Após uma arriscada cirurgia à coluna, o médico aconselhou-a a não viajar. Foi isto que aconteceu quando Pamela não lhe deu ouvidos

CNN , Tamara Hardingham-Gill
29 mar, 15:00
Pamela Holt

Se lhe falta a coragem para percorrer o mundo sozinho, a história de Pamela Holt promete mudar a sua perspetiva sobre as chamadas viagens solitárias - que, de solitárias, só têm mesmo o nome

Ao preparar-se para uma arriscada cirurgia à coluna, cerca de 18 meses depois de ficar ferida num terrível acidente de carro em 2011, que a deixou com dores permanentes, Pamela Holt fez uma promessa a si mesma.

Não só voltaria a viajar dentro de seis meses, como atingiria a meta dos 80 países visitados quando fizesse 50 anos.

Holt, que na altura tinha cerca de 30 anos, já tinha visitado cerca de 55 países. Contudo, a gravidade dos ferimentos pôs a vida e as viagens desta mulher em suspenso.

Após ter acordado da cirurgia, que foi bem-sucedida, Holt, natural da Califórnia, estava certa de que queria fazer uma viagem sozinha, de mochila às costas, para o Médio Oriente. Então pediu à mãe que ligasse para a American Airlines para lhe reservar um bilhete de avião.

Um acidente que mudou a vida

A apresentadora de televisão visitou Petra, na Jordânia, seis meses depois da cirurgia à coluna (Pamela Holt)

“O cirurgião pensou que eu estava doida, para reservar a viagem com seis meses de antecedência”, conta Holt à CNN.

“Ele disse-me: ‘Não vai acontecer, não vai conseguir cumprir esse plano’. E eu respondi: “Sim, vai. Vai acontecer. Preciso de ter qualquer coisa a que me agarrar”.

“Penso que ter essa atitude positiva me ajudou na recuperação. Tinha estado com fortes dores durante um ano e meio. E, honestamente, estava pronta para me atirar de um penhasco. Não valia a pena viver com tamanhas dores”.

Felizmente, Holt já estava suficientemente recuperada para conseguir fazer a viagem em julho de 2012, viajando para Petra, na Jordânia, que descreve como uma “experiência que me abriu os olhos”.

“Gostei, gostei muito da Jordânia, porque estavam todos muito entusiasmados. Como americana, receberam-me muito bem”, diz ela. “E não estava nada à espera disso”.

A mulher explica que a sua paixão por viagens começou durante a adolescência, quando visitou Hong Kong com a família, comemorando o seu aniversário naquele país.

“Acho que foi aí que apanhei o bichinho das viagens”, conta. “Olhei à minha volta e pensei: ‘Quero viver fora da bolha em que cresci’”.

Aos 19 anos, Holt fez a sua primeira viagem sozinha, para o Japão, onde viveu durante vários meses.

“Viajava sozinha aos fins de semana”, diz. “E acabei por voltar a viver no Japão três ou quatro anos depois”.

Holt, que viajou muito enquanto trabalhava como atriz, rapidamente desenvolveu uma paixão intensa por viajar sozinha.

Viajar sozinha

Holt apresenta a série "Me, Myself & The World: The Art of Solo Travel", onde mostra a sua paixão por fazer viagens sozinhas (Pamela Holt)

“As minhas viagens aconteceram sobretudo devido ao trabalho”, diz. “Mas sempre encarei as viagens sozinha como uma prioridade”.

“Eu, literalmente, trabalhava para viajar”.

É claro que a vida de Pamela Holt mudou completamente depois do acidente de carro, que a deixou praticamente imobilizada. Foi aconselhada a colocar a sua vida em ordem antes de se submeter à operação.

“Passar por algo tão traumático, que muda mesmo a nossa vida – não só o acidente, mas também a cirurgia à coluna – é realmente assustador”, diz.

“Faz-nos parar e perguntar: ‘Estou a viver a vida que quero?’. Reconheci então que viajar sozinha era a maior felicidade que tinha tido no passado”

“E tornou-se ainda mais um foco da minha vida depois disso”.

Depois de ter voltado dessa viagem ao Médio Oriente, Holt estava ainda mais determinada em atingir a sua meta de atingir os 80 países visitados ao completar 50 anos de idade, fazendo a vasta maioria das viagens sozinha.

Então, o que agrada tanto esta mulher nas suas viagens solitárias?

“Adoro a adrenalina, a liberdade e a alegria de viajar sozinha”, diz. “Conheces pessoas novas a todos os lugares que vais”.

“Acabas por te desafiar. Ganhas autoconfiança. Pareço um cartaz de publicidade para este tipo de viagens, mas moldaram-me mesmo como pessoa ao longo dos anos”.

“E quanto mais positivas as experiências que tive nas viagens que fiz sozinha, mais quero fazê-las de novo”.

Holt explica ainda que, como estava solteira há muito tempo, não costumava ter ninguém para acompanhá-la nas viagens.

E que, nas vezes em que conseguia arranjar companhia, de amigos, acabava a descobrir que tinham perspetivas diferentes sobre como queriam gastar o seu tempo durante as férias.

“A maioria queria fazer compras e comer”, explica. “E eu queria explorar, mergulhar na história dos locais, andar de esquina em esquina a descobrir coisas”.

“Queria sair da minha zona de conforto”.

Em vez de andar a saltar de destino em destino, Holt é uma grande apreciadora de viagens a um ritmo mais lento.

No que respeita a destinos apropriados para viajantes solitários, como ela, recomenda Tailândia, Bali ou Vietnam.

“O Extremo Oriente é uma espécie de Meca para quem gosta de viajar sozinho”, diz. “Acredito que estão aí os melhores lugares para quem viaja sozinho e procura alguma aventura”.

“Mas também há muitos recursos para este tipo de viajantes. Sítios para ficar. Excursões. Coisas desse tipo”.

Holt também indica Itália como outra localização fantástica para aqueles que querem descobrir o mundo sozinhos.

Construir independência

Holt explora as ruas de Hanói, no Vietnam, e de Banguecoque, na Tailândia, na segunda série do seu programa de TV (Pamela Holt)

“Uma das razões pelas quais adoro Itália é porque há sempre muita coisa para fazer”, acrescenta. “E podes fazê-las de uma forma positiva. Podes perder-te em Itália, ir ao sabor do vento”.

Antes do acidente, Holt preparava-se para a sua primeira digressão. Depois do acidente, teve muitas dificuldades em recuperar a carreira que tinha.

“Levei muito tempo a tentar reconstruir-me depois daquele acidente de carro”, confessa.

Até que acabou por encontrar uma solução, que combinava a sua paixão por viajar sozinha com o passado na indústria de entretenimento: a série televisiva “Me, Myself & The World: The Art of Solo Travel”, da qual é apresentadora e produtora executiva.

A segunda temporada da série de viagens mostra Holt a explorar as ruas de Hanói, no Vietnam, e de Banguecoque, na Tailândia, a encontrar-se e a conversar com locais, mas também com outros viajantes solitários.

Holt conta que costuma ser contactada por outros viajantes solitários, sobretudo mulheres, que querem muito viajar neste modelo, mas a quem falta alguma coragem.

A mulher explica que aconselha os outros a darem “pequenos passos”, fazendo uma viagem de um dia a algum local relativamente perto, antes de planearam uma viagem grande para um local mais longínquo.

“É preciso confirmarmos em nós próprios, estarmos confortáveis connosco”, reforça, “Há pessoas que nem conseguem jantar sozinhas”.

“Mas se continuares a insistir, se conseguires ir construindo essa confiança, vais perceber quão maravilhoso é”.

Holt indica que há muitas pessoas mais velhas a olhar para os viajantes solitários como grupos de mochileiros na casa dos 20 anos. Ou como mulheres na casa dos 40 com uma crise de meia-idade. Por isso, insiste, há muitos tipos de pessoas que gostam de viajar sozinhas.

“Dei um novo significado à palavra ‘Solo’ [palavra inglesa utilizada para definir este tipo de viagens]. Para mim, Solo significa “Seeking Out Life’s Opportunities” [Procurar as Oportunidades que a Vida nos dá, em tradução livre]”, descreve. “É isto que ‘solo’ significa. Podes ser companheiro ou cônjuge de alguém e, ainda assim, viajar sozinho”.

“Podes ser solteiro. Podes ser o que quiseres. É tudo uma questão de procurares as oportunidades que a vida tem para ti”.

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