FC Porto-Sporting: seis ideias táticas que vão marcar o clássico

11 fev 2022, 09:14
Ruben Amorim e Sérgio Conceição

João Pacheco, treinador e analista, projeta para a MF Total conceitos que podem definir o jogo no Dragão

COMO JOGA O FC PORTO E O QUE O SPORTING PODE EXPLORAR

1. A pressão alta do FC Porto

A equipa de Sérgio Conceição irá manter certamente o seu ADN, podendo-se esperar um FC Porto em 1-4-4-2/1-4-2-3-1, bem característico ao longo dos últimos anos, em que o treinador vai recriando novas soluções de acordo com os novos elementos.

Sem estar em posse é uma equipa muito intensa, agressiva e pressionante, tentando conquistar a bola em zonas altas no terreno: para isso tanto pode fazer uma pressão com dois avançados, com pode fazê-lo num posicionamento em «um mais um», com alas mais altos na pressão.

O que o Sporting pode fazer:
Uma forma de o Sporting conseguir ultrapassar estas dinâmicas da equipa de Sérgio Conceição e causar problemas poderá passar por adotar uma construção que leve ao disposicionamento dos médios do FC Porto (gostam de encostar à frente e pressionar). Dessa forma pode aproveitar o espaço criado nas costas dos médios portistas, sobretudo através dos avançados, que terão a oportunidade de aproveitar para baixar no terreno para receber a bola.

2. O jogo interior do FC Porto para libertar as faixas

Com bola o FC Porto é uma equipa que coloca vários jogadores em zonas interiores, ficando a largura à responsabilidade dos laterais. Várias vezes um dos médios baixa para perto dos centrais para receber a bola (momentaneamente podendo fazer saída a três). É importante destacar a grande mobilidade dos jogadores que pisam terrenos mais interiores, oferecendo ao jogo portista maior imprevisibilidade.

Outra dinâmica que apresenta e através da qual cria várias situações de perigo é quando consegue, através do seu jogo interior, libertar e aproveitar o espaço nos corredores para combinações entre laterais e alas, originando várias situações de cruzamento. Nestas situações os dragões colocam vários elementos na área.

O que o Sporting pode fazer:
O Sporting terá de encontrar formas de controlar estas dinâmicas. Para isso é fundamental que a equipa consiga controlar muito bem o espaço interior, nomeadamente as ações de Vitinha (médio mais criativo e responsável por ligar os setores do FC Porto) e não ser muito arrastada pela mobilidade dos portistas. Em situações de cruzamento, é importante garantir superioridade numérica na área. Conseguindo recuperar a bola nestas situações, pode tentar explorar o contra-ataque, aproveitando o facto de o FC Porto ter apenas os centrais e um dos médios em equilíbrio.

COMO JOGA O SPORTING E O QUE O FC PORTO PODE EXPLORAR

3. O espaço que os médios do Sporting têm de cobrir

O Sporting de Ruben Amorim é uma equipa com um estilo de jogo bem definido e consolidado, embora o seu treinador procure nesta fase acrescentar dinâmicas e fazer crescer o seu nível de jogo.  No processo defensivo parte de uma linha defensiva de cinco jogadores, estruturando o onze em 1-5-3-2 ou 1-5-4-1. É uma equipa pressionante, com boa articulação da sua linha defensiva, a quem tipicamente não é fácil criar muitas oportunidades de golo. Os três jogadores mais avançados têm como missão pressionar alto e não permitir muito tempo com bola aos centrais adversários.

Exatamente por isso os médios têm de ter capacidade de defender muito espaço (Palhinha é muito importante nesse aspeto).

O que o FC Porto pode fazer:
Uma possível forma do FC Porto explorar a organização defensiva adversária pode passar por se posicionar de forma a fixar a linha de cinco do Sporting atrás (não deixar que laterais pressionem muito à frente), atrair os alas altos e depois usar superioridades numéricas e espaciais (espaço na largura dos médios) na zona intermédia. Para isso pode tentar atrair os médios à bola e depois ligar com jogador no espaço central nas costas do médio adversário do lado contrário à bola. Se encontrar esse espaço, pode ameaçar a linha defensiva em condução ou até criação de dois contra um no corredor lateral.

4. O jogo ofensivo posicional do Sporting

O processo ofensivo do Sporting parte de uma estrutura 1-3-4-3, em que os laterais se projetam muito (como extremos), os alas jogam mais no espaço interior e a construção é feita a três. Tipicamente o jogo ofensivo é mais posicional, com boa circulação de bola e capacidade para ir encontrando jogadores livres dentro do bloco defensivo adversário.

O que o FC Porto pode fazer:
O FC Porto terá de controlar a construção a três de forma a que não tenham muito tempo para ligar o jogo. É muito importante condicionar o jogo interior de Paulinho, um jogador com capacidade de baixar para ser solução e ligar o jogo, e com excelente capacidade de definição quando entra em associação nesse espaço. Será também importante arranjar forma de controlar a entrada de bola fora seguida de rutura constante no espaço entre central e lateral adversário. Refira-se que a ausência de Pedro Gonçalves é uma baixa importante no habitual futebol leonino, já que o extremo tem características que encaixam bem com as de Paulinho: capacidade de baixar e ligar jogo, capacidade de definição no apoio e boa associação com o ponta de lança da equipa.

O QUE ESPERAR DO JOGO?

5. A importância que FC Porto e Sporting colocam na primeira fase de construção.

Olhando para o que têm sido os confrontos entre o FC Porto de Sérgio Conceição e o Sporting de Rúben Amorim ao longo das duas últimas épocas, é de esperar um jogo muito equilibrado e com momentos de maior ascendente para cada uma das equipas. Penso que as equipas não mudarão as suas estruturas, Ruben Amorim não tem por hábito fazê-lo, Sérgio Conceição mudou apenas uma vez contra o seu opositor (Taça da Liga da época passada) e levarão para o jogo uma abordagem similar ao que têm feito: pressão alta desde a reposição de bola do guarda-redes, evitar que adversário tenha muita bola na primeira fase de construção e que o seu jogo ofensivo seja fluído.

Tal como em jogos anteriores, isto levará o jogo para um registo de muitos duelos, lutas, tempos de ataques mais curtos. Esta será a chave do jogo. Quem pressionar/condicionar melhor a primeira fase do seu adversário e quem tiver melhores soluções para ultrapassar essa pressão, ditará quem terá mais ascendente no jogo e em que momentos o terá, quem se vai instalar mais no meio-campo adversário e com isso estar mais próximo de criar situações de perigo.

O que o Sporting deve fazer:
O Sporting provavelmente fará esta pressão com alas a saltarem nos centrais do FC Porto, com o avançado (Paulinho) a alternar entre pressionar centrais ou baixar um pouco para encostar ou cortar linha de passe para um médio, e com os laterais a subirem a pressionar se bola entrar num lateral do adversário.

O que o FC Porto deve fazer:
O FC Porto talvez possa optar pela mesma solução que usou no jogo em Alvalade. Definir bem uma primeira linha de pressão com dois jogadores (avançado e médio ofensivo), que tentam simultaneamente fechar o passe para os médios do Sporting e condicionar a circulação a três do Sporting orientando para fora, podendo contar com a ajuda de um dos alas que sobem a pressionar um dos centrais mais abertos do Sporting.

6. Como sairão FC Porto e Sporting da pressão?

Uma característica que costuma ser marca registada tanto no FC Porto como no Sporting é que os médios são pouco posicionais no momento da reação à perda de bola, tentando encostar e pressionar à frente. O que levanta uma dúvida tática que muito importante para o clássico: como sairão as duas equipas da pressão?

O que o Sporting deve fazer:
Espera-se mais tentativas de ligação curta da parte do Sporting (correndo até mais riscos), tentando desmontar a pressão adversária. Não o conseguindo, tentará jogar mais longo para o jogador livre nas costas dos médios do FC Porto e com dinâmicas de apoios frontais, ou mais direto logo à profundidade.

O que o FC Porto deve fazer:
Da parte do FC Porto, quando não encontrar ligações mais curtas poderá tentar saídas diretas pelos laterais ou um jogo mais direto para um confronto de bola, tentativa de ganhar a segunda bola e atacar rápido a partir daí. Pode definir referência e zona para onde a bola direta vai ser sempre jogada.

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