Eleições nos EUA: Michelle Obama é candidata desejada entre democratas

Agência Lusa
27 jan, 09:03
Michelle Obama (AP Photo)

Partido considera candidatos alternativos perante o aumento da desvantagem de Joe Biden nas sondagens face ao crescentemente provável rival republicano nas presidenciais norte-americanas deste ano

O aumento da desvantagem de Joe Biden nas sondagens face ao crescentemente provável rival republicano nas presidenciais norte-americanas deste ano, Donald Trump, leva os democratas a considerarem candidatos alternativos, mais recentemente a ex-primeira-dama Michele Obama.

A ideia da alternativa Michelle Obama, mulher do ex-Presidente Barack, começou a correr nos corredores do Congresso quando, em novembro passado, David Axelrod escreveu na rede social X que o Presidente Biden deveria ponderar a sua recandidatura, tendo em conta os muito fracos índices de popularidade e as sondagens que começavam a dar Trump como o melhor posicionado para regressar à Casa Branca após as presidenciais de novembro de 2024.

“Apenas Biden pode tomar essa decisão. Se ele continuar na corrida das primárias democratas, ele será o candidato do partido. O que ele precisa é de pensar se isso é sensato; se isso é o melhor para o seu interesse ou para o interesse do país”, escreveu Axelord, ex-assessor de Barack Obama e que continua a ser um estratego importante para os democratas.

Logo a seguir a esta mensagem nas redes sociais, vários congressistas republicanos começaram a reagir ao recado do antigo conselheiro da Casa Branca, incluindo Ted Cruz, o influente senador do Texas, que numa entrevista televisiva deixou a entender que Barack Obama continua a ser a personalidade que manda no Partido Democrata e que, a qualquer momento, poderia colocar a sua mulher nos boletins de voto das primárias democratas.

Esta possibilidade ficou adormecida durante algumas semanas, mas as recentes sondagens – que continuam a indicar uma queda de popularidade de Biden, apresentando-o a vários pontos de diferença de Trump, especialmente nos estados considerados decisivos para uma vitória eleitoral – voltaram a trazer o tema para a discussão política.

Esta semana, o congressista ultra conservador Byron Donalds deu como quase certa uma candidatura de Michelle Obama, numa entrevista ao canal Fox News, invocando informações que lhe foram passadas por membros próximos da Casa Branca, que estariam a mostrar preocupação com a hipótese de um regresso de Trump à Casa Branca.

Os republicanos invocam um outro argumento: uma declaração do início deste mês de Michelle Obama, numa outra entrevista a um ‘podcast’, em que a ex-primeira-dama se dizia muito preocupada com a possibilidade de uma vitória de Trump nas eleições de 05 de novembro.

“O que poderá acontecer na próxima eleição? Eu estou assustada com o que pode vir a suceder, porque os nossos líderes têm relevância. Quem escolhermos, quem fala por nós, quem tem acesso ao púlpito”, disse Michelle Obama, nessa entrevista.

Os democratas não comentam as declarações da ex-primeira-dama, nem admitem discutir uma sua candidatura, mas os ‘media’ norte-americanos garantem que o partido tem sondagens que revelam que Michelle Obama tem melhores hipóteses de travar Trump do que Joe Biden.

As sondagens democratas comprovam o que outros estudos de opinião indicam: os eleitores consideram que Biden está demasiado velho e cansado, aos 81 anos, para conseguir terminar um segundo mandato e não reconhecem os resultados económicos que a Casa Branca considera serem positivos.

Esta semana, vários ‘media’ norte-americanos noticiaram que o cenário de Michelle Obama vir a ser colocada nas primárias democratas está a ser encarado com seriedade entre os republicanos, que se preparam para esse cenário.

Roger Stone, conselheiro político de longa data de Donald Trump, escreveu numa sua coluna que os republicanos devem encarar essa hipótese e preparar-se para combater a popularidade que a mulher de Barack já provou ter conseguido junto do eleitorado, em particular das minorias, que constituem um setor importante para uma vitória presidencial.

E.U.A.

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