Aos 17 anos, ela sustentava a família com um salário na McDonald's. Agora, foi para o espaço

CNN , Jackie Wattles
5 jun, 15:26
Katya Echazarreta (Imagem Blue Origin)

Quando chegou aos Estados Unidos, não sabia uma palavra de inglês. Chegou a ter quatro empregos para sustentar a família e poder estudar. Este sábado, foi ao limiar do espaço.

Uma nave espacial construída pela Blue Origin, de Jeff Bezos, levou o seu quinto grupo de passageiros ao limiar do espaço, incluindo a primeira mulher nascida no México a fazer tal viagem.

O foguete suborbital de 18 metros de altura descolou das instalações da Blue Origin, no oeste do Texas às 9:26 ET, levando um grupo de seis pessoas a cerca de 100 quilómetros acima da superfície da Terra - o que é amplamente considerado como a fronteira do espaço exterior - e dando-lhes alguns minutos de ausência de peso antes de aterrarem de paraquedas.

A maioria dos passageiros pagou uma soma não revelada pelos seus lugares. Mas Katya Echazarreta, uma engenheira e comunicadora científica de Guadalajara, México, foi selecionada por uma organização sem fins lucrativos chamada Space for Humanity [tradução livre: Espaço para a Humanidade] para se juntar a esta missão a partir de um grupo de milhares de candidatos. O objetivo da organização é enviar “líderes excecionais” para o espaço e permitir-lhes experimentar o efeito perspetiva [“Overview Effect”], um fenómeno frequentemente relatado pelos astronautas que dizem que ver a Terra a partir do espaço lhes cria uma profunda mudança de perspetiva.

Echazarreta disse à CNN que experimentou esse efeito de perspetiva "à minha maneira".

Katya Echazarreta. Fotografias da Blue Origin

"Olhando para baixo, e vendo como todos estão lá em baixo, todo o nosso passado, todos os nossos erros, todos os nossos obstáculos, tudo - está tudo lá", disse. "E a única coisa em que consegui pensar quando voltei para baixo foi que precisava que as pessoas vissem isto. Preciso que as latinas vejam isto. E penso que isto só reforçou completamente a minha missão de continuar a levar, principalmente às mulheres e às pessoas de cor, até ao espaço, e a fazerem o que quer que seja que elas queiram fazer".

Echazarreta é a primeira mulher nascida no México a viajar para o espaço e a segunda mexicana, depois de Rodolfo Neri Vela, um cientista que se juntou a uma das missões do Space Shuttle da NASA em 1985.

Mudou-se para os Estados Unidos com a sua família aos sete anos de idade, e lembra-se de sentir-se esmagada num novo lugar onde não falava a língua, e de que um professor a avisou de que poderia ter de ser retida.

"Isto apenas me incentivou muito e penso que desde então, desde a terceira classe, eu avancei e não parei", recordou Echazarreta numa conversa no Instagram.

Quando tinha 17 e 18 anos, disse Echazarreta, ela era também o principal sustento da sua família com um salário da McDonald's.

"Cheguei a ter até quatro [empregos] ao mesmo tempo, apenas para tentar ir à faculdade, porque isso era realmente importante para mim", disse Echazarreta.

Hoje em dia, Echazarreta está a trabalhar no seu mestrado em engenharia na Universidade Johns Hopkins. Ela trabalhou anteriormente no famoso Jet Propulsion Laboratory da NASA na Califórnia. Orgulha-se de ter mais de 330 mil utilizadores no TikTok, apresenta uma série do YouTube focada na ciência e é apresentadora num programa de fim-de-semana da CBS, o "Mission Utoppable".

A Space for Humanity - que foi fundada em 2017 por Dylan Taylor, um investidor espacial que se juntou recentemente a um voo de Blue Origin - escolheu-a pelas suas impressionantes contribuições. "Estávamos à procura de algumas pessoas que fossem líderes nas suas comunidades, que tenham uma esfera de influência; pessoas que já estão a fazer um grande trabalho no mundo, e pessoas apaixonadas pelo que quer que seja", disse Rachel Lyons, a directora executiva da organização sem fins lucrativos à CNN.

Echazarreta disse que está motivada a tornar-se uma figura pública depois de trabalhar na JPL e não ver outros engenheiros que se pareçam com ela.

"Há tantas pessoas neste mundo que sonham com as mesmas coisas com que eu estava a sonhar. E, no entanto, não as vejo aqui. Então, o que está a acontecer?" questionou. "Não foi suficiente para mim ter conseguido ir e estar lá. Eu também preciso de ajudar a trazer outros comigo".

No seu voo de sábado de Blue Origin, Echazarreta voou ao lado de Evan Dick, um investidor que já tinha voado com a Blue Origin em dezembro e que se tornou o primeiro passageiro repetente. Os outros passageiros incluíam Hamish Harding, que vive nos Emirados Árabes Unidos e é o presidente de uma empresa de corretagem de jatos; Jaison Robinson, o fundador de uma empresa imobiliária comercial; Victor Vescovo, o co-fundador de uma empresa de investimento de capital privado; e Victor Correa Hespanha, um jovem de 28 anos que garantiu o seu lugar depois de comprar um NFT a um grupo chamado The Crypto Space Agency.

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