Operação Babel. Vice-presidente da Câmara de Gaia renuncia ao mandato

Agência Lusa , ARC, atualizada às 11:56
12 jun 2023, 10:39
Patrocínio Azevedo (Câmara Municipal de Gaia)

Patrocínio Azevedo encontra-se em prisão preventiva no âmbito da Operação Babel

O vice-presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Patrocínio Azevedo, que ficou em prisão preventiva no âmbito da Operação Babel, renunciou ao mandato, anunciou esta segunda-feira o líder da autarquia, o socialista Eduardo Vítor Rodrigues.

O anúncio foi feito no período antes da ordem do dia da reunião do executivo.

“Na semana passada foi rececionado um pedido do senhor vice-presidente que implica obrigatoriamente a sua substituição na lista. O pedido foi acompanhado de uma missiva que julgo ter obrigação de ler e que ficará na ata desta reunião de Câmara”, disse Durado Vítor Rodrigues que, de seguida, leu uma carta assinada por Patrocínio Azevedo na qual este renuncia ao mandato.

Na carta, Patrocínio Azevedo, que também renunciou à liderança da Comissão Política Concelhia do PS de Vila Nova de Gaia, reitera a sua inocência.

“Mesmo perante a total ausência de indícios de qualquer ilícito fui detido e vi ser aplicada a mais gravosa das medidas de coação. Assim aguardo com serenidade as diligências do inquérito (…). Estou inocente. Os supostos crimes relacionados com um hipotético favorecimento a uma imobiliária e troca de contrapartidas monetárias são falsos”, refere o antigo autarca socialista.

Após ler a carta, Eduardo Vítor Rodrigues revelou que fez chegar a Patrocínio Azevedo, através de um advogado, uma “posição coletiva mas personificada” em si, na qual “atestava publicamente toda a convicção relativamente à inocência” do até aqui vice-presidente da autarquia.

Falando em “danos irreparáveis por todas as razões e mais algumas”, o presidente da autarquia frisou acreditar na inocência de Patrocínio Azevedo e deixou recados sobre o funcionamento da justiça e do sistema.

“Oxalá que o tempo não nos faça desacreditar da vida e da política, dos partidos e da democracia, porque uma justiça injusta é uma justiça que perturba a democracia (…). Oxalá Patrocínio não seja um mártir, mas que venha dar um exemplo de que aquilo que tanto se propaga de uma justiça à prova de bala está na verdade contaminada com muitas coisas que parecem querer justificar problemas onde eles não existem (…). O sistema de justiça e de investigação precisa de correções”, disse.

Numa declaração de cerca de 15 minutos que marcou o arranque da sessão camarária, Vítor Rodrigues quis deixar uma “palavra de carinho” ao pai de Patrocínio Azevedo, Manuel Azevedo, que é presidente de Junta de Freguesia de Sandim, Olival, Lever e Crestuma.

“Quero que saiba que tem um filho, que é um ser extraordinário, que está a ser vítima de um equivoco”, afirmou.

O autarca também criticou a “encenação pública”, falou de “câmara de TV ligadas antes mesmo da Polícia Judiciária chegar” e ironizou sobre “problemas que só existem cá em cima”, enumerando autarcas nortenhos que foram alvos de buscas e processos.

Já foi a Luísa Sagueiro [Matosinhos], já foi o Rui Moreira [Porto], esta semana foi o Rui Moreira outra vez. Já foi o carro ou a não sei quê que me assolou (…), já foi o presidente da Maia [Silva Tiago] com potencial perda de mandato de uma coisa que se veio a demonstrar enfim (…), foi agora a presidente do Marco de Canaveses [Cristina Vieira]”, referiu.

Para Eduardo Vítor Rodrigues, os autarcas do Norte parecem ter o exclusivo dos problemas.

“Estamos perante uma espécie de distrito contaminado. Espero que se demonstre que os danos que estão a ser feitos às pessoas e instituições talvez justifiquem cautelas adicionais, menos exibicionismo e mais cautelas”, terminou.

Patrocínio Azevedo encontra-se em prisão preventiva no âmbito da Operação Babel, por determinação do Tribunal de Instrução Criminal do Porto anunciada em 19 de maio. Apesar de lhe ter sido decretada a medida de coação mais gravosa, não renunciou de imediato ao mandato.

Este processo principal da Operação Babel centra-se “na viciação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanístico em favor de promotores associados a projetos de elevada densidade e magnitude, estando em causa interesses imobiliários na ordem dos 300 milhões de euros, mediante a oferta e aceitação de contrapartidas de cariz pecuniário”.

O presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, anunciou a 22 de maio, também em reunião do executivo municipal, que a vice-presidência passaria a ser assegurada pela vereadora Marina Mendes, responsável pelos pelouros da Educação e Ação Social.

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