Declarado estado de emergência porque "a crise climática está a pôr-nos à prova como a pandemia": aqui ao lado vai ser limitado o consumo de água - Catalunha

CNN Portugal , MJC
1 fev, 19:05
Seca na Catalunha, Espanha (AP)

Seis milhões de pessoas vão ser afetadas

A maior parte da Catalunha entra esta sexta-feira em estado de emergência devido à seca. Este é o nível mais grave estipulado pelo Plano Especial de Seca (PES) e em que as restrições mais severas são aplicadas à indústria, à agricultura e ao consumo doméstico das famílias. A emergência estender-se a Barcelona, ​​Girona e mais 200 municípios, que se juntam aos 37 de Girona e Tarragona, onde já estava em vigor. 

O anúncio foi feito esta quinta-feira pelo presidente da Generalitat, Pere Aragonès, em conferência de imprensa extraordinária. O presidente apelou aos cidadãos para que lutem juntos contra a seca, como aconteceu com a pandemia de covid-19: “A crise climática está a pôr-nos à prova como a pandemia”.

No total, seis milhões de pessoas vão ser afetadas, ou seja, 80% da população. Para já, têm de limitar o seu consumo a 200 litros por habitante por dia, além de continuarem a aplicar as restrições já em vigor, como a proibição de regar jardins, lavar o carro (exceto em estabelecimentos comerciais específicos que utilizam recirculação de água) ou encher as piscinas. 

Barcelona e toda a sua densa área metropolitana entram nesta fase de emergência pela primeira vez desde 2007. "Nunca enfrentámos uma seca tão prolongada desde que há medição de chuvas. Tivemos três anos em que não choveu como precisamos", disse o presidente. O abastecimento de todas estas 239 localidades em situação de emergência depende da Generalitat, responsável pela gestão das bacias internas, ao contrário das populações que são alimentadas pelo rio Ebro (incluindo a cidade de Lleida), unidades hidrográficas dependentes da Confederação Hidrológica, e onde a situação é melhor. Os reservatórios estão hoje em 15,8% e a situação vai agravar-se, uma vez que não há previsões de chuva a médio prazo. 

Seca na Catalunha, Espanha (AP)

O ministro da Ação Climática, David Mascort, anunciou na conferência de imprensa conjunta que se reune na segunda-feira com a ministra da Transição Energética, Teresa Ribera. Nessa reunião vai ser discutida uma hipotética transferência de água de outros territórios, caso seja necessária nos próximos meses: “As conversas com o ministério são fluídas. Certamente encontraremos a fórmula, se necessário (para tomar essa medida)", disse Mascort. Em dezembro, o Governo abriu a possibilidade de voltar a trazer água (como fez na seca de 2008) de barco antes do verão, caso as chuvas não cheguem.

O anúncio reavivou a tensão entre territórios como as Ilhas Baleares e Múrcia, relutantes em libertar água das suas centrais de dessalinização. Segundo Mascort, a ideia do Governo é que "se é preciso trazer água, não é tão importante de onde vem, mas sim o facto de que se for necessária água, a água virá".

O Executivo catalão definiu três fases para este estado de emergência: na primeira fase não podem ser consumidos mais de 200 litros por habitante por dia; um limite que cai para 180 litros na segunda; e 160 litros no terceira. O início de cada cenário é marcado pelo nível dos reservatórios. Além das medidas relativas ao consumo humano, a agricultura restringirá em 80% o uso de água para irrigação; a pecuária, 50%; e a indústria, 25%. Também não podem ser iniciados novos projetos que exijam uma utilização intensiva de recursos hídricos, tais como explorações agrícolas, planos urbanos ou turísticos. Tanto as piscinas como os centros desportivos deven cumprir os regulamentos de cada nível de emergência. Nas fases mais graves, qualquer tipo de centro desportivo deve fechar os chuveiros.

“Superaremos a seca e fá-lo-emos graças à colaboração, ao planeamento e a investimentos bem direcionados”, garantiu Pere Aragonès. No entanto, alertou, "estamos numa nova realidade climática em que secas são mais prováveis ​​e serão mais frequentes e mais intensas".

Já David Mascort apelou à calma: "Não vamos ficar sem água, mas teremos menos água", disse, referindo-se à capacidade de produzir água potável através de centrais de dessalinização e regeneração (que tornam potáveis as águas residuais).

As câmaras municipais que excedam os volumes médios estabelecidos enfrentam sanções, como já aconteceu com as localidades turísticas de Begur e Palau-Saverdera (Girona), multadas em 54 mil e 19 mil euros, respetivamente. Até agora foram abertos 100 processos contra municípios incumpridores.

Relacionados

Clima

Mais Clima

Mais Lidas

Patrocinados