Negociações de paz entre Arménia e Azerbaijão começam após novos confrontos

Agência Lusa , AM
8 nov, 06:17
Conflito Arménia e Azerbaijão (Associated Press)

Confrontos ocorrem regularmente na fronteira. Em setembro, os combates entre os dois países deixaram 286 mortos nos dois lados e fez crescer o temor de uma guerra em larga escala

A Arménia e o Azerbaijão tiveram conversações esta terça-feira em Washington, sob a égide dos Estados Unidos, horas depois de novos confrontos na fronteira, num conflito que custou centenas de vidas nos últimos meses.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países do Cáucaso foram recebidos pelo secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken.

"Os Estados Unidos estão comprometidos com as negociações de paz entre a Arménia e o Azerbaijão", disse Blinken antes da reunião. "O diálogo direto é a melhor maneira de alcançar uma paz duradoura e estamos felizes em apoiar isso", disse, saudando a "coragem" dos dois países.

Um dirigente governamental dos EUA disse à agência France-Presse que não foram propriamente "negociações" de paz, mas sim uma oportunidade para os dois lados se encontrarem e conversarem.

Durante a noite de domingo para segunda-feira, "unidades das forças armadas do Azerbaijão abriram fogo (…) contra posições arménias localizadas no setor leste da fronteira", disse o Ministério da Defesa da Arménia num comunicado, referindo que não houve vítimas.

Pelo seu lado, o Ministério da Defesa do Azerbaijão acusou as forças arménias de terem disparado "com armas ligeiras de diferentes calibres" contra as posições do Azerbaijão, mas não relataram perdas ou mortes.

O Kremlin, que tradicionalmente desempenha o papel de árbitro nesta região, pediu a Erevan e Baku que "se abstenham de qualquer ação que possa levar a uma escalada de tensões".

Há apenas uma semana, o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinian, e o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, prometeram "não usar a força" durante uma cimeira na Rússia com o Presidente russo, Vladimir Putin.

Os responsáveis da União Europeia (UE) reuniram-se em várias ocasiões com Pashinian e Aliev em Bruxelas e os Estados Unidos já haviam convidado os ministros dos Negócios Estrangeiros da Arménia e do Azerbaijão em setembro para negociações de paz.

Os confrontos ocorrem regularmente na fronteira entre a Arménia e o Azerbaijão.

Em setembro, os combates entre os dois países deixaram 286 mortos nos dois lados e fez crescer o temor de uma guerra em larga escala.

Os dois países disputam várias zonas de fronteira, incluindo o território de Nagorno-Karabakh, um enclave no Azerbaijão ocupado pela Arménia, que provocou um violento conflito armado entre 1993 e 1994, com milhares de vítimas, antes de um cessar-fogo que tem sido diversas vezes violado.

Enclave separatista arménio em território do Azerbaijão, o território do Nagorno-Karabakh foi novamente palco de violentos combates entre forças arménias e azeris em setembro e outubro de 2020, que provocou cerca de 6.500 mortos.

O Nagorno-Karabakh, habitado na época soviética por uma maioria arménia cristã e uma minoria azeri muçulmana xiita, efetuou a secessão do Azerbaijão após a queda da URSS, motivando uma guerra com 30 mil mortos e centenas de milhares de deslocados.

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