Patrícia acordou às duas da manhã com a "casa inundada" e culpa uma obra licenciada pela Câmara de Lisboa. Autarquia garante que resolveu o problema

8 mar, 19:30

 

 

 

Meios da Proteção Civil e dos bombeiros estiveram no local e atestaram que as casas, no centro de Lisboa, inundaram "devido ao retorno das águas residuais provenientes do coletor público existente ao eixo do arruamento"

Um coletor de águas interrompido na rua Josefa de Óbidos, na freguesia de São Vicente, em Lisboa, deixou a casa de Patrícia Gabriel - e não só - cheia de água e lodo na tarde de 7 de fevereiro.

À CNN Portugal, a moradora conta que nesse dia "a água saía do chão aqui em todas as caves. Choveu e todas as caves em três números foram inundadas".

"Chamei todas as identidades, isto foi desde as 15:00 até às 21:00, veio tudo e veio Proteção Civil. Como resultado houve um relatório da Proteção Civil e a câmara enviou os meios para desentupir os coletores, mas era insuficiente. Era um carrito pequenino e eles disseram que era preciso o carro normal, um camião, que eles têm esse equipamento, e nunca veio", relata.

Nesse relatório, a que a CNN Portugal teve acesso, lê-se que "o coletor unitário da da Rua Josefa de Óbidos está interrompido. O escoamento por gravidade das águas residuais termina na caixa localizada no interior do estaleiro da obra particular (esquina com o prédio sito na Rua Josefa de Óbidos n.° 2). Por motivo do deficiente escoamento deste ramal, foram inundadas" pelo menos três frações habitacionais particulares "devido ao retorno das águas residuais provenientes do coletor público existente ao eixo do arruamento".

A obra particular referida no relatório é uma "intervenção urbanística licenciada" pela Câmara Municipal de Lisboa e que, segundo a Proteção Civil, está a "executar as infraestruturas de águas, de esgotos e de eletricidade".

"Verificou-se que o sistema público de drenagem termina na caixa de coletor existente no interior da área do estaleiro. No interior desta caixa de visita foram instaladas 2 (duas) bombas submersíveis, que segundo informação do responsável da obra, destinam-se a efetuar o "bypass" das águas residuais recolhidas nesta caixa, para o novo coletor. Não foi possível observar a nova rede de drenagem construída. No entanto o sistema de bombagem aparenta estar subdimensionado para o caudal máximo neste troço da rede", lê-se ainda no mesmo relatório.

Patrícia Gabriel diz que, perante o relatório e a identificação do problema, a atuação da Câmara de Lisboa "é algo muito simples". "Tem de proteger os moradores. Isto foram quatro prédios e a câmara tem de proteger os moradores. Tem de pedir à obra que licenciou algo muito simples que é fazer o licenciamento, fazer fiscalização, e o relatório que eu tenho da Proteção Civil diz que o coletor de águas está entupido, está cheio, que as bombas são insuficientes ou não estão a funcionar".

Mas, até ao momento, diz, nada foi feito, e na madrugada de dia 7, a moradora voltou a acordar com a casa inundada "com lama e fétida".

"Passou um mês, entretanto, no dia 7, às 02:00 acordei, tinha a casa inundada com lodo e água do esgoto. Fui ao terraço e todos os vizinhos estavam com inundação. Foi até de manhã. O chão está todo estragado, naturalmente, é um susto. Todas as caves foram inundadas. Ou seja, percebeu-se que durante um mês não foi feito absolutamente nada, nada. Entretanto, já chamei a Proteção Civil novamente e já aqui estão os bombeiros". 

Contactada pela CNN Portugal, a Câmara de Lisboa confirma ter conhecimento das inundações e esclareceu que, por causa da obra, houve uma "interrupção temporária do coletor público" e que "no local foi instalado um sistema de bombagem para desviar as águas residuais".

"Tendo sido pedido ao dono da obra um relatório de fiscalização, o mesmo refere que suspeita de vandalismo através do desligamento do quadro de comando das duas bombas que permitem o funcionamento do coletor de águas de saneamento no local. Atendendo à situação, e como medida complementar de prevenção e reforço, procedeu-se à instalação de uma 3.ª bomba, instalada a montante das duas bombas já existentes, e adicionalmente promoveu-se a presença de um guarda noturno no interior de obra, todas as noites, com o intuito de garantir a segurança do estaleiro", refere a autarquia em comunicado.

A Câmara esclarece ainda que os serviços camarários estiveram no local "e confirmaram o correto e normal funcionamento do coletor e das bombas", assim como uma equipa do Regimento de Sapadores Bombeiros.

À CNN Portugal, Patrícia Gabriel lamenta que a Câmara de Lisboa não esteja "a proteger os moradores", mas garante que, apesar de tudo, não quer sair de casa.

"Não quero sair de casa porque mais vale encontrar água às duas da manhã e não dormir a tirar água e lodo com ajuda, do que sair daqui. Está habitável porque ontem esteve uma equipa de limpeza durante 7 horas e hoje vem outra equipa de limpeza", desabafa, acrescentando que, na sexta-feira, voltaram ao local meios da Proteção Civil e do Regimento de Sapadores de Bombeiros. "É uma questão de não saber quem é que pode ir lá desentupir. Vêm todos, mas não há ação".

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