Enzo cruzou, Aursnes cabeceou e o Benfica soltou o grito de campeão

28 mai, 02:19
A festa do Benfica campeão (Carlos Rodrigues/Getty Images)

«DRIBLE DA VACA» - Opinião

O Benfica é o indiscutível campeão nacional. Numa competição de pontos corridos, o primeiro colocado ao término de duas voltas é sempre aquele que mais fez por merecer. Nem sempre significa que também tenha sido o melhor, mas, sim, o mais regular. No caso da (intensiva e ofensiva) equipe encarnada de 2022/23, acabou por ser mesmo a mais regular... e também a melhor.

É verdade, Sérgio Conceição novamente tirou leite de pedra no FC Porto, especialmente ao dominar o rival no clássico na Luz, e Artur Jorge encantou durante várias partidas com o Sp. Braga. No geral, no entanto, Roger Schmidt foi o grande responsável por, ainda que com uma quebra - mais psicológica do que propriamente tática e técnica - na reta final, garantir um equilíbrio digno de vencedor.

Escolha certeira de Rui Costa, o treinador alemão rapidamente montou um onze-base fortíssimo que encantou nos primeiros meses de trabalho. Apostou pesado, e bem, em António Silva, Florentino e Gonçalo Ramos, confiou na volta por cima de Grimaldo, tirou proveito do perfume de David Neres e recuperou João Mário e Rafa. A cereja do bolo, por sua vez, veio do outro lado do Atlântico Enzo Fernández.

Enzo foi disparado o maior nome das águias na primeira volta. Casou na perfeição com o estilo de jogo de Roger Schimidt. Viveu os cinco meses mais frenéticos e espetaculares da história recente do futebol. Deitou e rolou em Portugal, brilhou na Copa do Mundo do Qatar e, não menos impactante, foi negociado por 121 milhões de euros com o Chelsea. Jackpot!

Depois de idas e vindas, do bom e velho chove e não molha nos tempos de mercado de transferências, o jogador argentino resolveu trocar a Luz por Stamford Bridge no meio da temporada e quase causou um apagão - dentro e fora de campo - no Benfica. Plantou, no mínimo, a semente da crise.

Não demorou nada para a luz no fim do túnel surgir por meio de um norueguês que "até ontem" era um mero desconhecido entre os portugueses. Fredrik Aursnes foi claramente o olho clínico de Roger Schmidt em ação. Um verdadeiro achado.

O famoso "jogador do treinador" assumiu o posto de melhor benfiquista na segunda volta do campeonato. Com sobras, aliás. Fez sucesso no ataque, controlou sempre que acionado no meio-campo e ainda quebrou um belo galho na lateral direita. Pau para toda a obra.

Otamendi, Grimaldo e João Mário foram o mais regulares de todos, enquanto João Neves surpreendentemente surgiu para trazer o frescor que tanto faltava no sprint decisivo, mas o Benfica que voltou a soltar o grito de campeão teve em Enzo Fernández e Fredrik Aursnes os seus principais destaques. Sem mais.

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