Polónia constrói barreira de 210 quilómetros em arame farpado para proteger-se do enclave russo em Kaliningrado

CNN Portugal , BCE com Lusa
5 nov, 01:14

O governo polaco pretende assim evitar uma repetição da "guerra híbrida" de 2021, quando a Bielorrússia enviou milhares de migrantes para atravessar ilegalmente o país vizinho

A Polónia começou esta semana a construir uma barreira de 210 quilómetros em arame farpado na fronteira com o enclave russo em Kaliningrado, um território com forte presença militar russa localizado entre a Polónia e a Lituânia, no Mar Báltico. O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo ministro da Defesa, Mariusz Blaszczak, que justificou a construção desta barreira como forma de impedir a passagem ilegal de migrantes que, segundo o governante, é orquestrada pela Rússia.

Conforme já é possível verificar pelas imagens, a barreira é composta por três vedações de arame farpado com 2,5 metros de altura e três metros de largura, além de sistemas eletrónicos e câmaras de vigilância. A construção deverá estar concluída antes do final do ano, estima o ministro.

O governo polaco pretende assim evitar o que aconteceu em 2021, quando a Bielorrússia enviou milhares de migrantes para atravessar ilegalmente o país vizinho. "Devido a relatos perturbadores sobre o lançamento de voos do Médio Oriente e Norte África para Kaliningrado, decidi tomar medidas para reforçar a segurança na fronteira polaca com o enclave de Kaliningrado, fechando esta fronteira", justificou Blaszczak.

Também a Finlândia já anunciou que quer replicar a ideia no seu território, com uma barreira de 130 a 260 quilómetros, de acordo com o jornal El País. Os dois países tentam desta forma distanciar-se de um país vizinho imprevisível, sobretudo desde a invasão da Ucrânia.

O governo da Finlândia, país que faz fronteira com a Rússia, também quer construir um muro de 130 a 260 quilómetros. Polónia e Finlândia tentam assim distanciar-se de um país vizinho imprevisível, sobretudo desde a invasão da Ucrânia.

O território de Kaliningrado foi anexado pelas forças da ex-União Soviética após o final da Segunda Guerra Mundial (1945). Anteriormente, para prevenir uma crise migratória que a Polónia considera "guerra híbrida" desencadeada por Moscovo e Minsk, o executivo de Varsóvia já implementou em setembro de 2021 uma zona tampão de três quilómetros ao longo dos 400 quilómetros de fronteira com a Bielorrússia. A zona interditava a passagem de "não residentes", incluindo jornalistas e funcionários de organizações não-governamentais.

Apesar da medida imposta pela Polónia, registam-se mais de uma centena de tentativas de passagem da fronteira bielorrussa, sobretudo por cidadãos de países do Médio Oriente.

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