Guterres foi ao muro de Rafah e ficou de "coração partido" ao ver que 20 camiões estão impedidos de ir evitar "a morte" de dois milhões de pessoas

20 out, 12:13

Secretário-geral da ONU deslocou-se a um dos sítios mais sensíveis do conflito entre Israel e o Hamas - não porque ali onde ele foi há disparos ou batalhas mas porque há um muro, apenas um muro, a separar a tragédia de alguma esperança. "Temos 20 camiões que são uma linha de salvamento", diz. Mas são camiões parados

Perante o impasse na entrada de ajuda humanitária em Gaza através do Egito, António Guterres aterrou esta sexta-feira no norte do Sinai e em questão de horas estava em frente ao posto de fronteiriço de Rafah, que esta sexta-feira devia ter aberto para a entrada de água, comida e medicamentos na Faixa de Gaza.

O secretário-geral das Nações Unidas escolheu o muro de Rafah como pano de fundo e começou por lembrar que o mundo "está perante um paradoxo". "Atrás deste muro temos dois milhões de pessoas que estão a sofrer enormemente, que não têm água, comida, medicamentos nem combustível, que estão debaixo de fogo e precisam de tudo para sobreviver", começou por referir António Guterres, continuando: "E deste lado vemos tantos camiões carregados com água, comida, medicamentos, exatamente o que é preciso do outro lado deste muro. Estes camiões não são só camiões - são uma linha de salvamento, a diferença entre a vida e a morte em Gaza".

O pedido das Nações Unidas é simples: movimentar os camiões com ajuda humanitária tão depressa quanto possível e quantos quanto possível, mas, como lembrou Guterres, as condições e restrições de última hora têm vindo a atrasar a abertura do posto de fronteira de Rafah. "É impossível estar aqui e não nos sentirmos de coração partido."

António Guterres anunciou que a ONU "está agora ativamente envolvida com todas as partes: Egito, Israel e Estados Unidos". O objetivo é "tentar clarificar essas condições e diminuir as restrições para que o quanto antes estes camiões se movam para onde são mais necessários". "É a diferença entre a vida e a morte".

Por fim, o desejo do responsável máximo das Nações Unidas: “Tenho esperança de que haja futuro e de que um dia haja paz com uma solução de dois estados com palestinianos e israelitas a viverem em paz em dois estados, um ao lado do outro. Muito obrigado”, culminou António Guterres.

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