Banco de Inglaterra sobe taxas de juro pela 14.ª vez consecutiva para 5,25%

ECO - Parceiro CNN Portugal , Luís Leitão
3 ago 2023, 17:50
Andrew Bailey, Governador do Banco de Inglaterra, a 2 de fevereiro de 2023 Foto Yui MokPool via AP

A subida da taxa de juro em 25 pontos base por parte do Banco de Inglaterra coloca a taxa no valor mais elevado dos últimos 15 anos

Banco de Inglaterra anunciou esta quinta-feira a 14.ª subida consecutiva das taxas de juro — um aumento de 25 pontos base. Com esta decisão, que era esperada pelo mercado, a taxa de juro da libra passa para 5,25%, o valor mais elevado dos últimos 15 anos.

A decisão anunciada esta quinta-feira pelo regulador britânico segue a linha do Banco Central Europeu (BCE) e da Reserva Federal norte-americana (Fed) que, na semana passada, também subiram as respetivas taxa de referência em 25 pontos base, com o intuito de trazer a inflação para a meta dos 2%.

Atualmente, nos EUA, as Fed Funds estão no intervalo 5,25%-5,50, o valor mais elevado desde 2001, e, na Zona Euro, a taxa permanente de depósito está nos 3,75%, o valor mais elevado dos últimos 22 anos, e as taxas de juro aplicáveis às operações principais de refinanciamento e de facilidade permanente de cedência de liquidez estão nos 4,25% e 4,50%, respetivamente.

A decisão do Banco de Inglaterra foi fortemente justificada pelo comportamento da inflação no Reino Unido que chegou a atingir máximos de 41 anos quando bateu nos 11,1% no ano passado, e tem descido mais lentamente do que noutros países, abrandando para 7,9% em junho, o valor mais elevado entre as grandes economias. No entanto, Andrews Bailey, governador do Banco de Inglaterra, sublinha que “a boa notícia é que a inflação está a abrandar” e que “deverá descer ao longo deste ano.”

“A inflação medida pelo Índice de Preços no Consumidor (IPC) mantém-se muito acima do objetivo de 2%”, lê-se no comunicado do Banco de Inglaterra, com os membros do regulador britânico a preverem que a inflação “continue a descer significativamente, para cerca de 5% até ao final do ano, devido a uma menor inflação dos preços da energia e, em menor grau, dos produtos alimentares e dos bens de base. No entanto, prevê-se que a inflação dos preços dos serviços permaneça elevada, próxima da sua taxa atual, a curto prazo.”

Em comunicado, o Comité de Política Monetária revela que continua a considerar que os riscos em torno da previsão modal da inflação estão enviesados no sentido ascendente, “embora menos do que em maio, refletindo a possibilidade de os efeitos de segunda ordem dos choques dos custos externos sobre a inflação nos salários e nos preços internos demorarem mais tempo a desaparecer do que demoraram a surgir.” O Banco de Inglaterra nota que “a inflação média medida pelo IPC, que incorpora estes riscos, é de 2,0% e 1,9% nos horizontes de dois e três anos, respetivamente.”

Entre as variáveis que mais têm puxado pelos preços no Reino Unido, o Banco de Inglaterra aponta o dedo aos aumentos salariais. “Alguns indicadores-chave, nomeadamente o crescimento dos salários, sugerem que alguns dos riscos decorrentes de pressões inflacionistas mais persistentes podem ter começado a cristalizar-se“, destaca o Banco de Inglaterra. “Muito dependerá do que se passar no mercado de trabalho e da evolução dos salários“, em relação à inflação, refere Bailey no decorrer da conferência de imprensa, não deixando de sublinhar de que “há sinais de que o mercado de trabalho está a ficar mais flexível e que isso irá facilitar a remuneração salarial.”

Tal como tem feito o BCE e a Fed, o Banco de Inglaterra foi também, mais uma vez, muito claro sobre o seu papel, notando que a política monetária que continuará a ser seguida pelo Banco de Inglaterra “assegurará que a inflação do IPC regresse ao objetivo de 2% de forma sustentável a médio prazo”, sinalizando também a permanência das taxas de juro elevadas por um período mais longo do que era anteriormente esperado. E, nesse sentido, Bailey salientou que “a política monetária necessita de continuar a ser restritiva suficiente durante o tempo necessário até baixar a inflação até ao objetivo de 2%.”

O Banco de Inglaterra revela ainda que na reunião que terminou a 2 de agosto, “o Comité de Política Monetária votou por maioria de 6-3 no sentido de aumentar a taxa de juro do banco em 0,25 pontos percentuais, para 5,25%. Dois membros preferiram aumentar a taxa bancária em 0,5 pontos percentuais, para 5,5%, e um membro preferiu manter a taxa bancária em 5%.”

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