OMS pede “ação urgente” nos conflitos do Sudão: dez mil crianças podem morrer até ao fim do ano e há já 7,1 milhões de deslocados

Agência Lusa , DA
18 out, 11:17
Médicos Sem Fronteiras no Sudão _ Darfur _ Foto de Arquivo AP PhotoNariman El Mofty

O país africano tem “o maior número de deslocados internos do mundo”, pessoas que são forçadas a fugir, e que vivem condições precárias, “sem acesso a comida, água potável segura, um ambiente limpo e saudável”

A Organização Mundial de Saúde alertou, esta quarta-feira, que 10 mil crianças podem morrer este ano no Sudão devido ao conflito, e pediu "ação urgente" para ajudar os 7,1 milhões de deslocados internos, o maior número do mundo.

"Milhões de famílias foram apanhadas no meio dos combates, e mais de 5,8 milhões de pessoas, 2,5 milhões das quais são crianças, foram recentemente desalojados e estão em trânsito; com mais de 7,1 milhões de deslocados internos, o Sudão tem agora o maior número de pessoas deslocadas internamente do mundo", lê-se num comunicado conjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS) e UNICEF, que alertam para o elevado número de mortes infantis.

"Apesar de haver dados insuficientes para verificação, projeções baseadas no modelo 'Life Saves Tool', da Universidade Johns Hopkins, indicam que pelo menos 10 mil crianças com menos de 5 anos podem morrer até final de 2023 devido ao aumento da insegurança alimentar e a perturbações nos serviços essenciais bem mais de 20 vezes o número oficial de crianças de todas as idades que foram mortas nos combates", que duram há seis meses, acrescentam.

O Sudão, referem o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a OMS "tem agora o maior número de deslocados internos do mundo", e "sem acesso a comida, água potável segura, um ambiente limpo e saudável, cuidados de saúde e muitos serviços básicos, o risco de morte devido a complicações à nascença, redução da vacinação, surto de doenças e má nutrição está a aumentar rapidamente".

No texto que assinala também a passagem dos seis meses desde que o conflito surgiu, a 15 de abril, as agências das Nações Unidas salientam que "mais perturbações nos sistemas de saúde vão resultar num número inaceitável de mortes preveníveis entre as crianças e as populações vulneráveis".

A OMS e a UNICEF pedem por isso "ação urgente" por parte da comunidade internacional, num país onde 70% dos hospitais não funcionam, as equipas de saúde estão há meses sem salário e já houve 58 ataques a instalações de saúde, resultando em 31 mortes e 38 feridos entre médicos, enfermeiros e doentes.

Dando conta da situação dramática da população, a OMS aponta ainda que o número de famílias que passam fome quase duplicou, havendo 100 mil crianças a precisarem de tratamentos para conseguirem sobreviver, a que se junta o perigo das epidemias potenciadas pela estação das chuvas.

No final de setembro, o Ministério da Saúde anunciou um surto de cólera no estado de Gedaref, que depois alastrou aos estados de Cartum e Kordofan do Sul, resultando em 65 mortes que, diz esta agência da ONU, deverão ser apenas as primeiras.

"A cólera é uma doença altamente contagiosa e mortal para as populações vulneráveis, que se não for rapidamente contida pode matar muitas mais", diz a OMS, concluindo que para além da cólera, também a malária, o dengue e o sarampo estão a espalhar-se pelo país.

A situação no Sudão agravou-se nos últimos seis meses, com a intensificação do conflito a partir de abril entre as Forças Armadas Sudanesas e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês).

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