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Colunista e comentador

A mini-saia de Veríssimo, “o jeitoso' e a pena que tenho de Schmidt

28 abr, 14:51
Roger Schmidt

Falta a formalização definitiva, mas a chegada do novo treinador do Benfica, ROGER SCHMIDT, a Lisboa está aprazada para o dia 17…

É uma aposta de RUI COSTA e LOURENÇO COELHO, o novo ‘homem forte’ do futebol dos encarnados’ e é sobre eles que vai recair toda a responsabilidade, em caso de falhanço.

No que diz respeito a treinadores, RUI COSTA teve de gerir a última contratação de LUÍS FILIPE VIEIRA enquanto presidente do Benfica, que foi resgatar JORGE JESUS ao Brasil depois de ter tido com ele um conflito do arco-da-velha ‘para tuga ver’, a meter pedidos de indemnização milionários e depois ficar tudo em águas de bacalhau (e cabeças de garoupa), coisas a que o teatro do futebol está muito habituado, às vezes é preciso fazer de conta e depois… VIEIRA e JESUS voltaram a apaixonar-se…

A seguir, NÉLSON VERÍSSIMO foi uma solução de emergência para juntar os cacos de uma rebelião que acabou por atirar PIZZI para a Turquia (a propósito, nem 1 jogo completo no Basaksehir e utilização inferior a 8 minutos em 6 partidas!), ANDRÉ ALMEIDA para uma posição de maior subalternidade e RAFA naquele limbo de um jogador ora decisivo ora estranhamente irrelevante…

A malta pode ter dentro do campo muita capacidade de gestão do esforço mas fora dele aquelas cabecinhas não param e correm muitos quilómetros.

NÉLSON VERÍSSIMO estava de algum modo em exame, mas para se agarrar e superar a oportunidade, que já lhe tinha surgido quando foi chamado a render BRUNO LAGE, ou tinha de fazer alguma coisa de excepcional (anular a desvantagem para o Sporting e garantir presença directa na Champions ou na Liga dos Campeões espantar a Europa, através por exemplo da eliminação do Liverpool) ou criar um facto novo que o colocasse num pedestal.

Como nenhum dos pressupostos ocorreu, NÉLSON VERÍSSIMO sai de cena com a imagem do funcionário diligente a quem se pede que, numa situação de emergência, entre pela janela da residência da qual o proprietário havia saído com a chave da porta esquecida no seu interior.

Aquela figura de bom feitio, com jeito para dar um jeitinho em situações de emergência, que gostas de ter à mão para te resolver um stress momentâneo.

NÉLSON VERÍSSIMO, o jeitoso, estava ali à mão para resolver um stress e como é um tipo de bom trato e suficientemente esperto para, no contexto em que foi convidado para abrir a porta do balneário que estava trancado por dentro, não se meter em aventuras ou revoluções, tipo herói de banda desenhada, fez a sua comissão de serviço, sem grandes ondas, e o resto o JORGE MENDES ou quem está ao seu serviço resolvem, directa ou indirectamente…

Este tipo de treinadores que chegam ao topo de clubes com história beneficiam desta coisa boa que é disporem dos serviços de empresários mais ou menos relevantes, que são capazes de funcionar como médicos, terapeutas ou psicólogos ou ainda como advogados, solicitadores ou bancários, independentemente dos resultados…

Mesmo quando está tudo mal (o que não é o caso), dá-se sempre um jeito porque o ‘mercado’, quando quer, é um fofinho.

Há sempre uma Arábia à tua espera, não exijas é mini-saia.

As atenções viram-se agora para SCHMIDT e, sinceramente, aqui para nós que ninguém nos ouve, já estou com pena dele.

Não é que SCHMIDT não tenha algumas características que podem ser úteis ao Benfica. É, sobretudo, por causa desta maldita piolheira que é o futebol português, no qual não há respeito por ninguém, não há uma verdadeira força de regulação, não há exemplo e vencem os que têm a arte de passar a perna ao parceiro, com todo o tipo de esquemas e espertezas-saloias…

SCHMIDT vai ter peixe e marisco, sol e temperaturas amenas durante todo o ano, aquelas bochechas vão estar rosadinhas e vermelhinhas (como convém), um contrato que também vai criar conforto à conta bancária, mas vai perceber exactamente — se durar duas épocas — que ‘isto’ aqui é um lugar muito especial, e na Luz, com trabalho de se ver, só SVEN-GORAN ERIKSSON, com a ajuda do grande TONI, conseguiu tirar maçãs da… Macieira.

O QUIQUE não conseguiu fazer FLORES, o TRAPATTONI teve as flores (do VEIGA) que QUIQUE não teve, o SOUNESS levou, coitado, com o VALE (e também com os cheques) e até me lembro do bom do SKOVDHAL, que era — passe a expressão — um gajo demasiado porreiro para a fundura da piolheira (do futebol português).

Isto para dizer que, no caso do Benfica, a contratação de treinadores estrangeiros não tem sido uma ‘carta mágica’, mas para dizer também que o desafio de ROGER SCHMIDT é tão complexo quanto aliciante.

E rapidamente vamos ver se ele tem unhas para tocar esta viola, porque provavelmente não terá tido alguém a explicar-lhe, com manual de instruções, o que é isto da Liga portuguesa e a sua propensão para todo o tipo de saltos e assaltos.

SCHMIDT será o treinador paciente capaz de ser a mente mecânica da SAD ou será aquele tipo de técnico preparado para fazer impor as suas ideias?

O novo treinador do Benfica começará a dar sinais do que vale através da definição do plantel (muita gente a mais) e também do aproveitamento daqueles miúdos fantásticos que conquistaram a Youth League e merecem ser aproveitados.

O Benfica precisa de criar uma nova cultura competitiva no seu futebol.

Essa não é, contudo, uma tarefa exclusiva do treinador SCHMIDT; é um trabalho integrado e inclusivo no qual RUI COSTA e LOURENÇO COELHO vão ser preponderantes.

RUI COSTA tem contra si próprio o facto de não ter tomado decisões corajosas no começo do seu primeiro mandato como presidente, ainda está a tempo, mas deve ganhar consciência de que, se tivesse escolhido ROGER SCHMIDT para ganhar eleições, o mais provável seria ganhar uma vaia.

“Vaia” com Deus, como diz o outro, porque… vai mesmo precisar de uma Luz divina, não a luz que o VIEIRA uma vez viu, com um olho aberto e outro fechado, com os  costados sobre o colchão da “academia”, essa mesmo “academia” (do Seixal) que o VIEIRA — esse mesmo que nos está a fazer pagar desvarios de milhões — já tirou dos méritos de RUI COSTA.

Os sócios e adeptos do Benfica já perceberam que o problema maior até pode nem ser o SCHMIDT, mas as teias de aranha dos processos e do Processo. Esse mesmo: o Processo de mudar a face do futebol dos ‘encarnados’.

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