Repórter fotográfico é a primeira vítima mortal da perseguição de Myanmar aos jornalistas

16 dez 2021, 11:56
Soe Naing (Reporters sans frontières)
Soe Naing (Reporters sans frontières)

Soe Naing morreu na prisão após 4 dias detido. Mais de uma centena de jornalistas já foram presos desde o golpe da junta militar

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A perseguição aos jornalistas movida pela junta militar que tomou o poder em Myanmar fez a primeira vítima mortal conhecida: um fotógrafo freelancer que estava detido desde 10 de dezembro acabou por morrer na prisão. 

Soe Naing foi preso quando fazia a cobertura da “greve silenciosa”, na cidade de Latha, onde a população deixou todas as ruas desertas em protesto contra a repressão do regime militar que tomou o poder em fevereiro. 

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Na data em que Naing foi detido celebrava-se o Dia dos Direitos Humanos. A família foi informada da morte na terça-feira. O fotógrafo era casado e tinha um filho. 

Tanto quanto se sabe, Soe Naing é o primeiro jornalista a morrer vítima da perseguição da junta militar à comunicação social. Mas mais de uma centena de profissionais de comunicação social já foram presos de forma arbitrária pelos militares golpistas. Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, cerca de metade foram entretanto libertados, mas ainda haverá 53 jornalistas detidos, na sua maioria simplesmente por estarem a exercer a sua profissão. 

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Esta semana, três jornalistas foram condenados pelos tribunais da junta militar a três anos de prisão, sob acusação de difundirem informações falsas. 

A comunicação social livre teve um enorme crescimento na última década em Myanmar, apesar de o anterior Governo, chefiado por Aung San Suu Kyi, ter introduzido reformas democráticas muito limitadas. Isso foi suficiente, no entanto, para o seguimento de inúmeros títulos de comunicação social. Um crescimento que o golpe de fevereiro está a por em risco. 

Os relatos oriundos de Myanmar, que chegam através de ONG e refugiados, dão conta de que muitos dos jornalistas independentes optaram por exercer o seu trabalho de forma clandestina ou anónima. A morte de Soe Naing veio confirmar o risco que estes profissionais correm sob o domínio da junta militar, que na semana passada condenou a anterior chefe do governo a quatro anos de prisão. 

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