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Estrela da Amadora-Benfica, 1-4 (crónica)

Rafael Vaz , Estádio José Gomes, Amadora
29 jan, 20:49

Águia sai viva da turbulência da Reboleira

Quase 15 anos depois, o Benfica voltou à Reboleira para a Liga: as equipas estão longe de serem as mesmas, naturalmente, mas o desfecho foi o mesmo: vitória na casa do Estrela da Amadora, desta feita por 4-1.

Na ressaca da desilusão de Leiria, na eliminação na meia-final da Taça da Liga frente ao Estoril, Roger Schmidt fez apenas uma mudança no onze encarnado: Petar Musa, cuja possível saída tem sido noticiada com insistência – nem esteve no banco – deu o lugar a Arthur Cabral.

Na formação da casa, porventura a atravessar uma das fases mais delicadas da temporada – são agora seis encontros sem vencer –, Sérgio Vieira fez duas alterações: Hevertton, suspenso, deu o lugar a Jean Filipe, ao passo que Aloísio Souza foi titular na vez de Pedro Sá.

Inércia e uma lei da vida

Se não se faz nada para mudar, nada mudará.

É a lei da vida, e pode muito bem aplicar-se a Roger Schmidt nesta fase da temporada das águias: na esquerda, Morato continua a ser uma adaptação, mesmo com Álvaro Carreras disponível no banco. O central esforça-se para atenuar a situação, mas é óbvio que não está confortável no papel que o técnico alemão lhe pede.

FILME E FICHA DE JOGO.

Não está confortável Morato e não está confortável João Mário, que fica órfão de um colega de corredor que se projete no ataque para poder fazer combinações, situação em que o internacional português é exímio.

O ataque posicional do Benfica é pouco criativo e muito estático: só mesmo com os rasgos individuais, principalmente através de Di María, o clube da Luz foi capaz de mostrar alguma coisa nos primeiros minutos da partida.

Se no ataque as exibições não têm sido brilhantes, a transição defensiva dos encarnados também continua sem convencer. João Neves não dá para tudo, a reação à perda está longe da qualidade de outrora, e por isso o Benfica sofre quando não tem a bola.

Sofre literalmente, diga-se. Foi num contra-ataque que o Estrela – já depois de um par de situações em que levou perigo à baliza de Trubin – abriu o marcador, por Léo Jabá. O número oito dos tricolores teve tempo para tudo, aliás.

Com talento, qualquer «clique» pode dar-se

Só que na turma da Luz o talento abunda, e mesmo sem um coletivo a funcionar, a qualquer momento pode dar-se o «clique» da águia. Ou pode dar-se, ou alguém pode dar.

Cerca de um quarto de hora após o 1-0, Di María descobriu Arthur Cabral com um passe magistral e o avançado brasileiro respondeu à altura, com um golaço de bicicleta.

Estava dado o «clique», que voltou a ser pressionado logo a seguir: novamente Di María e Arthur no lance, o brasileiro deu em Rafa e o avançado português fez, à meia-volta, a reviravolta.

Sem ter sido brilhante, muito longe disso, o Benfica chegou ao intervalo em vantagem.

Por opção ou questões físicas, Roger Schmidt tirou Orkun Kökcü ao intervalo – o turco até nem estava a fazer um mau jogo – e pôs Florentino. E começou um novo jogo.

Florentino, um novo jogo com o português

Com bola o médio português está longe de oferecer o que oferecer por exemplo Kökcü e João Neves, mas no trabalho defensivo, não há quem lhe chegue aos pés neste plantel. E numa fase em que o coletivo não funciona tão bem mesmo defensivamente, Florentino é um luxo do qual Schmidt não pode abdicar.

As águias passaram a controlar melhor o jogo, sem permitir grandes aventuras do Estrela à baliza de Trubin, e ainda fizeram o 3-1 que permitir encarar o resto dos minutos com outra confiança: foi Otamendi, ao minuto 53, a festejar, depois de cabeceamento à barra de Arthur – esteve em todos os golos.

A história da partida ficou praticamente fechada aí: o Benfica pôs-se confortável, teve até algumas oportunidades para dilatar o resultado, e conseguiu-o: Neres assistiu Marcos Leonardo e o jovem avançado fez o terceiro golo de águia ao peito, já nos descontos.

Do outro lado, o Estrela até acabou reduzido a dez unidades – Reges foi expulso após uma falta precipitada sobre João Neves, ao minuto 71 –, e só por mais uma vez incomodou Trubin.

O Benfica passou alguns minutos de turbulência, mas sai com duas boas notícias da Reboleira: os três pontos e o regresso de Bah, três meses depois, ele que é o único lateral-direito de raiz do plantel – Rollheiser também se estreou.

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