Euro 2020: Escócia-República Checa, 0-2 (crónica)

14 jun 2021, 16:03

25 anos depois, um ensaio Schick

25 anos depois, a Escócia entrou de novo num Europeu e pela porta grande, no Hampden Park. A sua casa. O estádio mais antigo deste Euro 2020. Mas saiu de mãos a abanar na primeira aventura.

25 anos depois do mítico chapéu de Karel Poborsky a Portugal, em 1996, Patrik Schick ensaiou novo chapéu histórico para um dos golos mais espetaculares do futebol checo.

25 anos depois de histórias com paralelismos, Patrik foi Schick. Chique. Marcou a dobrar. É candidato a golo do Euro 2020. E deu os primeiros três pontos à República Checa, mostrando, depois do triunfo da Finlândia na Dinamarca, que o fator casa não diz tudo nesta prova. Iguala a Inglaterra no topo do grupo D ao fim da primeira jornada.

O minuto 52 do Escócia-República Checa já tem lugar guardado no resumo deste campeonato e sentenciou as aspirações de uma Escócia aguerrida e muito física, mas que sucumbiu à eficácia e maior inteligência dos checos.

Por essa altura, já Patrik Schick tinha feito o gosto, não ao pé, mas à cabeça, para ditar a diferença mínima antes do intervalo. Ao minuto 42, o avançado do Bayer Leverkusen cabeceou entre dois adversários e bateu David Marshall com um cabeceamento colocado, após cruzamento de Coufal.

Depois disso, uma obra de arte. Um golaço que um mar de adjetivos pode não chegar para descrever. Um arco perfeito.

Schick beneficiou de uma bola esbarrada na defensiva checa após um ataque da Escócia, apanhou a bola a meio campo, viu o guarda-redes adiantado e… «vai já daqui»: pé esquerdo na bola e um arco com a força e a altura perfeita para fechar as contas do jogo. Parecia matemática, não calculada pelo plano Marshall, que não recuperou a tempo e acabou embrulhado entre as redes da sua baliza.

A vantagem de dois golos dos checos arrasou uma Escócia que tinha entrado bem no jogo, mas teve em Vaclik uma barreira constante: negou, por exemplo, um remate com selo de golo a Robertson (32m), que foi um pulmão no corredor esquerdo dos escoceses. Nele ou nos ferros, como mostrou o lance de Hendry ao minuto 48, quando a equipa de Steve Clarke procurava o empate.

Por esta altura, após o intervalo, assistiu-se ao período mais intenso do encontro. Se a Escócia enviou a bola ao ferro, a República Checa antecipava o que seria depois o segundo golo. Schick deixou o aviso no primeiro lance da segunda parte, antes de afirmar-se como homem do jogo, dando a tranquilidade e o conforto com uma vantagem que se tornou firme, vincada à boleia de um golo imenso.

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