Eletricidade sobe no regulado em janeiro, mas contratos indexados não escapam. Compensa mudar para o livre?

ECO - Parceiro CNN Portugal , Jéssica Sousa
31 out 2023, 07:19
Eletricidade (EPA)

Com os preços no regulado a subirem em janeiro, e a propósito do Dia Mundial da Poupança, veja quais os fornecedores de eletricidade mais competitivos do mercado

No dia de 1 janeiro de 2024, os preços da eletricidade no mercado regulado vão subir. A subida será de 1,9%, face a dezembro de 2023, mas é expectável que alguns clientes do mercado livre também vejam aumentos logo na primeira fatura do novo ano. A causa? A subida das Tarifas de Acesso às Redes (TAR).

Em julho, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) anunciou uma revisão em alta das TAR, uma das componentes da fatura da eletricidade paga por todos os consumidores, quer estejam no mercado livre, quer seja no regulado. Na altura, o regulador explicou que a alteração acontece depois de a entidade ter anunciado, em abril, que verificou um desvio acentuado entre as suas previsões de preço no mercado grossista e os preços reais que foram praticados e que, para evitar um desequilíbrio das contas, iria proceder a uma correção excecional nas tarifas de acesso.

“O desvio contabilístico foi tão evidente que a ERSE propôs uma alteração extraordinária das TAR a meio de 2023. Ainda assim, não foi suficiente para evitar um défice tarifário anual de 1,1 mil milhões de euros que será agora pago em parte com o aumento das TAR”, explica Gonçalo Aguiar, engenheiro eletrotécnico, ao Capital Verde.

Na prática, e segundo as contas da ERSE, um aumento de 1,9%, traduzir-se-á no seguinte: para um casal sem filhos, com uma potência contratada de 3,45 kilovoltampere (kVA) e um consumo anual de 1.900 killowatt-hora (kWh), a fatura vai ficar, em média, mais 61 cêntimos mais cara passando a pagar cerca de 37 euros por mês. Já um casal com dois filhos, com uma potência contratada de 6,9 kVA e um consumo anual de 5.000 kWh, a fatura ao final do mês rondará os 94 euros, mais 1,66 euros.

Portanto, nos consumidores no mercado regulado, fica evidente a subida de preços. Mas e os contratos no mercado livre?

Para já, os comercializadores de energia ainda não sinalizaram aumentos, mas as atualizações da ERSE não afetam exclusivamente os clientes no mercado regulado, na medida em que a evolução das TAR também é refletida no preço da eletricidade comercializada no mercado livre.

Segundo as contas do engenheiro eletrotécnico, a subida das TAR contribuirá para um avanço na fatura os consumidores no mercado livre. Para os consumidores domésticos nesta modalidade, as TAR subirão em média 7,85 cêntimos por quilowatt-hora (cent/kWh) em relação a 2023. Na tarifa simples, a mais utilizada pelos consumidores domésticos, a TAR passará de um valor negativo de 5,4 cents/kWh para até 2,45 cents/kWh em 2024.

Ainda assim, os que sentirão os maiores aumentos serão os contratos indexados ao mercado grossista, isto é, contratos nos quais o montante a pagar por kWh varia todos os dias, dado que a fatura é calculada com base na média de valores diários.

“O aumento das TAR será sentido de imediato em janeiro de 2024 pelos consumidores com contratos indexados ao mercado grossista”, prevê Gonçalo Aguiar, recordando que, estes contratos beneficiaram, no primeiro trimestre de 2023, de TAR negativas. Por outras palavras, a TAR negativa compensou, em certas situações, o preço total da energia no mercado.

Segundo as contas do mesmo, considerando os preços da energia nos mercados futuros, a subida da TAR implicará uma subida da tarifa simples de baixa tensão nos contratos indexados de 13,9 cents/kWh (final de 2023) para 17,6 cents/kWh (janeiro de 2024), o que significa um aumento estimado de 26%. Nesses casos, prevê Aguiar, “é imperativo que os consumidores com este tipo de contratos reavaliem a sua situação e ponderem alterar o tipo de tarifa”.

Regulado ou livre? Qual compensa mais para já?

No último Boletim das Ofertas Comerciais de Eletricidade publicado pela ERSE, referente ao terceiro trimestre, a entidade chegou à conclusão que, na comparação entre a oferta mais competitiva do mercado livre e a oferta do mercado regulado, o mercado liberalizado pode conferir maiores poupanças face aos preços estipulados pela ERSE. Em termos relativos, as poupanças anuais no mercado liberalizado podem representar entre 32% e 42% face à oferta de eletricidade no mercado regulado.

Mas nem todas as ofertas no mercado livre beneficiam o consumidor. Por exemplo, os consumidores tipo 1 — casal sem filhos, 1.900 kWh de consumo anual e potência contratada de 3,45 kVa) — e tipo 2 — (casal com dois filhos, consumo anual de 5.000 kWh e uma potêcia contratada de 6,9 kVa) — tinham no terceiro trimestre 16 ofertas inferiores à tarifa regulada.

Já o consumidor tipo 3 — casal com quatro filhos, consumo anual de 10.900 kWh e 13,8 kVa de potência contratadas — tinha à disposição 17 comercializadores com ofertas mais competitivas do que a tarifa regulada, no mesmo período.

Recorrendo ao simulador de comparação de preços disponibilizado pela ERSE, para um qualquer tipo de consumidor que pretenda uma tarifa simples e retirando as ofertas condicionadas ou com fidelização, a Iberlectra – Solução Família surge como a oferta atualmente mais barata, custando 26,5 euros por mês para um casal, 66 euros para um casal com filhos e 144,75 para um casal com quatro filhos.

 

Feitas as contas, atualmente, as tarifas no mercado livre compensam na carteira dos consumidores. No entanto, antes de decidir mudar de fornecedor o consumidor deve ter em conta que os resultados de uma simulação variam ao longo do tempo, sendo conveniente verificar com frequência para assegurar a melhor oferta.

Por estes motivos, o consumidor deve, sempre que possível, fazer a simulação com os seus dados atuais de consumo e com os preços que está atualmente a pagar pela energia, para perceber se de facto há ofertas mais baratas no mercado à sua disposição.

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