De campeão a selecionador depois das sapatilhas roubadas no balneário do FC Porto

8 nov, 09:05
Ricardo Oliveira (Foto: Federação Portuguesa de Ténis de Mesa)

O irmão, Rui Jorge, jogava na equipa principal dos dragões, Ricardo Oliveira fez captações, convenceu os responsáveis... e ficou descalço. Perdeu-se o calçado, mas ganhou-se um campeão e selecionador de ténis de mesa. Numa família com vocação para o desporto que tem dois selecionadores nacionais na árvore genealógica

«Mais longe e mais alto» é uma rubrica do Maisfutebol que olha para atletas e modalidades além do futebol. Histórias de esforço, superação, de sucessos e dificuldades.

Imagine o que era o selecionador nacional ter-se perdido pelo «caminho»!

Cruzes! Ninguém quer pensar nessa possibilidade!

Mas ela podia ter-se tornado realidade.

Bastava que naquele final de verão, o já campeão nacional de sub-12 se tivesse deixado ir pelo encantamento do mundo do futebol.

E era fácil. Afinal, o miúdo tinha sido selecionado no meio de dezenas de crianças, nas sempre concorridas captações do FC Porto. Do FC Porto! O clube no qual o irmão já tinha chegado à equipa principal.

Quanto podia isso custar para o pequeno Ricardo, campeão nacional de ténis de mesa?

Bem, custou-lhe umas sapatilhas.

«Quando cheguei ao balneário tinham-me roubado as sapatilhas. E ainda levei com o meu pai aziado por ter sido burro e deixado as sapatilhas num balneário onde estavam a passar 50 miúdos», recorda Ricardo Oliveira que se lembra de ter concluído rapidamente: «o melhor é mesmo ficar onde estou».

E assim se salvou aquele que chegaria a selecionador nacional, 29 anos depois.

Sim, a volta é longa. Talvez pouco linear, podemos admitir também. Mas aconteceu mesmo.

O Ricardo ficou sem as sapatilhas. Mas o ténis de mesa agarrou o miúdo que viria a sagrar-se campeão em todos os escalões de formação e em seniores. Que representou Portugal em três Mundiais e que, desde o início do ano se tornou selecionador nacional.

Nesta história, perdeu o FC Porto que ficou sem o miúdo que até tinha jeito e era irmão do jovem Rui Jorge. Esse mesmo: o selecionador dos sub-21 de futebol. Parece que é uma coisa que lhes está no sangue.

Mas calma! O FC Porto também não perdeu totalmente. Afinal, tinha sido de dragão ao peito que Ricardo Oliveira se tinha sagrado campeão nacional no ténis de mesa.

Porque era ali que tinha começado mais a sério a ligação à modalidade que lhe tinha sido transmitida por herança familiar.

«Com seis anos, lembro-me de ir ver os treinos da minha irmã que jogava ténis de mesa no FC Porto. Comecei a pegar nessa altura na raquete. E depois tinha mesa em casa porque o meu pai jogava. Acho que entre os treinos da minha irmã, jogar em casa e ir ver os torneios do meu pai, começar a jogar foi algo natural», admite, em conversa com o Maisfutebol.

Do fim da secção no FC Porto a «lenda» no Sporting

A ligação de Ricardo Oliveira ao FC Porto, contudo, foi curta. Um ano depois do título de Ricardo Oliveira, o FC Porto decidiu encerrar a formação de todas as modalidades amadoras e ficar apenas com os jogadores profissionais.

A secção de Ténis de Mesa não foi exceção. Mas talvez tenha sido aquela que menor transtorno criou aos integrantes.

«Eu, os treinadores e a maioria dos meus colegas no FC Porto mudámo-nos para o Monte Aventino, um clube de bairro, que era ali perto das Antas, por isso a mudança não foi grande», recorda.

«Continuámos a conquistar títulos, o clube cresceu, os apoios apareceram e até deu para renovar a sala de treinos», orgulha-se Ricardo Oliveira.

Para ele seguiram-se conquistas nacionais nos escalões de cadetes e juniores. E sobre o que poderia ser se os troféus tivessem sido conquistados nos dragões, apenas uma incerteza.

«Ficamos sempre com a dúvida: como teria sido se as conquistas fossem no FC Porto? E quem diz FC Porto, pode dizer Sporting ou Benfica. Normalmente o impacto de um título num desses clubes é diferente», reconhece.

Por outro lado, serviu para sublinhar o nome do Monte Aventino no panorama da modalidade em Portugal. E o mérito disso é tão grande ou maior.

Poucos anos depois, aquela geração levou o pequeno clube de bairro à primeira divisão em seniores. Mesmo que só tenha durado um ano. E isso sim, foi fundamental para Ricardo Oliveira voar para longe do «ninho».

«Aos 18 anos, quando ia passar para sénior, surgiu oportunidade de ir para o Estrela da Amadora, que sempre foi uma potência da modalidade. Com a descida dos seniores do Monte Aventino, senti que ficar podia fazer-me travar a minha evolução, por isso, fui de armas e bagagens para Lisboa», nota.

E logo aí a escolha podia ter sido outra. O salto podia ter sido ainda maior. Mas pesou a vontade de continuar num clube mais «familiar» na transição para senior.

«Já tinha tido convites do Sporting para ir para lá, mas a equipa do Estrela era muito jovem e o treinador gostava de mim. Eu e os meus pais achámos que a transição para fora do meu meio familiar devia ser para uma estrutura mais próxima do que estava habituado, daí a opção por um clube com uma estrutura menor», explica.

Com o jogador mais próximo, a insistência do Sporting não parou. Pelo contrário, obviamente.

«Um ano depois, lembro-me das palavras do Pedro Miguel, então dirigente do Sporting: disse-me que eu podia jogar em todos os clubes que quisesse, mas um dia ia perceber que no Sporting as coisas seriam completamente diferentes», aponta, dando razão ao homem que é hoje presidente da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa (FPTM).

«É a verdade. A grandiosidade do que se faz no Sporting é sempre diferente do que se vive nos outros clubes. Havia adeptos a ver os nossos jogos só porque era o Sporting que estava a jogar. A realidade a que estávamos habituados era ter apenas os familiares a assistir. Ter 30 adeptos não era normal acontecer», acrescenta.

Esse maior acompanhamento por parte dos adeptos trazia também uma exigência maior. Mas para alguém habituado desde sempre à exigência, isso nunca seria um problema. «Existia essa cobrança maior que nos ajudava a ir para um patamar diferente».

Além disso, concretizou-se no seio da família Oliveira aquilo que as sapatilhas roubadas no balneário do FC Porto tinham impedido anos antes. Os manos Ricardo Filipe e Rui Jorge estavam agora no mesmo clube.

O que dava um maior conforto ao mais novo dos irmãos.

«O meu irmão já estava há algum tempo no Sporting. Isso não foi determinante, mas também por ele estar lá, sentimos que fazia sentido. E claro que me deu confiança para dar esse passo. Mas o que me interessava mesmo era pensar na minha carreira e continuar a evoluir», assegura.

E evoluiu. Durante mais de uma década ao serviço dos leões, Ricardo Oliveira venceu vários títulos nacionais e tornou-se num dos nomes maiores do Ténis de Mesa do Sporting. Uma referência. Como mostra, por exemplo, o Prémio Stromp que lhe foi atribuído em 2007.

Ricardo Oliveira podia ter terminado a carreira no Sporting. Seria um fechar de ciclo natural. Mas os últimos dois anos como jogador trouxeram-lhe um novo desafio. Que veio dar ainda mais sentido à carreira. E ao que se seguiria.

«Joguei os últimos dois anos no Juncal, uma equipa dos Açores. E não podia ter escolhido melhor. Ali não houve o drama de deixar o desporto que jogava há 25 anos. Nós desportistas, temos sempre medo do que vem a seguir e o Juncal ajudou-me a perceber que o meu papel já era muito mais o de treinador e conselheiro do que o de jogador. A transição foi muito natural. Já sentia ali que era um bocadinho treinador e não tinha aquele fogo da ânsia de jogar», confessa, ele que terminou a carreira em 2015.

Uma vida a bater bolas entre o ténis de mesa e a Arquitetura

Ao contrário da realidade vivida pelo irmão, profissional de futebol, Ricardo sentiu sempre a necessidade de conciliar os bons resultados desportivos com uma vida profissional paralela. A de arquitecto, neste caso.

Sempre. Ao longo de toda a carreira.

E ainda o fez, conciliando a vertente desportiva em Lisboa e a profissional… no Porto.

«No ano em que estive no Estrela e nos primeiros anos de Sporting só fazia pequenas temporadas em Lisboa, além dos jogos. Primeiro, treinava e estudava no Porto. Depois, passei a treinar e trabalhar no Porto. Às vezes, passava alguns fins de semana mais prolongados em Lisboa. Só no período em que fiz o estágio profissional é que estive durante dois anos em Lisboa», revela.

Sobre a opção pela carreira dual, apenas uma dúvida ronda a mente de Ricardo Oliveira de vez em quando.

«Nunca fui exclusivamente profissional no ténis de mesa. E é muito difícil conciliar as duas coisas. Fica sempre aquela nuvem negra da dúvida de como seria se me tivesse dedicado totalmente a uma das vertentes», admite.

Mas com zero sensação de arrependimento, assegura de imediato.

«Tenho uma vida incrível, fiz sempre o que gosto, sou casado com uma mulher espetacular e tenho três filhos incríveis. Estou totalmente tranquilo com a escolha de vida que fiz. Não teria isto que tenho se me tivesse dedicado apenas ao ténis de mesa», acredita.

Ricardo Oliveira com a mulher e os três filhos

A dedicação, porém, esteve lá sempre. Só isso lhe permitiu conquistar vários títulos nacionais e ser presença habitual na seleção.

Não deixar de ser curioso, contudo, que a profissionalização no ténis de mesa tenha chegado… após o fim da carreira.

Quando largou a raquete, Ricardo agarrou na batuta. Pegou no conhecimento acumulado ao longo de duas décadas meia na modalidade e decidiu transmiti-lo às gerações seguintes.

O primeiro passo partiu da FPTM que, em 2019, o convidou para ser coordenador das seleções nacionais jovens e diretor Técnico do Centro de Alto Rendimento de Ténis de Mesa.

No início deste ano, com a saída do selecionador Kong Guoping, tornou-se natural que fosse Ricardo a suceder-lhe.

«Esta é a quarta temporada em que estou apenas a trabalhar no ténis de mesa. Não estar a 100 por cento em nenhum dos lados já me incomodava. Foi uma decisão natural», diz, contextualizando.

«O Centro de Alto Rendimento foi construído na minha cidade natal [Vila Nova de Gaia], a cinco minutos da casa onde cresci. O Pedro Miguel com quem tinha relação desportiva, era presidente da Federação e lançou-me o convite que aceitei com naturalidade.

A «inveja» dos «Três Mosqueteiros» com quem jogou e agora orienta

Ricardo Oliveira conviveu desde sempre de perto com aquela que é a geração de ouro do ténis de mesa. Marcos Freitas, João Monteiro e Tiago Apolónia levaram o ténis de mesa português para o topo do Mundo.

Os «Três Mosqueteiros» como foram popularizados foram capitaneados pelo atual selecionador nas camadas jovens, além de ele ter feito dupla com João Monteiro no Sporting e defrontado Apolónia e Freitas algumas vezes, até o trio ter rumado ao estrangeiro para se profissionalizar e Ricardo ter continuado em Portugal.

E é desarmante a forma como Ricardo Oliveira admite ter visto o sucesso dos três companheiros. Desarmante pela honestidade.

«Nos primeiros tempos, como qualquer atleta que goste de ganhar, senti um bocadinho de inveja do que eles estavam a alcançar», confessa.

Inveja. Sem medo das palavras, que justifica.

«Não é bonito de se dizer, mas é a verdade. E já tenho idade para não ter problemas em dizer a verdade. Claro que rapidamente passou dessa inveja para um grande orgulho pelo que eles estavam a conquistar e fazer vida no nosso meu desporto. Porque foi muito bom perceber que o ténis de mesa podia proporcionar isso a jogadores que eu conhecia tão bem», completa.

Ora, e a naturalidade com que faz esta confissão é a mesma que sente ter existido no momento em que passou a ser ele o selecionador e o trio os selecionados.

«Já convivia quase diariamente com eles. Trabalhávamos todos no Centro de Alto Rendimento e também isso aconteceu de forma natural».

Agora, com cerca de 11 meses no cargo, o selecionador faz um balanço positivo. Mas não se deixa iludir por ele.

«O balanço é bom em termos de resultados. Quer nos Jogos do Mediterrâneo [medalha de prata], como no Campeonato do Mundo [passagem aos quartos de final]. Mas no ténis de mesa, isto é ao momento. Mais do que preocupados com o que fizemos, preocupa o dia de amanhã», sublinha.

O objetivo, diz, passa por continuar a disputar jogos com os melhores do mundo. Porque há algo que Ricardo Oliveira valoriza mais do que os ditadores «resultados».

«Os resultados têm de ser consequência e não objetivo. Têm de ser consequência do trabalho de todos os dias. O objetivo deve ser tirar o máximo rendimento disto. A consequência será o que conseguirmos tirar depois», defende.

E no momento de apontar o potencial do futuro da modalidade em Portugal, numa altura em que os «Três Mosqueteiros» começam a aproximar-se do final da carreira, o selecionador joga também à defesa.

«Hoje, fala-se muito mais no potencial dos jogadores do que no eles são no momento. Temos mais vontade em projetar o que pode vir a ser do que o que se é. E isso pode ser um erro. Pode haver jogadores que não pensamos que irão ombrear com os resultados obtidos por esta geração, como pode haver alguns que achamos que têm potencial e que no dia a dia não se dedicam como estes dedicaram», esclarece.

Como conhecedor profundo do trabalho que se faz no CAR de Ténis de Mesa, Ricardo Oliveira enaltece é o trabalho que está a ser feito ali.

«Temos miúdos com 13 anos que saíram do conforto de casa dos pais, que vieram dos Açores, de Vila Real ou de Lisboa para vir morar no CAR e poderem treinar 15 a 20 horas por semana. E cabe à FPTM dar as melhores condições para que quando houver um jogador que reúna todas as condições para evoluir e ombrear com o estatuto destes jogadores, isso aconteça e não desperdiçarmos esse jogador», deseja.

Uma família, três campeões nacionais e dois selecionadores

Não haverá muitas famílias que se possam orgulhar de ter três irmãos que foram campeões nacionais. Além de Rui Jorge, sete vezes vencedor do campeonato de futebol e de Ricardo Oliveira que foi várias vezes campeão no ténis de mesa, também a irmã, Paula Alexandra, foi campeã no ténis de mesa na vertente de pares.

Mas menos ainda, serão as famílias que têm dois irmãos selecionadores nacionais de modalidades tão diferentes como o futebol e o ténis de mesa.

O que torna impossível perguntar: o que há no sangue da família Oliveira?

A resposta de Ricardo vem embrulhada numa gargalhada.

«Não sei o que há. O que sei que existe é uma cultura desportiva familiar. Uma forma de saber estar no desporto, perceber o que isso significa e fazer do desporto uma forma de vida. E isso acontece há algumas gerações: desde o meu avô paterno que foi árbitro de futebol jogou andebol, basquetebol e outras modalidades. O meu pai também praticou várias modalidades e mesmo eu e o meu irmão éramos bons em quase todas as modalidades. Nas férias familiares jogava-se tudo», assegura, terminando com uma provocação a Rui Jorge.

«Por exemplo, no padel, que jogamos agora, ele é quase tão bom como eu. Quase!»

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