André Ventura reeleito presidente do Chega com 98,3% dos votos

Rafaela Laja , em Santarém
28 jan 2023, 19:56

Ventura consolidou a liderança do Chega numas eleições internas sem adversários. Agora, lança o repto: ou há Governo com o Chega ou não há Governo em Portugal

André Ventura foi este sábado reeleito presidente da Direção Nacional do Chega com 98,3% dos votos. "É uma enorme gratidão. Tivemos um resultado superior ao último congresso", congratulou-se.   

Lembrando todos os "ataques" e "sobressaltos" que teve, o recém-reeleito presidente do Chega salientou a "unidade" do partido. Importa referir que André Ventura foi a votos sem qualquer adversário nestas eleições internas, que registaram 0,9% votos brancos e 0,8% votos nulos. No total, votaram 659 militantes.

"O presidente só sai e só abandona funções quando vocês disserem", afirmou, exigindo "estabilidade" ao partido.  

André Ventura já foi a votos várias vezes, tendo obtido sempre resultados acima dos 90%. Na primeira vez que se apresentou a votos, na convenção fundadora do partido, em junho de 2019, teve 94% dos votos.

Apenas foi desafiado nas eleições diretas de novembro de 2021. Nessas diretas, alcançou 94,78% dos votos, enquanto o seu adversário, o empresário Carlos Natal, obteve 5,22%. Agora, voltou a ser eleito em convenção, como estabelecem os estatutos de 2019, os quais o Chega decidiu voltar a adotar na sequência do chumbo pelo Tribunal Constitucional dos estatutos mais recentes.

"O Chega não quer falsas geringonças, quer governar"

Num discurso efusivo, André Ventura deixou uma mensagem aos restantes partidos: "Escusam de falar linhas vermelhas", afirmou, declarando que "só o povo português" é que as estabelecerá: "O Chega não quer falsas geringonças, quer governar".

"Para nós há apenas uma entidade que estabelece quais são as linhas vermelhas, e essa entidade não se chama Luís Montenegro, nem Rui Rocha, nem Augusto Santos Silva, nem António Costa, chama-se povo português e só ele estabelecerá as linhas vermelhas de Portugal e do partido Chega", garantiu.

Eu quero que todos compreendam que a mensagem que sai deste congresso é uma e só uma: nós queremos ser Governo em Portugal, mas não estamos dispostos a 'geringonças' de direita porque elas nunca funcionaram e connosco também não vão funcionar", salientou, defendendo que, após as próximas eleições legislativas, "a direita terá uma escolha, ou há governo com o Chega ou não há governo de todo".

Referindo-se a Portugal como "o país que levou o cristianismo aos quatro cantos do mundo", o presidente do Chega afirma querer "um país de ordem", com direito a "ruas seguras" e "justiça".

"Dão-me mais uma oportunidade para dar tudo o que tenho, nesta luta sem tréguas contra a corrupção em Portugal. Doa a quem doer, até nas mais altas esferas do Estado", assumiu.

A V Convenção Nacional do Chega, iniciada na noite de sexta-feira, decorre até domingo no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, para eleição do presidente e dos órgãos nacionais.

A reunião magna - a primeira desde que o Chega se tornou a terceira força política no parlamento, com a eleição de 12 deputados - foi marcada na sequência do chumbo dos estatutos pelo Tribunal Constitucional mas o partido decidiu não fazer mais alterações às suas regras internas e voltar a adotar os estatutos originais, de 2019.

A convenção termina com o último discurso de André Ventura, após a sua reeleição como presidente do partido e a eleição dos órgãos.

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