Lula vence Bolsonaro e regressa à presidência do Brasil em eleição histórica

CNN Portugal , HCL
30 out, 23:31
Lula da Silva

Com a mais pequena margem registada desde 1989, Lula conseguiu ser eleito pela terceira vez presidente do Brasil. Bolsonaro sai do Palácio da Alvorada como o primeiro presidente da história do Brasil a não conseguir a reeleição

Lula da Silva foi eleito novamente presidente do Brasil ao vencer o atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro que se torna o primeiro presidente a não conseguir a reeleição. Vai ser a sua terceira vez no cargo após superar o presidente incumbente por uma diferença de cerca de dois milhões de votos.

Lula, de 77 anos, vai assumir o cargo em janeiro e será o mais velho presidente da história do país depois de protagonizar a primeira eleição no Brasil entre dois políticos que já lideraram o governo.

Lula, que foi presidente entre 2003 e 2010, foi reeleito com a mais pequena margem de vitória desde 1989, quando os brasileiros votaram nas primeiras presidenciais após o fim da ditadura militar. Depois desta, a diferença mais próxima foi registada em 2014, quando Dilma Rousseff conquistou um segundo mandato consecutivo ao vencer Aécio Neves por 51,6% a 48,4%.

O resultado do petista acabou também por confirmar a vantagem antecipada pelas várias sondagens feitas entre a primeira e a segunda volta. 

Com um slogan "paz e amor", Lula da Silva passou a campanha evitando grandes polémicas e sinalizando para o mercado que respeitaria os contratos e acordos, venceu as presidenciais pela primeira vez em 2022 e levou o Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder no Brasil.

Ao regressar ao Palácio da Alvorada, o antigo sindicalista terá como vice-presidente Geraldo Alckmin, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que já havia sido seu opositor nas eleições presidenciais de 2006, então pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Pouco depois de ter sido confirmada a sua eleição, o recentemente eleito chefe de Estado usou a rede social Twitter para demonstrar a felicidade com o regresso à Presidência e partilhou uma foto da bandeira brasileira que acompanhou com uma legenda em que era possível ler-se somente "Democracia."

 

 

O caminho de Lula até à presidência começou oficialmente em 2021, quando restabeleceu os seus direitos políticos após ver as suas condenações no caso Lava Jato serem anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. A partir daí, foi ganhando força na disputa e apontado como vencedor em sucessivos debates contra Bolsonaro.

Numa campanha dura em que enfrentou o uso de dinheiro público por parte de Bolsonaro e seus aliados, notícias falsas, ataques e críticas, sagrou-se vencedor defendendo basicamente seu legado passado e sinalizando a sua massa de leitores, na maioria pobres, que trabalhará para acabar com a fome, para pacificar o país convulsionado pela divisão política e para recuperar a imagem do Brasil no mundo.

Nas últimas semanas da campanha, Lula da Silva conseguiu uma série de apoios de artistas e também personalidades políticas com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e José Sarney, do primeiro-ministro português, António Costa, na qualidade de secretário-geral do PS, e do chefe de governo e líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sanchéz que o ajudaram a pavimentar o caminho da vitória.

Durante a campanha, Lula formou coligação com dez partidos, abarcando para além do PT também o PSB, Solidariedade, PCdoB, PSOL, Avante, PV, Rede, Pros e Agir.

Lula da Silva também recebeu apoio de personalidades como a ambientalista e deputada eleita Marina Silva, a senadora Simone Tebet, que ficou em terceiro lugar na primeira volta da corrida presidencial e o ex-juiz do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, algoz do PT durante o julgamento de um escândalo de corrupção, o Mensalão, que marcou seu primeiro Governo.

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