Escola garantiu que não havia bullying, mas Saray tentou suicidar-se aos 10 anos depois de agressões e insultos repetidos

19 set, 13:49
Criança

Criança foi alvo constante de insultos racistas numa escola espanhola por ter chegado da Colômbia. Os pais avisaram a escola, que sempre disse ter a situação sob controlo

Nota do editor: se você ou alguém que conhece estiver a lutar com pensamentos suicidas ou questões de saúde mental, por favor ligue para a linha de crise Voz Amiga 213 544 545 | 963 524 660, para a linha SNS24 808 24 24 24 ou para o 112, ou consulte o site prevenirsuicidio.pt. Encontrará mais contactos e apoios no final deste texto.

Um caso de bullying está a chocar Espanha: Saray, uma menina de dez anos, tentou suicidar-se, no dia 9 de setembro, depois de ter sofrido vários abusos por parte dos colegas da sua escola. Numa carta que deixou aos pais, a criança relatou supostos insultos racistas e agressões de que era vítima desde o ano passado.

Saray acabou por sobreviver, encontrando-se internada no hospital a recuperar das graves lesões sofridas - fraturou um tornozelo e uma anca, além de ter vários hematomas. Mas a família não quer deixar o caso esquecido, e acusa a escola de não ter feito tudo o que podia para evitar o sucedido. A instituição garante que deu uma “atenção especial” à aluna, mas a carta de despedida leva os pais a acharem o contrário.

A menina também enviou uma mensagem via Whatsapp à sua avó, que reside na Colômbia. O jornal El Español refere que entre os insultos, que foram relatados nas mensagens de despedida, estariam expressões como “volta para o teu país”, numa referência à nacionalidade colombiana de Saray, que chegou a Espanha em 2021 com a mãe e o irmão mais velho, que vieram ter com o pai da menina, que tinha emigrado para Saragoça.

O El País refere que a polícias e psicólogos já falaram com Saray, que lhes contou que lhe chamavam "rata imunda", entre outros insultos. A situação agravou-se de tal forma durante o último ano, que acabou por resultar na reprovação da criança.

No entanto, e apesar de ter mudado de turma e de colegas, os insultos continuaram este ano letivo, levando-a a querer colocar um termo à vida apenas no segundo dia de aulas.

Se o irmão de Saray, que tem 12 anos e foi estudar para a mesma escola, se adaptou bem à vida num novo país, para a menina tudo foi diferente. Teve de ir para um colégio privado pago pelo Estado, uma vez que a escola pública não tinha vagas, e logo começou a apresentar alguns sinais de que algo não estava bem: "Reparávamos que estava triste e pensámos que seria por mudar de país. Na Colômbia deixou a avó e dois cães de que gosta muito", contou o pai ao El País.

Perante a insistência dos pais, a menina acabou por confessar: "Há umas raparigas que me estão a maltratar". Além da nacionalidade, Saray também era gozada por ser demasiado alta e desenvolvida para a idade.

A mãe foi de imediato à escola, onde foi recebida por professores que lhe garantiram que a situação não se repetiria. Foi a primeira de várias vezes em que ouviu essas palavras, mas o protocolo contra o abuso escolar nunca foi ativado, nem mesmo quando os insultos subiram de tom, nomeadamente para questões racistas.

A menina chegava a casa a chorar, o que motivou a intervenção de uma tutora, que nunca tratou do caso devidamente. Áudios que estão na posse da família, e que foram partilhados com a comunicação social, mostram como a responsável nunca tratou a situação como bullying, mas antes como um caso de zangas entre amigas.

Num dos áudios, a tutora até admite agressões físicas, mas desvalorizou: "Terá sido uma zanga. Só isso. Não é bullying, não se preocupem", disse, garantindo que iria falar com a agressora em causa.

Mas o caso não parou. Pelo contrário: agudizou-se ao ponto de uma menina de 10 anos querer por termo à vida ao segundo dia de escola.  Agora, e depois de tantas tentativas para serem ouvidos pela escola, os pais de Saray decidiram mudar a criança e o irmão de escola, uma decisão que "não tem volta atrás".

O suicídio é uma das principais causas de morte entre crianças e adultos, com quase 800 mil pessoas em todo o mundo a morrer anualmente de suicídio, de acordo com o Global Burden of Disease Study 2017, citado pela publicação científica online Our World in Data. Em 2020, houve 1,2 milhões de tentativas a nível mundial, diz a Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio.

Contactos, informações e apoios em Portugal

Para informações, ajudas, contactos consulte o site da Campanha Nacional de Prevenção do Suicídio em prevenirsuicidio.pt.

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