André Ventura cita seis vezes o nome de Rio, oito o de Costa e Sócrates foi mais omnipresente do que Deus

17 jan, 08:13
Discurso André Ventura

Rio, Costa e Sócrates: os alvos do primeiro discurso de campanha de André Ventura que terminou o primeiro dia de campanha com um jantar-comício em Coimbra

Ao longo de quase 30 minutos, foram seis as vezes que citou o nome de Rio, oito o de Costa e Sócrates foi mais omnipresente do que Deus . No seu primeiro discurso de campanha, em Coimbra, André Ventura assumiu o papel de humorista perante os seus apoiantes e não poupou críticas aos partidos adversários num tom sarcástico. 

"Em três anos, este partido cresceu como não acreditava ser possível", inicia o líder do Chega. O seu tom motivador rapidamente se transforma: "Nenhum hoje conseguiria, a não ser o Partido Socialista, pagar as camionetas".

Mas André Ventura não ficou por aqui e, aproximando-se do tema do fascismo, mudou de assunto repentinamente: "E o debate com António Costa? Correu-me tão bem, tinha que dizer isto", atira em gargalhadas. "Às vezes sonho com aquele minuto e meio final". O público aplaude e o dirigente continua: "O primeiro-ministro, que foi ministro de José Sócrates, que teve o comportamento que teve, que tem oito governantes a braços com a Justiça", servindo-se do exemplo de Eduardo Cabrita , constituído arguido por homicídio por negligência. "Esse primeiro-ministro - António Costa - apresenta-se a dizer que é o grande paladino da luta contra a corrupção". 

"Falta de entusiasmo" no PSD e a creche no CDS

Dirigindo-se aos militantes que vieram de outros partidos, Ventura mostra-se compreensivo e afirma que "é possível mudar, as pessoas convertem-se e muito", inclusive apoiantes da esquerda. "Tal como eu acreditei no PSD um dia, que é de esquerda, na verdade". 

"Rui Rio chamou-nos federação descontente", conta. "Eu estou descontente, estou descontente com Portugal e com a forma como tem sido gerido nos últimos tempos". As críticas aos sociais-democratas prosseguem, desta vez com "a falta de entusiasmo generalizada nos comícios do PSD". "Eu aposto que às vezes se esquecem de bater palmas e há alguém atrás a dizer - palmas".

A "falta de entusiasmo" do PSD é associada pelo candidato do Chega ao "Chiquinho do CDS" que, partindo para o escárnio, avalia a média de idades no partido."Deve andar nos 13, 14, hoje vi-o na televisão e parecia a creche a sair para a cidade".

Não esteve Deus, mas esteve José Sócrates

Num discurso sobre a democracia, André Ventura fala de "escolha" e "mudança", com certeza de que "todas as pessoas presentes já acreditaram em muitos líderes". Começa por referir Francisco Sá Carneiro, Cavaco Silva "ou até Pedro Passos Coelho". Mas é José Sócrates o alvo principal. "Mesmo que alguém tenha acreditado nele, dói-me a alma dizer, mas errar é humano".

Revela-se, mais uma vez, indignado com a Justiça "que funciona para uns e não funciona para outros". A longa espera pelo julgamento de Sócrates é um dos exemplos referenciados. "Provavelmente à hora que aqui estamos ele está no Ritz ou no Palace a jantar", comenta com sarcasmo. "Se calhar está a ver isto na televisão e a dizer 'Sou tão pacóvio, é que eles ainda têm de pagar aquele comício e eu ao menos uso o dinheiro da minha mãe'". 

BE "mandou Governo abaixo" e PCP "nem sei bem"

No remate final de um momento "stand-up" protagonizado pelo dirigente do Chega, são o Bloco de Esquerda e o PCP o centro das críticas. "O BE mandou o Governo do PS abaixo e agora quer um acordo escrito". Já o PCP, hesita, "nem sei bem o que o PCP defende, deve desaparecer em três anos ou quatro anos". E Ventura acrescenta ainda "uma nova variante" na equação: O PAN. "Diz que está disposto a governar mas tem 1,8 nas sondagens". 

Antes de terminar, questiona-se para um público ao rubro: "É isto que queremos ter no futuro?".

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