Como o calor extremo está a tornar a sua gasolina mais cara

CNN , Matt Egan, da CNN. Texto adaptado a Portugal pela CNN Portugal
8 ago 2023, 10:21
Sistema de extração de petróleo (AP Photo/Matthew Brown, File)

Preços dos combustíveis estão de novo a subir. Calor extremo no planeta contribui para isso: eis como.

A vaga histórica de calor deste verão está a tornar a vida mais cara para os condutores.

O problema é que as refinarias, tal como os seres humanos, não conseguem lidar com temperaturas persistentemente sufocantes.

Quando as temperaturas atingem os 40 ou mesmo 44 graus Celsius, estas complexas instalações não conseguem produzir toda o combustível que os consumidores querem ou precisam. E essa perda de oferta está a ocorrer precisamente quando a procura está no pico ou perto do pico nesta época de condução de verão.

“As refinarias avariam com o calor extremo. É como fazer funcionar um motor a temperaturas muito altas durante muito tempo”, disse Tom Kloza, presidente do Serviço de Informação sobre os Preços do Petróleo, nos EUA.

Como as refinarias sofreram interrupções, os preços nas bombas dispararam. A média em Portugal da gasolina simples subiu 16 cêntimos só no último mês, para 1,823 euros por litro, segundo a Direção-Geral de Energia e Geologia. No gasóleo, a subida no mesmo período foi de 19 cêntimos, para 1,688 euros por litro.

Ironicamente, tudo isto mostra que nem mesmo as empresas de petróleo e gás - uma indústria que os cientistas responsabilizam em parte pelo aquecimento global - estão imunes às consequências da crise climática. E os consumidores estão a sofrer as consequências com o aumento do preço dos combustíveis, um desenvolvimento que ameaça anular alguns dos progressos feitos na frente da inflação em toda a economia.

Arábia Saudita e Rússia restringem a oferta

Naturalmente, o calor extremo não é o único fator responsável pelo aumento do preço dos combustíveis. Os preços do petróleo continuam a ser o principal motor dos preços de retalho nas bombas.

E desde meados de junho, os preços do petróleo subiram quase 20%, reflectindo a diminuição dos receios de recessão e as promessas da Arábia Saudita e da Rússia de restringir a oferta.

Na quinta-feira, a Arábia Saudita anunciou planos para prolongar um corte voluntário de um milhão de barris por dia no fornecimento por mais um mês e ameaçou fazer ainda mais neste outono. A Rússia também anunciou planos para reduzir as exportações de petróleo em 300 mil barris por dia em setembro.

Ainda assim, o calor elevado está claramente a pressionar os preços dos combustíveis.

No Médio Oriente, as temperaturas extremas estão a obrigar alguns países a queimar petróleo para manter as luzes acesas e satisfazer a procura de ar condicionado.

No Texas, Louisiana e noutros locais da Costa do Golfo, nos EUA, algumas refinarias foram forçadas a abrandar a atividade devido a manutenção não programada.

Porque é que o calor elevado é importante

Para produzir gasolina, combustível para aviões e gasóleo, as refinarias aquecem o petróleo bruto, por vezes a 480 ou 540 graus Celsiu, para quebrar as moléculas, segundo Andy Lipow, presidente da empresa de consultoria Lipow Oil Associates.

Depois de aquecer o petróleo, este tem de ser arrefecido para se obter o produto acabado. Normalmente, esse é um processo padrão, mas tudo muda com as temperaturas muito altas que persistem.

“À medida que fica mais quente lá fora, o arrefecimento torna-se cada vez mais difícil”, disse Lipow.

O calor elevado pode também dificultar os esforços de manutenção nas refinarias.

De um ponto de vista puramente lucrativo, as refinarias têm todos os incentivos para fazer tudo o que for possível neste momento. As margens de lucro são elevadas, o que torna lucrativo maximizar a produção de gasolina, combustível para aviões e gasóleo.

“As refinarias estão a ir muito, muito bem - se conseguirem manter as suas operações. O potencial de lucro e a motivação estão aí para trabalhar o máximo possível”, disse Kloza.

No entanto, Kloza disse que a maioria das refinarias que gostariam de funcionar a 100% da capacidade só conseguem funcionar a 85% quando estão 40 graus lá fora.

Este é um problema particular porque a capacidade das refinarias diminuiu nos últimos anos, deixando pouca margem para erros.

“Não há, de facto, qualquer folga no sistema”, afirmou Lipow.

Esta situação também contribuiu para fazer subir os preços do combustível para aviação e do gasóleo. O gasóleo é um combustível crucial para a economia, alimentando camiões, barcos e comboios. O aumento dos custos de transporte acaba por se repercutir nos consumidores.

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