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“O cheiro a morte está em todo o lado”. O relato de um médico sudanês à CNN

CNN Portugal , MBM
17 abr 2023, 16:50
Civis mortos e armas todo o dia. O que se passa no Sudão?

Na escala de combates no país africano os hospitais são alvos de ataques militares desde a manhã de sábado

Os hospitais no Sudão estão a ser alvo de ataques militares tanto pelo Exército sudanês como pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), de acordo com relatos à CNN de testemunhas oculares e de duas organizações médicas. Isso deixa os profissionais médicos incapazes de alcançar os feridos e de enterrar os mortos.

“A partir das 9 horas da manhã de sábado, quando os combates começaram, passámos a ser alvos”, disse um médico de um hospital de Cartum - que a CNN não está a nomear por razões de segurança.  “Um ataque direto atingiu a ala da maternidade. Conseguimos ouvir armamento pesado e atirámo-nos ao chão, juntamente com os nossos pacientes. O próprio hospital estava a ser atacado”.

A CNN Internacional contactou os militares sudaneses e a RSF para obter comentários.

Outro médico do mesmo Hospital al-Moallem disse à CNN que os profissionais de saúde do hospital permaneceram no local sob bombardeamento da RSF durante dois dias, antes de serem evacuado pelos militares sudaneses.

“Vivemos uma verdadeira batalha”, disse o segundo médico. “Consegue acreditar que deixámos o hospital e deixámos para trás crianças em incubadoras e doentes em cuidados intensivos sem qualquer pessoal médico? Não posso acreditar que sobrevivi à morte no hospital, onde o cheiro da morte está por todo o lado”.

Um terceiro médico com quem a CNN falou disse que os profissionais do hospital “foram evacuados a pé sob a saraivada de balas”.

“Embora eu viva em Cartum, não há maneira de ir para a casa da minha família, onde as batalhas se intensificam no centro e sul de Cartum”.

Pelo menos 97 civis foram mortos e 942 ficaram feridos desde o início dos combates entre o Exército sudanês e grupos paramilitares, avançou esta segunda-feira o sindicato oficial de médicos.

Os confrontos começaram na manhã de sábado, dois dias após o Exército ter advertido que o país atravessa uma "conjuntura perigosa" que poderia levar a um conflito armado, na sequência do destacamento de unidades das RSF na capital sudanesa e noutras cidades, sem o consentimento ou a coordenação das Forças Armadas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu esta segunda-feira ao Exército sudanês e ao grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido que "cessem imediatamente as hostilidades", frisando que uma nova escalada do conflito pode ser devastadora para o país.

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