Mendes Calado, CEMA exonerado: "Deixo a Marinha, não por vontade própria"

23 dez 2021, 19:57
Almirante Mendes Calado
Almirante Mendes Calado

O até então Chefe do Estado-Maior da Armada, que foi hoje exonerado por Marcelo, diz mesmo que quem o conhece sabe que nunca tomaria tal decisão

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O almirante António Maria Mendes Calado, que foi nesta quinta-feira exonerado do cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada, no qual vai ser substituído pelo até então vice-almirante Gouveia e Melo, afirma, numa mensagem de despedida, que deixa a Marinha mas "não por vontade própria".

Mendes Calado sublinha, aliás, que quem o conhece sabe que nunca tomaria tal decisão.

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"Foi uma honra ter sido o vosso comandante. Falta-me tempo e palavras para expressar tamanha gratidão. Deixo a Marinha, não por vontade própria, pois os que me conhecem não entenderiam que abandonasse o leme da nossa Marinha depois de tanto resistir ao temporal que nos assolou nos últimos tempos. Não é essa a nossa fibra", começa por dizer, na mensagem de 1:46 minutos divulgada nas redes sociais da Marinha.

O almirante, que se dirigiu a toda a Marinha, diz que procurou ter "mão firme" até ao "último momento", devido a "mares agitados".

"Foi para mim uma honra e um privilégio ter liderado e aprendido tanto com todos os que se cruzaram comigo nestes 47 anos que servimos juntos a nossa Marinha. Procurei sempre liderar pelo exemplo, de plena dedicação e grande entusiasmo, com a nobre missão de servir Portugal e os portugueses. Saio com a confiança numa Marinha resiliente, capaz de ultrapassar todos os desafios (...), continuando a valorizar as pessoas e a condição militar", aponta.

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"Até sempre, levo-vos no coração", despede-se.

O Presidente da República anunciou hoje ter aceitado a exoneração de Mendes Calado, que condecorou com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, "no quadro de uma carreira brilhante".

Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou ter "chegado o tempo de proceder à referida exoneração", decidiu nomear Gouveia e Melo CEMA, após "proposta do Governo, com parecer favorável do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e após audição do Conselho do Almirantado".

Henrique Gouveia e Melo toma posse como chefe da Armada na segunda-feira.

Há três meses, em setembro, quando Gouveia e Melo deixou a task force da vacinação, surgiram notícias de que seria o próximo CEMA, por proposta do Governo, apesar de Mendes Calado, que ocupava o cargo desde 2018, ter sido reconduzido para mais dois anos de mandato em março deste ano.

O Presidente da República acabou, então, por pôr fim às especulações, referindo que estava acertado que o almirante Mendes Calado deixaria o cargo antes do fim do mandato, mas que isso não aconteceria naquele momento. Sem adiantar uma data para essa saída, Marcelo defendeu que o chefe da Armada mostrou "lealdade institucional" no exercício do cargo e realçou que nesta matéria "a palavra final" era "do Presidente da República".

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Na ocasião, o chefe de Estado lamentou também ver o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo envolvido em notícias sobre a substituição do CEMA, numa situação que no seu entender poderia parecer "de atropelamento de pessoas ou de instituições" e dando a entender que teria havido um problema de comunicação entre Governo e Presidente.

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