De acordo com o FSB, o suspeito, cuja identidade não foi divulgada, foi detido depois de publicar no TikTok fotografias suas com roupa tática e um "objeto semelhante a uma arma automática"
Um suspeito que alegadamente planeava um ataque terrorista contra um importante museu de Moscovo foi detido pelas autoridades russas na sequência de um alerta dos Estados Unidos, anunciou este domingo o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB).
O FSB afirmou que as informações partilhadas com a Rússia pelas autoridades policiais norte-americanas levaram à detenção de um cidadão russo menor de idade. A agência declarou estar "grata à parte norte-americana pelas informações fornecidas".
A detenção ocorreu depois de a Embaixada dos Estados Unidos em Moscovo ter emitido, no sábado, um alerta de segurança, no qual avisava estar "ao corrente de uma ameaça credível de um incidente com elevado número de vítimas" no Museu e Reserva de Tsaritsyno, em Moscovo.
A CNN contactou o museu após a divulgação do alerta e foi informada de que a instituição não tinha conhecimento de qualquer aviso. No entanto, vários eventos previstos para o local foram posteriormente cancelados e foram implementadas medidas de segurança, segundo os meios de comunicação social estatais russos.
De acordo com o FSB, o suspeito, cuja identidade não foi divulgada, foi detido depois de publicar no TikTok fotografias suas com roupa tática e um "objeto semelhante a uma arma automática". Partilhou também imagens captadas no Museu e Reserva de Tsaritsyno, acompanhadas da legenda: "Encontrei um sítio".
O FSB afirmou que o adolescente seguia um canal neonazi no Telegram e tinha realizado um "número significativo de pesquisas" sobre atos terroristas anteriores, massacres e outros atos de violência. Na residência do suspeito foram encontradas armas de airsoft, acrescentou a agência.
Não é invulgar que os Estados Unidos partilhem alertas de segurança com outros países. O Departamento de Estado mantém há muito uma política de "dever de avisar" e está obrigado a informar as comunidades de cidadãos norte-americanos residentes no estrangeiro sobre eventuais ameaças.
No alerta divulgado no sábado, o Governo norte-americano sublinhou estar "a coordenar-se com as autoridades russas competentes para dar resposta à situação".
No entanto, a Rússia nem sempre recebeu com agradecimento os avisos dos Estados Unidos. Em março de 2024, durante a Administração Biden, a Embaixada norte-americana em Moscovo alertou que militantes do Estado Islâmico estavam determinados a atacar a Rússia. O aviso referia especificamente a existência de "planos iminentes para atacar grandes concentrações de pessoas em Moscovo", incluindo concertos.
O presidente russo, Vladimir Putin, desvalorizou o alerta, considerando-o uma provocação. Dias depois, atacantes invadiram a sala de espetáculos Crocus City Hall, em Moscovo, e mataram mais de 140 pessoas. O Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo ataque.
A reação de Putin foi diferente em 2017, durante o primeiro mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, quando Washington alertou Moscovo para um ataque terrorista planeado contra a Catedral de Nossa Senhora de Cazã, em São Petersburgo. Segundo um comunicado do Kremlin, Putin agradeceu pessoalmente a Trump pelas informações, afirmando que estas tinham sido suficientes para localizar e deter os suspeitos.
O mais recente alerta e a declaração pública do FSB a agradecer a ajuda norte-americana surgem numa altura em que a relação da Administração Trump com a Rússia está a ser alvo de maior escrutínio.
Nas últimas semanas, Trump fez concessões significativas à Rússia no que diz respeito às sanções, desencadeando críticas tanto entre democratas como entre republicanos em Washington e abrindo uma divisão entre os Estados Unidos e os seus aliados ocidentais.
Daria Tarasova-Markina, Jennifer Hansler, Zahra Ullah e Darya Tarasova contribuíram para este artigo.