"Sou liberal", disse Costa naquele momento sobre aquele assunto. Não convenceu Cotrim - que fez de um longo rolo de papel um dos protagonistas desta campanha

14 jan, 23:17

Foi um dos debates mais vincadamente ideológicos de toda a campanha. E foi o debate com o final mais cénico de todos - até Costa se riu do número de Cotrim

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O debate entre António Costa e João Cotrim de Figueiredo foi centrado na economia, ponto preferencial dos ataques dos liberais à governação socialista. O líder da Iniciativa Liberal referiu, desde logo, que o crescimento da economia portuguesa “não foi satisfatório”, providenciando uma série de dados estatísticos que sustentam a sua posição.

Concedendo o facto de Portugal ter crescido acima da média europeia de 2016 a 2019, Cotrim de Figueiredo deixou um alerta: “A média da União Europeia está deprimida pela primeira vez na história económica. França, Alemanha e Itália estavam em estagnação ou recessão no mesmo período. A média dos outros países comparáveis ao nosso era, no entanto, 3,8% superior aos 2,8% de Portugal”, afirma, antes de salientar que o número é exacerbado pelas consequências da governação socialista pré-2011.

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Ironicamente, Costa respondeu e agradeceu ao deputado liberal por “finalmente ter reconhecido” que Portugal cresceu durante o período acima referido, antes de dizer que, com o seu primeiro Governo, o país “cresceu sete vezes mais do que nos 15 anos anteriores”. Crescer sete vezes mais é virar a página da estagnação”, argumentou Costa, antes de dizer que Portugal “não só cresceu como cresceu bem” e “de forma virtuosa”.

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Veja o resumo do debate em três minutos:

"Sou liberal", afirma António Costa

A falta de mão de obra qualificada e não qualificada foi o foco seguinte de Cotrim de Figueiredo, que recorreu à experiência própria, das viagens que tem feito pelo país e pelos contactos com empresários e associações sectoriais, para alertar para o problema e, também, para legislação laboral que imponha às empresas métodos e horários de trabalho. “Deixe as empresas decidir como querem operar. Não impor nem horário máximo, nem horário mínimo”, pediu Cotrim de Figueiredo a propósito da proposta socialista de diminuir de cinco para quatro dias a semana de trabalho.

A este propósito, António Costa teve uma resposta curiosa. “Nesse capítulo sou liberal”, afirmou o primeiro-ministro, dizendo que cada empresa é que define como se organiza - Costa considera que o debate da semana de trabalho de quatro dias deve ser feito no país e em sede de concertação social, mas cada empresa é que deve decidir o que fazer. E deu ainda o exemplo do teletrabalho, que “criou uma nova forma de flexibilizar a organização do trabalho". E foi assim que Costa arrumou o assunto, desvalorizando a intervenção de Cotrim sobre este tema.

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Segurança Social: capitalização ou não?

A Segurança Social foi também motivo de combate ideológico entre os dois candidatos. O primeiro-ministro alertou para as proposta da Iniciativa Liberal que defendem que metade dos descontos ao sistema deve ser atribuído a um modelo de capitalização e a isenção da TSU para as empresas e a obrigatoriedade da mesma para os trabalhadores. “Este sistema deixa completamente desprotegidas as poupanças de quem está a contribuir hoje e de quem recebe pensões.”

Cotrim desdramatizou e deu uma “novidade” ao Governo: “Já hoje o fundo de estabilização financeira da Segurança Social tem cerca de 20% da sua carteira investida na bolsa. A Segurança Social também está a pôr em risco a segurança dos portugueses?”, questionou, obtendo um lacónico “não” do socialista.

Referendo a regionalização - mas só depois de 2023

Questionado sobre o receio que alguns portugueses podem ter de que o processo de regionalização aumente a despesa, António Costa garantiu que esta “não pode aumentar” e autoelogiou a “democratização” por si feita da definição das CCDR (Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional), que passaram de ser nomeadas pelo Governo a serem eleitas pelos autarcas. Sublinhando o facto de existirem “inúmeras direções regionais”, Costa aponta também à “racionalização” dessas direções através da integração das mesmas nas CCDR e depois será feita uma avaliação. Se for positivo, Costa quer dar o passo final: o referendo à população. Mas só depois de 2023.

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Sobre esta matéria, Cotrim de Figueiredo, que prefere falar em descentralização, salientou que seria importante “não colocar o carro à frente dos bois” e garantir que o assunto só será levado a referendo após várias clarificações, entre elas sobre como será definido o mapa das regiões, facto que o liberal recusa “consumar” na sua forma atual. “A argumentação para que o mapa seja as CCDR de hoje porque ‘ah, é mais prático, já existe, é conveniente’, é algo que a Iniciativa Liberal não aceita. Uma decisão desta gravidade, provavelmente irreversível, não pode ser baseada em argumentos de conveniência”, afirmou, antes de pedir discussão pública, “aberta e democrática” sobre o desenho das regiões.

Cotrim e o "rolo" das promessas

Sabendo que seria a derradeira intervenção , o líder da Iniciativa Liberal aproveitou-a da melhor forma, protagonizando um momento cénico. Concluindo a crítica a António Costa, que acusou de estar com uma atitude de "agora é que é" ("agora é que vai haver médicos de família para todos, agora é que os impostos vão baixar, etc"), Cotrim de Figueiredo revelou a pesquisa que fez durante a manhã sobre "as promessas" do primeiro-ministro, sumariada num longo rolo de papel, que abriu e mostrou num belo número televisivo. Perante o olhar profundo do liberal, um sorridente Costa apenas conseguiu dizer, quase impercetivelmente, "sim, sim", e mobilizou as suas últimas palavras contra as privatizações da TAP, CGD e RTP, propostas queridas da Iniciativa Liberal.

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