Das ruas de Trípoli a Braga: a carreira de Al Musrati contada pelo próprio

15 dez 2021, 10:45
Al Musrati
Al Musrati

Médio cresceu na capital da Líbia, jogou no Al Ittihad, mudou-se para Portugal em 2016 e confessou que sentiu dificuldades em adaptar-se. Com 25 anos, o jogador já sabe que quer ser empresário quando deixar de jogar.

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Das ruas de Trípoli ao meio-campo do Sp. Braga. Al Musrati recordou a infância na Líbia, o papel do tio na chegada ao Al Ittihad, e os primeiros meses em Portugal.

«Sou de Trípoli, na Líbia, e nasci para jogar futebol. Quando era miúdo, o meu tio via-me jogar na rua com os meus amigos e dizia à minha mãe: 'O teu filho é muito bom jogador, é preciso levá-lo para um grande clube'. O Al Ittihad, na Líbia. Comecei a jogar e, passo a passo, cheguei à equipa principal. Percebi que podia ser cada vez melhor e tornar-me profissional. Quando tinha 20 anos vim para Portugal e comecei, passo a passo, até chegar ao Sp. Braga», referiu, em declarações à Netx, a televisão dos bracarenses.

O médio de 25 anos mostrou-se feliz pela vida que leva na cidade dos Arcebispos. «Nesta zona ofereci 10 a 15 camisolas aos outros morados. É tudo gente boa e eu gosto de morar aqui. Quando temos folga, gosto de cozinhar. Quando temos treino ou jogo, falo muito com o chef da cozinha», contou. 

Al Musrati entrou em Portugal pela porta do Vitória de Guimarães, mas o seu destino poderia ter sido outro conforme o próprio lembrou.

«Quando saí da Líbia, não sabia que vinha para Portugal. Fui para Espanha primeiro. Depois é que o meu agente disse que tínhamos de ir para Portugal. Isto três ou quatro dias antes do fecho do mercado. Sobrava muito pouco tempo. E Portugal está entre as melhores escolas de futebol do mundo, está ao nível dos Países Baixos. Os jogadores evoluem aqui como profissionais», recordou antes de abordar as dificuldades que sentiu quando chegou ao Berço.

«Vi-me sem a família e os amigos e só falava árabe. E ninguém fala árabe em Portugal. Foi muito difícil, mas nunca pensei em regressar à Líbia. Quando tinha oito anos, disse à minha família que queria sair para fora para ser jogador profissional, de modo a chegar a grandes equipas. Não é fácil ser um jogador profissional por tudo o que o envolve. Temos de comer bem, dormir cedo. Temos de lutar por tudo. Estou sozinho aqui. Por que estou aqui? Porque preciso de ser jogador profissional e chegar ao topo. Preciso de esquecer outras coisas e focar-me apenas no meu trabalho. Estou aqui para ser um grande jogador.»

Normalmente discreto, o internacional líbio confessou ter dificuldades em dormir quando os bracarenses perdem. 

«Quando perco, por vezes não consigo dormir. Vou ver novamente o jogo, o que fizemos e porque perdemos. A equipa é sempre mais importante, mas tento sempre perceber se joguei bem ou mal. Quero fazer uma época ainda melhor do que a anterior. Temos uma boa equipa e não podemos ir abaixo. Temos de estar juntos, como uma família, tal como na época passada. E espero que no final da temporada possamos ganhar algo para deixar os adeptos, o clube e o presidente felizes», disse. 

Apesar de ainda ter vários anos pela frente como jogador, Al Musrati já tem bem presente o que quer fazer quando pendurar as chuteiras: ser empresário.

«Entendo rápido a forma de jogar da equipa e dos jogadores e no final da minha carreira quero ser empresário. Há vários jogadores muito bons no meu país, com muita qualidade, mas não têm muita gente que os oriente para saírem para o estrangeiro. Se conseguir chegar longe na minha carreira, vou ter condições para ajudar esses jogadores para saírem da Líbia e cumprirem os seus sonhos e aquilo que desejam. Por isso é que quero ser empresário», justificou. 

Veja a reportagem na íntegra:

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