Ivo Lucas estava "muito desorientado e a perguntar pela namorada". Depois "fui ver se a Sara Carreira tinha pulso e não tinha"

25 out 2023, 12:02

Tony Carreira, Ivo Lucas e Fernanda Antunes ouviram emocionados os testemunhos em tribunal. A determinada altura, a mãe de Sara Carreira não aguentou e teve de abandonar a sala

No segundo dia de julgamento da morte de Sara Carreira continuam a ser ouvidas testemunhas do acidente. Margarida Costa, médica veterinária, foi a segunda pessoa a contar o que se passou nessa noite. Disse que viu um rapaz (Ivo Lucas) com uma fratura no braço, “muito desorientado e a perguntar pela namorada”. Depois, Margarida Costa e o namorado, Marco Batista, descreveram como encontraram Sara Carreira. “Fui ver se tinha pulso e não tinha”, apontou Margarida Costa.

A veterinária estava a regressar da Serra da Estrela com Marco Batista: “Lembro-me que, de repente, havia muitos destroços na estrada e o meu namorado travou a fundo. Conseguiu passar pela faixa do meio e parámos na berma. Disse-me 'está ali um rapaz em tronco nu'. Estava lá uma senhora com um carro perto. O rapaz tinha uma fratura, estava muito desorientado a perguntar pela namorada”.

Como percebeu que a lesão de Ivo Lucas não era grave, foi à procura de Sara Carreira: “Quando fui ver mais de perto, vi que estava pendurada pelo cinto. O corpo estava preso pela zona da cintura, praticamente no chão, mas não estava no chão. Como ela estava de branco, quando olhei achei que era uma almofada. Só depois reparei que estava ali um corpo. Chegou o meu namorado e um senhor que era bombeiro, que estava ao telefone com o 112. Eu descrevia o que via. Fui ver se tinha pulso e não tinha”.

Sara Carreira “estava muito presa pelo cinto” e não conseguiam “ver muito mais”. Segundo Margarida Costa, “o corpo já estava frio”, acrescentando que, entretanto, receberam autorização “para cortar o cinto”: “Soltámos o corpo e vi novamente o pulso. Cortámos a camisola o suficiente para chegar ao pescoço. Vimos que não tinha pulso na carótida e ficámos ao pé dela até chegar auxílio”.

Sobre as condições climatéricas: “Tinha estado a chover. Quando parámos não estava a chover nem estava nevoeiro. Quando passámos na faixa do meio, lembro-me de ver luzes do lado direito. Lembro-me de ver um carro mais à frente a deitar fumo. Não ia a olhar para a estrada”.

Marco Batista, namorado de Margarida Costa, foi ouvido a seguir. Questionado sobre o que aconteceu, o auxiliar de veterinária recordou: “Lembro-me de ver o sinal na estrada a avisar que havia um acidente. Comecei a passar por cima de muitos objetos que estavam na estrada. Estava na faixa da direita, mas quando vi a sinalização passei para a faixa do meio. Lembro-me de ver um primeiro carro fora da estrada, do meu lado direto, e um na faixa da esquerda. Na altura em que me aproximei dos carros, vi o senhor Ivo (Lucas). Quando passámos, estava junto ao carro do lado do passageiro. O carro estava na horizontal, na sua posição de marcha, a porta do passageiro estava virada para nós. Consegui passar entre os carros e encostar. Eu ia procurar um colete para lhe levar. A minha namorada foi direita ao carro do Ivo. Nisto disse ao senhor para se acalmar, para ir para a berma. Ele estava só a pedir ajuda para encontrar a namorada. Estava muito agitado. Ela (Sara Carreira) já estava sem vida. Estava pendurada pelo cinto. Tentámos ver se tinha pulso, mas já não tinha. Quando nos deram ordem para cortar o cinto, cortei”.

A testemunha aponta que ficaram “à espera dos bombeiros e GNR”. Marco Batista garante que, do lado onde estava Sara Carreira, “o carro não tinha porta”.

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