países, mas o primeiro está marcado apenas para o dia 26 de agosto. Uma sexta-feira, dia em que partirá todas as semanas um voo de Hangzhou para a capital portuguesa.

Nem a Capital Airlines nem a Civil Aviation Administration of China deram qualquer explicação para este mês de intervalo entre o final da interdição e o regresso dos voos.

As ligações diretas entre os dois países foram suspensas há cerca de um mês, em conformidade com a política chinesa de “covid zero”, que impôs uma regra de “interruptor” (circuit breaker, na linguagem internacional) que abre ou fecha as ligações de acordo com o número de casos positivos detetados em cada voo internacional.

À chegada à China todos os passageiros são sujeitos a teste covid e, se num mesmo voo forem detetados mais de cinco casos, a ligação é suspensa por duas semanas. Se forem detetados dez ou mais casos, o período de interdição sobe para três semanas, e outros fatores podem estender este prazo. 

Hangzhou em vez de Xi’an

A ligação aérea direta entre Portugal e a China foi retomada a 12 de junho, depois de ter estado suspensa por mais de seis meses, por decisão das autoridades de Xi'an, que era então o destino chinês do voo. 

Logo na primeira ligação após a suspensão foram detetados sete casos, e outros tantos posteriormente, o que levou a mais de um mês de interdição de voos para Portugal.

Quando os voos diretos forem retomados, a ligação será entre Lisboa e Hangzhou, em vez de Xi’an. O voo a partir de Hangzhou acontecerá às 23h30 de sexta-feira, e dura 14 horas, chegando a Lisboa na manhã de sábado (hora de Portugal). A viagem de regresso parte de Lisboa à hora de almoço de sábado.

Hangzhou é a capital da província de Zhejiang, uma das mais prósperas da China, com cerca de 53 milhões de habitantes. Boa parte da comunidade chinesa radicada em Portugal é oriunda desta província, bem como muitos dos chineses que vivem noutros países da Europa.

Hangzhou é um importante destino de viagens de negócios, e fica a cerca de 150 quilómetros de Xangai, a capital financeira e comercial da China - a ligação por comboio entre Hangzhou e Xangai demora cerca de 40 minutos. Hangzhou é também um importante destino de férias na China, conhecido pelo West Lake, património da UNESCO (na foto). Por outro lado, Xangai e Zhejiang estão entre as principais regiões emissoras de turistas a partir da China.

Covid continua a adiar retoma do turismo

A insistência das autoridades chinesas na política de covid zero continua a manter o país fortemente isolado em relação ao resto do mundo. O turismo externo não existe há mais de dois anos - não entram nem saem turistas da China, que até 2019 era o principal destino turístico da Ásia, ultrapassando mesmo a Tailândia.

Mas mesmo os planos para revitalizar o turismo interno continuam adiados. Algumas cidades e regiões têm lançado pacotes de promoção para atrair visitantes chineses, já foram ensaiados voos especiais e fortes reduções dos preços dos bilhetes e das estadias, e até campanhas de duty free para atrair os chineses endinheirados que deixaram de poder fazer compras no estrangeiro - mas as constantes restrições à circulação dentro da China, por vezes isolando completamente cidades ou regiões com muitos milhões de pessoas devido à identificação de poucas dezenas ou centenas de casos positivos de Covid, acabaram por travar o relançamento da indústria turística.

Xangai, com o seu grande poder de compra, esteve este ano cerca de dois meses em lockdown quase total, e é o exemplo mais dramático das consequências da política de covid zero. Mas outras grandes cidades têm sido afetadas, incluindo Pequim e as regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau.

Impacto em Macau

A antiga colónia portuguesa esteve sob fortes restrições entre junho e julho e, apesar de aparentemente já ter passado o pior desta vaga, continua a haver medidas especiais para os habitantes e visitantes de Macau. 

O turismo e os casinos são as principais atividades económicas do antigo território português, e ambos foram fortemente penalizados pelas medidas anti-covid. Num primeiro momento, as autoridades tentaram manter os casinos em funcionamento, mesmo se quase todas as demais atividades comerciais, económicas e sociais estavam suspensas ou condicionadas. Mas o agravamento da incidência de covid acabou por ditar o encerramento. Segundo um estudo da corretora Sanford C. Bernstein, divulgado hoje pelo jornal macaense em língua portuguesa Ponto Final, as receitas brutas de jogo do mês de julho vão cair 99% em comparação com julho de 2019, o último período homólogo antes da pandemia. 

“Durante este mês, os casinos estiveram encerrados durante duas semanas, o que deverá fazer com que as receitas médias diárias registem uma queda de 87% face ao mês de junho”, escreve o diário de Macau.

Quarentena encurtou

Apesar das críticas internacionais à política de covid zero, que já foi considerada “insustentável” pela Organização Mundial de Saúde e que tem levado muitas empresas multinacionais a abandonar as importantes praças de Xangai e Hong Kong, o governo chinês não abdica da ideia de erradicar o novo coronavírus.

A intransigência, porém, não é total. Tem havido flexibilização de algumas regras, sobretudo na sua implementação local. E recentemente as autoridades de Pequim determinaram regras nacionais para uniformizar as quarentenas impostas aos ainda poucos viajantes que chegam de outros países. Nalgumas regiões esse período chegou a ser de 21 dias e, até, superior a um mês. Agora, o governo central quer que todas as regiões apliquem a quem chega em voos internacionais uma quarentena obrigatória de sete dias em instalações oficiais (os chamados “hotéis de quarentena”), mais três dias em casa sob supervisão das autoridades.

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