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Coordenadora Digital CNN Portugal

O Combate dos Chefes (Dia 10): estar ganho é o contrário de estar perdido

26 jan, 09:00
Rui Rio e António Costa no décimo dia de campanha eleitoral.

Quem olhar para as campanhas de António Costa e Rui Rio, sente o cheiro a vitória no ar. Mas no domingo não podem ganhar os dois. Então, mais vale fazer a festa antes...

Bandeiras no ar, gritos eufóricos e provavelmente algum vírus em circulação. As comitivas do PS e do PSD enchem as ruas, levantam os ânimos dos seus líderes e ajudam a criar uma sensação de vitória em ambos. As palavras, os gestos e as medidas de António Costa e Rui Rio são escrutinados pelos jornalistas e eleitores a toda a hora, mas não há nada como as máquinas partidárias para fazer de conta que está tudo a correr muito bem.

Vejamos o PSD. 

Embalado pelo frente a frente com Costa, Rio entrou na campanha confiante. As sondagens não lhe eram simpáticas, mas isso, para o presidente social-democrata, é como jogar em casa. E, de distrito em distrito, o laranja lá ia aparecendo e dando outra cor às intenções de voto. Tanto que, esta terça-feira, ao décimo dia de estrada, a provocação foi mais longe: "António Costa está efetivamente na iminência de perder as eleições e podia perdê-las com dignidade." Talvez "efetivamente" seja uma palavra muito forte quando ainda faltam três dias de campanha e as eleições propriamente ditas, mas "dignidade" também o é, e não é por isso que tem estado mais presente.

Queixa-se Rui Rio que o PS não diz a verdade sobre o programa do PSD. A Segurança Social não vai para a bolsa e o SNS não vai mais ao bolso dos portugueses, está prometido, ponto final. Se Costa insistir nisso, está "a faltar à verdade", a "deturpar", "a baixar um bocado o nível". Tudo formas mais dignas de dizer que está a mentir. É por estas e por outras que o PSD sente que está a subir no "grau de aceitação" e como é que Rui Rio sabe isso? "Muita gente me conta". Contra factos, não há sondagens.

E agora o PS.

"Está no papo!", "O povo vai votar e o PS vai ganhar!", "Quanto mais a luta aquece, mais força tem o PS!". A máquina está afinada, e convencida. Pode já não haver maioria absoluta, mas a maioria dos socialistas está mobilizada de certeza absoluta. “Muitos me disseram aqui que já está ganho. Mas queria chamar a atenção que nunca há vitórias antecipadas", diz Costa, levado em ombros, afastando qualquer imagem de entusiasmo precoce. 

Na iminência de recusar o "pingue-pongue" com Rui Rio - para desagrado de quem escreve crónicas precisamente sobre isso -, o secretário-geral só faz contas no domingo: "Quem sabe quem vai ganhar são os portugueses". E os militantes do PS que lhe contem outra versão até lá. 

Com ou sem dignidade, um deles irá perder. Mas o dia 30 de janeiro não se resumirá à vitória ou derrota de Rui Rio e António Costa. Há muitos deputados para eleger, uma maioria para desenhar e acordos e negociações para efetivamente fazer. Até lá, devem continuar as provocações e a gabarolice. Não que eu seja de adivinhar, mas muita gente me conta.

Resultado acumulado da campanha: António Costa 5 – Rui Rio 5

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