Viagens para a China devem registar forte recuperação em 2023

Agência Lusa , AM
14 dez 2022, 09:06
China (Associated Press)

Projeção da Academia de Turismo Chinesa diz ainda que rápido desmantelamento da política 'zero covid' resultou num aumento de 351% nas pesquisas por voos internacionais

O volume de viagens para a China vai registar uma “recuperação notável” em 2023, face à reabertura das fronteiras do país e ao reinício dos voos internacionais, indica um relatório divulgado esta quarta-feira pela Academia de Turismo Chinesa.

Embora a China continue a impor uma quarentena de oito dias a quem chega ao país oriundo do exterior, o rápido desmantelamento da política 'zero covid' resultou num aumento de 351% nas pesquisas por voos internacionais, de acordo com dados da agência de viagens Trip.com.

As autoridades chinesas devem abolir em breve a necessidade de quarentena para quem chega ao país e outras restrições, à medida que a doença se torna endémica em várias cidades chinesas.

Em 2019, o último ano antes da pandemia, a China registou 145 milhões de entradas. Em março de 2020, no entanto, o país encerrou as fronteiras quase totalmente, reduzindo em 98% o número de ligações aéreas ao exterior.

Nos últimos dias, a imprensa oficial começou a minimizar o risco da variante Ómicron através de artigos e entrevistas com especialistas, numa súbita mudança de narrativa que acompanha o relaxamento de algumas das medidas mais rígidas da política 'zero covid', que vigorou no país durante quase três anos.

As autoridades afirmaram que estão reunidas “as condições” para um ajustamento das medidas nesta “nova situação”, em que o vírus causa menos mortes, e anunciaram um plano para acelerar a vacinação entre os idosos, um dos grupos mais vulneráveis, mas ao mesmo tempo mais relutante em ser inoculado.

Isto ocorreu depois de protestos em várias cidades da China contra a estratégia 'zero covid'. Alguns dos manifestantes proclamaram palavras de ordem contra o líder chinês, Xi Jinping, e o Partido Comunista, algo inédito no país em várias décadas.

Embora tenha sido recebido com alívio, o fim da estratégia usada para tentar controlar a propagação da doença está a suscitar também preocupações.

Com 1.400 milhões de habitantes, a China é o país mais populoso do mundo. A estratégia 'zero covid' significa que a esmagadora maioria da população chinesa carece de imunidade natural. Pequim recusou também importar vacinas de RNA mensageiro, consideradas mais eficazes do que as inoculações desenvolvidas pelas farmacêuticas locais Sinopharm e Sinovac.

A remoção das restrições poderá desencadear uma 'onda' de casos sem paralelo este inverno, sobrecarregando rapidamente o sistema de saúde do país, de acordo com as projeções elaboradas pela consultora Wigram Capital Advisors, que forneceu modelos de projeção a vários governos da região, durante a pandemia.

Um milhão de chineses poderá morrer com covid-19 durante os próximos meses de inverno, de acordo com a mesma projeção.

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