Quando nascem, os bebés são mais espertos do que se julga e fazem muito mais do que comer e dormir. Afinal, em que é que eles estão a pensar?

15 ago, 12:00
Bebé

Os recém-nascidos não são apenas uma folha em branco, pronta a absorver o que se quiser escrever nela

Já deu por si a pensar no que pensa o seu bebé quando sorri para si? Já se questionou sobre o que ele realmente sente quando chora ou quando o pega ao colo? Sabia que o carinho que lhe dá é um verdadeiro alimento para os seus neurónios?

Os cientistas sabem, hoje em dia, que um bebé, quando nasce, faz muito mais do que comer e dormir. Sabe-se que, desde a gravidez até aos dois anos, ocorre o período em que se dá a maior criação de neurónios. Calcula-se que, aos 12 meses, um bebé tenha o dobro das conexões cerebrais de um adulto. 

À medida que vão crescendo e vão surgindo mais neurónios e mais ligações cerebrais, outras que se tornaram desnecessárias vão sendo eliminadas. É a chamada “poda cerebral”. De acordo com a neuropediatra Mónica Vasconcellos, do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra, isto faz com que o cérebro do bebé seja de uma “enorme plasticidade”. Ou seja, o bebé já sabe muito, mas pode aprender muito mais.

A velocidade a que o surgimento de novas ligações cerebrais ocorre no primeiro ano de vida é enorme e torna o cérebro do bebé numa autêntica esponja, algo quase mágico.

“Saber o que os bebés pensam é sempre difícil. Mas podemos tentar adivinhar através das coisas que vão sendo capazes de fazer e das competências que vão adquirindo”, explica o pediatra neonatologista Fernando Chaves.

Uma viagem pelo primeiro ano de vida

O especialista guia-nos numa viagem pelo desenvolvimento dos bebés no primeiro ano de vida para nos ajudar a desvendar o mistério: “até um mês de vida é mesmo muito difícil avaliar o que lhes passa pela cabeça. Avaliamos o bem-estar do bebé pelo seu tónus muscular, pelo seu peso, etc. Calcula-se que pense nas suas necessidades básicas, como fome e eventuais dores que sinta”.

A partir daqui e à medida que cresce a interação do bebé com o mundo que o rodeia, vai-se tornando mais fácil adivinhar o que lhes vai na cabeça.

- A partir do primeiro mês, o bebé desenvolve o chamado sorriso social. “Já sorri para os pais, por exemplo. E isso pode indicar que sente segurança, bem-estar ou conforto de cada vez que o faz”, adianta Fernando Chaves.

- A partir do segundo mês, o bebé começa a palrar, muitas vezes em resposta a estímulos dos pais ou dos cuidadores. A segurança, o bem-estar e a sensação de conforto será, mais uma vez, o que lhes passa pela cabeça. Seja para as pedir ou para mostrar que as sente, serão, mais uma vez, as sensações mais básicas que lhe passam pela cabeça.

“O bebé fala muito com os olhos. Não só a fixação, mas o próprio brilho no olhar diz muito aos pais acerca do que sente e pensa”, sublinha o pediatra.

- Aos quatro meses, “temos um bebé muito mais interativo, que segura bem a cabeça”. Isso, de acordo com o especialista, mostra ligações cerebrais e pensamentos mais elaborados. A partir desta altura, já surge, por exemplo, a necessidade de descoberta, demonstrada pela tentativa de segurar um objeto, quando lho apresentamos.

Nesta altura, é um bebé que começa já a sentir alguma empatia, capacidade de receber e alegria. “Já dobra o riso. É capaz de dar gargalhadas. E isso mostra-nos que sente prazer. Mas é também um bebé que já é capaz de exercer alguma manipulação: por exemplo, chora se quer colo e cala-se quando o seguramos. Nesta altura, é importante dar muito mimo e muito carinho, mas dar também espaço ao bebé para se sentir frustrado. A frustração é fundamental no crescimento emocional do indivíduo”, adianta Fernando Chaves.

- Aos seis meses, temos um bebé mais desenvolvido do ponto de vista motor: “vai buscar objetos que lhe interessam e leva à boca. Usa a boca para descobrir o meio que o rodeia.” Demonstra-nos que sente curiosidade, satisfeita com o ato de pegar no objeto e de o levar à boca.

“Nesta altura, já pensará: ‘o que é isto? Vou sentir esta textura!”, adivinha o pediatra.

- A partir dos nove meses, os bebés começam a ter alguma motricidade fina. Têm alguma autonomia de movimento. Alguns até já gatinham. “Já têm capacidade de ir buscar o que gostam, vão ter com os pais, com os irmãos mais velhos”, explica Fernando Chaves, que adianta que, nesta altura, o bebé demonstra necessidade de atenção e de descobrir coisas novas.

“É também nesta altura que começam a estranhar as pessoas, começam a ter a sensação do medo. Mesmo com familiares que já não vêm há algum tempo, muitas vezes choram. A criança deve ser conquistada, olhando nos olhos, pegando nas mãos…”, alerta o especialista.

Fernando Neves diz ainda que, depois dos nove meses, é normal o bebé começar a não gostar do que não conhece e a demonstrá-lo.

Por esta altura, o bebé já será capaz de olhar para a sua mãe e pensar: “Olha, esta é a minha mãe!”.

- Aos 12 meses, alguns bebés já verbalizam. “Já dizem algumas palavras. Dizem mãe quando olham para a mãe, olá associado à chegada, adeus associado à partida. Já estabelecem bastantes conexões”, explica.

Se aos nove meses associam mentalmente a mãe ao conceito, aos 12 meses já verbalizam “esta é a minha mãe”.

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