Barítono Jorge Chaminé vence Prémio Europeu Helena Vaz da Silva de Património Cultural

Agência Lusa , MJC
15 set 2023, 08:28
Barítono Jorge Chaminé (DR)

O músico de 67 é o vencedor deste prémio anual atribuído pelo Centro Nacional de Cultura

O barítono Jorge Chaminé, presidente do Centro Europeu da Música, foi distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural/2023, anunciou est sexta-feira o Centro Nacional de Cultura (CNC), que promove o galardão.

“Este reconhecimento europeu presta homenagem à excecional contribuição de um dos maiores embaixadores artísticos e intelectuais do património cultural europeu, tanto imaterial quanto material”, justifica o CNC em comunicado.

Sobre a escolha de Chaminé, de 67 anos, o júri referiu: “Após uma carreira internacional de grande sucesso como barítono, durante a qual apresentou e divulgou o património cultural da Europa em muitos teatros de ópera e salas de concerto, não só na Europa como no resto do mundo, Jorge Chaminé decidiu dedicar os últimos 20 anos da sua vida à promoção do espírito e identidade europeus através da música clássica, trabalhando maioritariamente em regime de voluntariado. É o criador e presidente do Centro Europeu da Música, sediado em Bougival, perto de Paris, ponto de encontro entre artes, humanidades, ciências e gerações, que celebra a música como linguagem universal, no cerne da identidade europeia e dos seus valores humanistas”.

No mesmo comunicado, Jorge Chaminé afirma-se surpreendido com a distinção que o “comoveu” e “honrou”. “Sinceramente, acho que esta distinção é dirigida sobretudo ao reconhecimento da importância da Música para o nosso património cultural europeu: pelas suas inúmeras capacidades para construir elos entre os seres humanos, pela universalidade da sua linguagem, pelo seu talento em unir a diversidade, pela sua capacidade de falar a cada um de nós e de nos falar coletivamente, pelo 'milagre' de poder reunir a mente, o coração e o corpo, tríptico do ser humano completo. À Música dediquei e dedico a minha vida!”

Sobre Chaminé, o CNC afirma que “o artista é forjado neste perpétuo vai-e-vem entre ele próprio e os outros, a meio caminho entre a beleza de que não pode prescindir e a comunidade de que não se pode afastar”, acrescentando que "a citação de Albert Camus raramente se adequa tão bem como a Jorge Chaminé, barítono e músico empenhado, fora dos circuitos habituais, que recusa fronteiras humanas, geográficas ou musicais”.

O CNC realça o seu trabalho “incansável”, há vários anos, “à volta da importância do património musical europeu, seguindo o lema da União Europeia, ‘Unidade na diversidade’”. O músico “dedica-se especialmente à salvaguarda da memória e do legado da famosa meio-soprano hispano-francesa Pauline Garcia-Viardot (1821-1910), que pode ser considerada a mais influente ‘mãe-fundadora’ da Europa da Cultura, e à preservação de importantes lugares de memória em Bougival, perto de Paris, nomeadamente a Villa Viardot - que foi restaurada e é inaugurada no próximo sábado, graças à sua liderança inspiradora e a esforços incansáveis, entre os quais o da Europa Nostra - e a Casa Bizet onde o compositor criou a sua obra-prima, ‘Carmen’, que hoje se tornou a ópera mais representada no mundo”.

Jorge Chaminé é também o fundador e presidente do Centro Europeu da Música, com sede em Bougival, "com antenas estabelecidas em vários países europeus e parcerias em mais de 50 países dos cinco continentes”, refere o CNC.

O CNC salienta ainda que, “sob o lema ‘Let’s empower Music!’, conta entre os seus projetos, que procuram ter uma visão holística em torno da Música e das suas múltiplas virtudes, com a grande rede Via Musica, à qual pertence a Rede de Casas e Museus de músicos europeus (que abrange 23 países e inclui entre muitas outras a Fundação Amália Rodrigues, em Lisboa), com a Via Scarlatti (que se desenvolve em Espanha, França, Itália e Portugal), e ainda com o 'hub' 'Música-Cérebro’”.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em colaboração com a Associação Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa, e conta com o apoio do Ministério da Cultura de Portugal, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

O Júri do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, presidido pela presidente do CNC, Maria Calado, foi também composto por “especialistas independentes nos campos da cultura, património e comunicação de vários países europeus”, designadamente, o presidente do conselho de administração do Grupo Impresa e ex-primeiro-ministro, Francisco Pinto Balsemão, o belga Piet Jaspaert, vice-presidente da Europa Nostra, o português João David Nunes, vice-presidente do Clube Português de Imprensa, Guilherme d'Oliveira Martins, ex-presidente do CNC e atual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, a sérvia Irina Subotić, presidente da Europa Nostra, e a norueguesa Marianne Ytterdal, do Conselho da Europa Nostra.

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