Brasil: Um triunfo da democracia e um Governo de centro, diz Chatham House

Agência Lusa , DCT
5 nov, 08:49
O discurso de vitória de Lula da Silva

O analista deste renomado Think Tank relembrou ainda que, apesar da vitória de Lula, Bolsonaro perdeu apenas por cerca de dois milhões de votos, numa “eleições apertadas”

Os analistas do Think Tank Chatam House consideram que a vitória nas presidenciais de Lula da Silva foi “triunfo das instituições democráticas” e que o seu Governo deverá governar mais ao centro.

“Um alívio e o triunfo das instituições democráticas, as eleições foram certificadas como livres e justas”, resumiu assim Christopher Sabatini, especialista para os assuntos da América Latina da Chatam House.

Christopher Sabatini sublinhou ainda que, apesar do Presidente em exercício, Jair Bolsonaro, “não ter reconhecido os resultado disse que iria haver uma transição” e procurou acalmar os ânimos e apelar para que parassem as manifestações que bloquearam centenas estradas do país

“Para já está a jogar dentro das regras”, frisou.

Na quarta-feira, o Presidente brasileiro procurou acalmar os ânimos e apelou aos manifestantes que o apoiam para pararem de bloquear estradas pelo país, uma ação que se iniciou na madrugada de segunda-feira por considerarem que os resultados das eleições presidenciais tinham sido fraudulentos.

 "Eu quero fazer um apelo a você, desobstrua as rodovias. Isso daí não faz parte, no meu entender, dessas manifestações legítimas. Não vamos perder nós aqui a nossa legitimidade", disse Bolsonaro, num vídeo gravado e partilhado nas redes sociais.

O analista deste renomado Think Tank relembrou ainda que, apesar da vitória de Lula, Bolsonaro perdeu apenas por cerca de dois milhões de votos, numa “eleições apertadas”.

“O bolsonarismo é um fenómeno real de conservadorismo”, disse, acrescentando que o líder brasileiro conseguiu definir uma agenda que agregou evangélicos (cerca de 30% da população) , contra a  antiglobalização e corrupção.

“Conseguiu juntar isso tudo com sucesso”, frisou.

Agora para governar, Lula terá obrigatoriamente de reunir uma grande coligação até porque o bolsonarismo saiu reforçado nas eleições gerais de 02 de outubro, tanto na Câmara dos Deputados como no senado, sendo agora a maior força política.

“Provavelmente vai governar mais ao centro do que o fez anteriormente” , apostou, acrescentando que já no próximo ano terá de enfrentar vários problemas económicos como a inflação e elevada dívida publica, mas que haverá espaço para o reforçou das políticas ambientais,  politicas fiscais sustentáveis e políticas sociais.

Na quinta-feira iniciou-se oficialmente o processo de transição que culminará em 01 de janeiro com a tomada de posse de Lula da Silva.

Nesta reunião acertada uma proposta de emenda à Constituição que autoriza as despesas acima do teto de gastos, já no orçamento negociado pelo Governo de Jair Bolsonaro, e assim continuar com o apoio mensal de cerca de 125 euros à população mais carenciada e outros apoios aprovados pelo Governo em exercício.

Já a diretora executiva de Sustentabilidade da Chatam House, Ana Yang, rejubilou-se pelo facto de a vitória de Lula da Silva serem “boas notícias para a Amazónia brasileira, biodiversidade e alterações climáticas”.

Lula da Silva, considerou, ao contrário de Bolsonaro - que removeu as regulamentações – irá reativá-las e aumentar o controlo sobre ‘o pulmão do mundo’.

Com 100% dos votos contados, Luiz Inácio Lula da Silva ganhou as eleições presidenciais de domingo por uma margem estreita, recebendo 50,9% dos votos, contra 49,1% para Jair Bolsonaro, que procurava um novo mandato de quatro anos.

Lula da Silva assumirá novamente a Presidência do Brasil em 01 de janeiro de 2023 para um terceiro mandato, após ter governado o país entre 2003 e 2010.

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