Quase um quarto dos jovens têm qualificações a mais para os empregos que exercem

ECO - Parceiro CNN Portugal , Isabel Patício
8 dez 2023, 12:00
Universidade - aula (arquivo)

Os jovens portugueses estão mais qualificados, mas ainda existe um fosso entre as habilitações dos trabalhadores e os empregos disponíveis. Em 2022 agravou-se a chamada sobrequalificação.

Quase um em cada quatro jovens portugueses com ensino superior trabalha em profissões que não exigem este nível de escolaridade. De acordo com os dados divulgados esta semana pela Fundação José Neves, a sobrequalificação está a agravar-se em Portugal, sendo que esta semana mais de 22% dos jovens têm habilitações a mais para os empregos que exercem.

“A percentagem de jovens sobrequalificados aumentou significativamente em 2022, invertendo a tendência de decréscimo que se tinha vindo a registar de 2018 em diante”, é sublinhado na nota enviada às redações esta semana.

Em concreto, entre 2013 e 2018, a taxa de sobrequalificação entre os jovens trabalhadores aumentou de 17,1% para 22,9%. Mas entre 2018 e 2021, caiu três pontos percentuais para 19,9%. Já em 2022, a trajetória inverteu-se e a fatia de jovens sobrequalificados avançou 2,5 pontos percentuais para os tais 22,4%.

A Fundação José Neves detalha que a sobrequalificação é superior entre as trabalhadoras jovens. Cerca de 24% estão nessa situação, enquanto entre os trabalhadores jovens a taxa é de menos de 20%.

“Este indicador não será alheio ao facto que de a proporção de mulheres jovens com ensino superior ter sido sempre superior à dos homens na última década. Como exemplo, em 2022, a percentagem de mulheres dos 25 aos 34 anos com ensino superior foi de 51,9%, 15 pontos percentuais acima dos homens na mesma faixa etária (36,9%)”, é explicado.

De modo global, quanto mais elevado o nível de educação, maior a taxa de sobrequalificação, havendo, portanto, um desajustamento entre as competências procuradas pelo mercado de trabalho e as disponibilizadas pelos jovens.

“Apesar da maior qualificação dos jovens, o mercado de trabalho não os absorve em ocupações adequadas às suas qualificações. Este desajustamento repercute-se na qualidade do emprego dos jovens trabalhadores, quer a nível salarial quer na evolução das suas carreiras profissionais“, destaca a a Fundação José Neves, que alerta que o país está, portanto, a subaproveitar competências e a perder retorno do investimento feito em educação.

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