Empresários apostam em segurança privada para colmatar insegurança da noite no Porto

Agência Lusa
28 ago, 09:53
Casas, habitação, Porto. Foto: Emmanuele Contini/NurPhoto via Getty Images

Junta do centro histórico diz que segurança no Porto foi "abandonada" pelo Governo

Com casa cheia e a situação financeira a aliviar "ligeiramente", empresários de bares e discotecas do Porto apostam em segurança privada para, da porta para dentro, colmatarem a insegurança que se vive na rua e protegerem clientes e funcionários. 

Neste verão, em que "praticamente já não se sente a pandemia", a afluência de clientes portugueses e estrangeiros no Moreclub, discoteca na Rua da Galeria de Paris, tem sido "maior do que em 2019", contou à Lusa António Brandão, um dos sócios-gerentes do espaço que abriu portas em 2010. 

O negócio "está a correr bem" e, lá dentro, os clientes usufruem da noite, do ócio e da diversão com "segurança". 

"É preciso que o público em geral perceba que os espaços de diversão noturna oferecem muita segurança no interior", observou o empresário. 

É, no entanto, na via pública envolvente aos espaços de diversão noturna da cidade, maioritariamente localizados na baixa e zona da Movida, que existe "insegurança", assegurou António Brandão. 

"Mas, isso é uma questão que pode facilmente ser corrigida e assegurada pelo policiamento. As forças de autoridade podem, com facilidade, criar segurança na via pública", referiu. 

Com a "insegurança" na rua, os hábitos dos clientes mudaram: "apesar de gostarem imenso das esplanadas, hoje, os clientes facilmente procuram mais cedo os espaços interiores para dançarem e ouvir música". 

"Talvez, por sentirem que dentro há mais segurança do que fora dos espaços", acrescentou António Brandão.

Para colmatar a insegurança que se vive na via pública, e "garantir aos clientes uma segurança efetiva", o empresário​rreforçou a segurança privada no Moreclub.

"A segurança privada é um instrumento muito caro, mas o retorno é a segurança e o 'feedback' dos clientes é que se sentem realmente seguros dentro dos espaços", reforçou António Brandão, lembrando que é "obrigação" do Estado manter a segurança na via pública.

Com capacidade para acolher 300 clientes, a discoteca tem tido, nestes dias, uma lotação de "100%", permitindo "recuperar gradualmente" os danos financeiros causados pela pandemia da covid-19. 

"Estamos agora a conseguir recuperar gradualmente e sentimos que as pessoas usam de forma civilizada os espaços. O público em geral sai para se divertir e não para criar conflitos", disse o empresário. 

Os conflitos que decorrem na via pública já "afastam alguns clientes", garante Carlos Machado, responsável por dois estabelecimentos na zona da Movida do Porto, o Romanoff, na rua de José Falcão, e o Griffon's, na rua Conde Vizela. 

"Há clientes que já vão quase diretamente para o estabelecimento e que evitam andar ali nas ruas, ou então, já não vão mesmo para aquela zona mais problemática", observou o empresário, acrescentando que "não há policiamento e, quando há, o que é raro, é para inglês ver".

"Os clientes evitam ir para os locais onde há mais violência e outras coisas desagradáveis. Não é só violência que existe na Movida, existem outras coisas desagradáveis", acrescentou.

À semelhança de António Brandão, também Carlos Machado reforçou a segurança privada num dos estabelecimentos para "reconfortar os clientes e os funcionários", mas também para fazer face à falta de policiamento na rua. 

"Isso vê-se em todas as grandes cidades e principalmente onde há um aglomerado de bares e discotecas, acho que só aqui no Porto é que não se vê", referiu, acrescentando que se a insegurança vivida não for, atempadamente, colmatada "pode ser, a médio prazo, prejudicial". 

Tanto no Romanoff como no Griffon's, o negócio tem estado "calmo", ainda que nos dias que abrem portas ao público, os espaços se encham de clientela. 

Apesar da afluência de clientes, a recuperação dos danos financeiros provocados pela pandemia "ainda vai demorar muito tempo", garante o empresário. 

"Vai demorar a recuperar, porque há coisas que não deixámos de pagar, como a renda e as moratórias", acrescentou Carlos Machado.

Junta do centro histórico diz que segurança no Porto foi "abandonada" pelo Governo

Também o presidente da União de Freguesias do Centro Histórico do Porto, Nuno Cruz, afirmou este domingo à Lusa que a segurança na cidade foi "abandonada" pelo Governo e defendeu mais "polícias na rua" da Movida, onde se concentram os estabelecimentos de diversão noturna.

“Há um sentimento de impunidade muito grande. As pessoas acham que podem tudo porque simplesmente não há polícia na rua”, acrescentou.

A falta de agentes de segurança na rua tem originado “várias queixas”, tanto por parte de moradores, como de empresários do setor da diversão noturna, que recorrem à junta na tentativa de solucionar o problema.

O ruído é um dos “rastos” que a noite deixa e fenómenos como o ‘botellón’ e festas na rua propagam. 

À semelhança de Nuno Cruz, também as associações de bares e discotecas do Porto defenderam o reforço de policiamento permanente na zona da baixa e do centro histórico, temendo que a insegurança afaste os turistas e locais que têm promovido a retoma económica do setor.

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