Onze soldados mortos e 50 civis desaparecidos num ataque em Burkina Faso

Agência Lusa , DCT
28 set, 08:06
Burkina Faso (AP Photo/Sophie Garcia)

A região de Burkina Faso mais afetada pela insegurança é o Sahel, a norte, que faz fronteira com Mali e Níger, embora o fundamentalismo islâmico também tenha se espalhado para outras áreas vizinhas e, desde 2018, para o leste do país

Pelo menos 11 soldados morreram e 50 civis estão desaparecidos depois de um ataque “de terroristas” a uma caravana no norte de Burkina Faso, zona onde operam grupos armados de fundamentalistas islâmicos, anunciou hoje o governo.

A caravana de abastecimento, sob escolta militar, "foi atacada por terroristas perto da cidade de Gaskindé”, na província de Soum, na região do Sahel, na segunda-feira, de acordo com um comunicado do porta-voz do Governo Wendkouni Joël Lionel Bilgo.

Bilgo indicou que o ataque causou ainda 28 feridos, entre os quais 20 militares, um voluntário e sete civis. “Prossegue a busca” pelos 50 civis desaparecidos”, acrescentou.

O ataque contra a caravana, com destino à cidade de Djibo, também “causou danos materiais significativos”, disse Bilgo, que enviou “sinceras condolências às famílias, desejando uma rápida recuperação aos feridos”.

"O Governo reafirma o seu compromisso e o de todas as forças patrióticas na luta contra o terrorismo de (…) defender e libertar o nosso povo das garras das forças obscurantistas que os querem escravizar através da violência cega e do terror", acrescentou o porta-voz.

Burkina Faso tem registado, desde abril de 2015, ataques armados frequentes, realizados por grupos ligados tanto à rede terrorista Al-Qaida, quanto ao grupo extremista Estado Islâmico.

A região de Burkina Faso mais afetada pela insegurança é o Sahel, a norte, que faz fronteira com Mali e Níger, embora o fundamentalismo islâmico também tenha se espalhado para outras áreas vizinhas e, desde 2018, para o leste do país.

Em novembro de 2021, um ataque a um posto da polícia causou 53 mortes, incluindo quatro civis. O atentado desencadeou fortes protestos a exigir a renúncia do Presidente Roch Marc Christian Kaboré.

Alguns meses depois, em 24 de janeiro, os militares, liderados pelo tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba, tomaram o poder num golpe, o quarto na região da África Ocidental desde agosto de 2020, e depuseram o Presidente.

A insegurança fez com que o número de deslocados internos em Burkina Faso subisse para quase dois milhões de pessoas, de acordo com dados do governo.

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