Em menos de dez anos, Estado Islâmico reivindicou mais de 14 ataques na Rússia

Agência Lusa , DCT
24 mar, 08:16
Ataque em Moscovo (Associated Press)

O atentado da sala de concertos Crocus City Hall, prontamente reivindicado pelo EI, é o mais mortal contabilizado até hoje

O Estado Islâmico (EI) tem um histórico de ataques na Rússia como o de sexta-feira em Moscovo, reivindicando ações neste país desde 2015, incluindo assassinatos de polícias, matanças em igrejas, bombas num supermercado e múltiplos tiroteios.

Segundo números recolhidos pela EFE, o EI reivindicou ou foi responsável por pelo menos 14 ataques na Rússia entre 2015 e 2019, último ano em que se registou uma ação sua até à de sexta-feira na capital russa, em que pelo menos 133 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas.

O atentado da sala de concertos Crocus City Hall, prontamente reivindicado pelo EI, é o mais mortal contabilizado até hoje, segundo cronologia da EFE:

2015

A 19 de dezembro, no primeiro ataque reivindicado pelo EI em solo russo, um homem disparou contra 11 turistas e matou um deles enquanto visitavam a aldeia de Naryn-Kala de Derbent, na República do Daguestão.

2016

A 17 de agosto, dois homens atacaram um polícia com armas e machados num posto de controlo de trânsito do subúrbio moscovita de Balashija, e foram abatidos pelos agentes. Um polícia ficou gravemente ferido. O ataque foi reivindicado pelo EI.

A 23 de outubro, dois homens disparam contra um polícia que inspecionava o seu carro em Nizhni Novgorod, que ripostou e matou os dois atacantes. O EI reivindicou o ataque, afirmando que eram dois "soldados do Estado Islâmico".

A 17 de dezembro, dois supostos militantes do EI apunhalaram um polícia em Grozni, Chechénia, e usaram a sua arma e um carro roubado para matar três polícias. Embora o EI não tenha reivindicado a ação, o Departamento de Estado dos EUA afirma que os autores foram recrutados por um comandante do Daesh na Síria e foram publicados vídeos em que eles juravam lealdade ao grupo.

2017

A 24 de março, um grupo de supostos afiliados ao EI atacou um posto da Guarda Nacional Russa em Grozni, resultando na morte de seis soldados e seis atacantes. O EI não reivindicou, mas os EUA atribuíram-lhe o ataque.

A 4 de abril, dois polícias russos morreram em tiroteio na cidade sul de Astrakhan, uma ação reivindicada pelo EI.

A 19 de agosto, um jovem de 19 anos da cidade siberiana de Surgut caminha pelas ruas com uma faca e fere sete pessoas, antes de ser abatido pela polícia. O ataque, reivindicado pelo EI, ocorreu no dia seguinte a outros similares na Finlândia e na Alemanha, onde várias pessoas foram esfaqueadas.

A 27 de dezembro, uma explosão ocorreu num supermercado da cadeia Perekriostok de São Petersburgo, com cerca de 20 feridos. A bomba não causou danos graves ao edifício. O EI reivindicou o ataque.

2018

A 8 de fevereiro, um homem armado dispara indiscriminadamente no exterior de uma igreja da localidade de Kizliar contra uma multidão de pessoas que celebravam a festa russa da Másletnisa, semelhante ao Carnaval. Cinco pessoas morrem e outras cinco ficam feridas. Reivindicado no mesmo dia pelo EI.

Em maio, o EI reivindica três ataques: um em Neftekamsk, outro em Nizhny Novgorod e um terceiro no Daguestão. Afirma que foram atacados polícias e um santuário sufi, sem vítimas mortais.

A 31 de dezembro, uma explosão num edifício de habitação na cidade russa de Magnitogorsk, nos Urais, deixa 39 mortos. No momento da tragédia, acreditava-se que o edifício se desmoronou devido a uma explosão de gás, mas dias depois o EI reivindicou sua autoria afirmando que tinha matado 39 "cruzados" russos.

2019

A 8 de abril, uma explosão em Kolomna, perto de Moscovo, foi reivindicada pelo EI, sem registo de vítimas.

A 1 de julho, um homem mata um polícia com uma faca num posto de controlo no distrito checheno de Achkhoy-Martonovsky. O polícia matou o agressor. O EI reivindicou o ataque.

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