«Lage? Os jogadores não gostaram e falaram num grupo de WhatsApp»

5 dez 2023, 21:24
Bruno Lage (AP)

Lúcio Flávio, que foi adjunto e depois assumiu o comando do Botafogo, recordou o momento em que Lage colocou o lugar à disposição, assim como a decisão de deixar Tiquinho no banco

Lúcio Flávio foi um dos treinadores que assumiu as rédeas do Botafogo esta temporada. O técnico brasileiro chegou, ainda antes disso, a ser adjunto de Bruno Lage e recordou dois momentos que marcaram a passagem do português pelo emblema do Rio de Janeiro.

No Charla Podcast, Flávio lembrou quando Lage colocou o lugar à disposição depois de perder com o Flamengo, assim como a decisão de colocar Tiquinho Soares no banco para lançar Diego Costa no onze inicial, no último jogo do português no leme do Fogão.

«Ninguém sabia nada daquilo. Até a nós chamou a atenção. Ele disse que queria chamar a responsabilidade para ele porque vinha a sentir essa pressão e obrigação de ganhar o campeonato. Isso repercutiu no grupo. Alguns jogadores não gostaram da forma como ele se pronunciou. Aos poucos tentamos ajustar. Para um grupo, aquilo não soa bem. Os jogadores falaram num grupo de WhatsApp... Tentei refazer o clima e foi acontecendo aos poucos», afirmou, antes de revelar a conversa com Lage, no jogo com o Goiás.

«"Bruno, este é um jogo em que podemos jogar com os dois, recuamos um pouco o Eduardo". Mas ele disse na véspera que estava mais inclinado a jogar com o Diego. Eu disse que o Tiquinho poderia ter ido para a seleção e lesionou-se, mas estava a recuperar aos poucos. Disse que ainda existia a expectativa e que era o goleador da equipa, ídolo dos adeptos e de grande parte dos jogadores do plantel, e que isso poderia mexer no balneário», prosseguiu.

«Silêncio no almoço, balneário diferente. Vamos para o jogo, aquecimento com um clima mais pesado. Depois de tudo, ele teve de entrar e fez o golo», completou.

Botafogo do céu ao inferno: a cronologia de um título perdido

Flávio também assumiu que se sente «injustiçado» pelo tratamento que recebeu no clube. «Fui informado em Bragança que teríamos um novo treinador, mas que continuaria no clube como adjunto, por isso digo que me senti injustiçado. Mas o clube tem todo o direito de me mandar embora. O tempo mostrou que não era eu o culpado. A equipa não ganhou nenhum jogo. O processo do futebol está ligado à pressão, e quando não a queres do teu lado, atiras para outro.»

Lúcio Flávio, que sucedeu a Lage no Botafogo, conseguiu apenas duas vitórias em nove jogos.

Relacionados

Brasil

Mais Brasil

Patrocinados