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Colunista e comentador

Demitam-se! Isto é pactuar com a farsa!

11 mai, 18:31
Pedro Proença, presidente da Liga, com Fernando Torrão, presidente da Comissão de Instrutores da Liga

Rui Santos escreve sobre o que entende como ‘inaceitável’ e diz que os verdadeiros ‘campeões nacionais’ foram a intimidação e a falta de coragem

A 11 de fevereiro realizou-se o FC Porto-Sporting, que culminou com os tristes acontecimentos a envolver jogadores, treinadores, diretores e ‘assistentes’ relacionados com o promotor do jogo, no Dragão.

Alguns desses tristes acontecimentos resultaram dentro do relvado e na sua periferia e outros na zona das garagens a envolver VÍTOR BAÍA, SÉRGIO CONCEIÇÃO, RUI CERQUEIRA e ainda o presidente do Sporting, FREDERICO VARANDAS, que apresentou participação a tentar fundamentar a premência da instauração de um processo disciplinar.

Em relação ao que se passou nas garagens, a Comissão de Instrutores concluiu o seu relatório e recomenda castigos a BAÍA, CONCEIÇÃO e CERQUEIRA e agora o Conselho de Disciplina, liderado por CLÁUDIA SANTOS, vai decidir de acordo com as molduras penais enquadradas nos ilícitos apurados e identificados.

O país futebolístico assistiu na Luz ao jogo que sagrou o FC Porto campeão nacional e três meses depois daquilo que ocorreu no Dragão na partida com os ‘leões’, muito importante para a definição das contas do campeonato, e só depois disso, no ‘caso das garagens’, a Comissão de Instrutores remeteu a acusação para o Conselho de Disciplina (CD).

O CD vai nos próximos dias (menos de 15 é a média) produzir decisão.

Podem dizer-nos o que quiserem, podem alegar coincidências e o mais que lhes aprouver sempre em linha com as dificuldades e as manobras processuais, mas isto não é ‘justiça desportiva’.

A época está no fim, estamos a uma jornada do fechar de portas do campeonato e à beira da realização da final da Taça de Portugal, e os castigos vão ser conhecidos quase seguramente depois da época terminar.

Inaceitável!

É claro que os chamados ‘grandes’ utilizam os gabinetes jurídicos para comprometer a celeridade dos processos, mas a Comissão de Instrutores sabe perfeitamente que está a compactuar para que não haja ‘justiça desportiva’.

Ora, um órgão que não consegue honrar o objeto da sua existência, mesmo que ele seja tácito e formalmente subjetivo, não tem razão alguma de existir, a menos que se sinta confortável nas suas traições.

Inaceitável!

FERNANDO TORRÃO foi uma escolha do presidente da Liga, PEDRO PROENÇA, e da sua direção, substituindo CLÁUDIA VIANA, que havia terminado o seu mandato.

A Comissão de Instrutores é actualmente composta por ROGÉRIO OLIVEIRA, BRUNO SAMPAIO, SÉRGIO ROLA e FILIPA ELIAS e não consegue projetar a mínima imagem de eficácia, colocando em causa a sua própria credibilidade.

Não basta a estas comissões sentirem-se confortáveis com o cumprimento daquilo que considerem ‘timings’ de acordo com os seus regimentos; se sentem, à margem da suspeita de que possam estar mais ou menos alinhados com algum interesse clubístico específico, que estão a contribuir para a deformação da integridade das competições — uma vez que contribuem para que os castigos sejam cumpridos, parcial ou totalmente, durante o defeso — então não têm outro remédio senão demitirem-se.

Em alternativa, denunciem o embuste e apontem o dedo a quem patrocina esta farsa.

Isto é inaceitável!

Acresce que os regulamentos disciplinares projetam realidades distintas: o da FPF obriga ao cumprimento de castigos durante a competição; o da Liga consente que o prazo de suspensão corra durante o defeso.

Isto prova que os clubes não podem ter a faculdade de aprovar, em causa própria, este tipo de regulamentos.

E é aqui que o Governo devia intervir. Mas como, se o recém-empossado secretário de Estado do Desporto, JOÃO PAULO CORREIA, a primeira coisa que fez foi quebrar qualquer lógica de protocolo no começo de um mandato?…

Os órgãos disciplinares e a arbitragem não podem ter qualquer dependência da FPF e da Liga.

Os órgãos disciplinares têm de ser implacáveis contra desvios de comportamento ético, doa a quem doer. Mas para isso não podem ter qualquer ligação a clubes.

O futebol português precisa de um regulador independente. Deste modo, vai estar sempre entre a coação e a intimidação e a falta de coragem.

Esta época, os verdadeiros campeões foram a intimidação e a falta de coragem.

E isso é absolutamente inaceitável, sobretudo quando se percebe que a realidade é uma decorrência da falência das instituições.

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