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Colunista e comentador

O sexo da Jennifer Lopez e o ‘sexo dos anjos’ no futebol nacional

27 abr, 16:50
Hugo Miguel

Três, dois, um, zero…

Quantos penáltis a favor do FC Porto ficaram por assinalar em Braga?

Há opiniões para tudo: 0, 1, 2 ou 3 (honestamente 3, só a máquina de comunicação do FC Porto), mesmo entre aqueles que, num determinado momento das suas carreiras, estiveram ‘lá dentro’, como árbitros, a dar o corpo e a alma pela função que abraçaram, na maior parte dos casos, antes do advento do profissionalismo na arbitragem.

São os chamados ‘especialistas’ e formam quase um ‘onze’ na comunicação social: JORGE COROADO, JOSÉ LEIRÓS, FORTUNATO AZEVEDO (‘Jogo’), JORGE FAUSTINO (Record/Sport TV), MARCO FERREIRA (Record/Sport TV), DUARTE GOMES (Bola/SIC), PEDRO HENRIQUES (CNN PT e Observador), RUI RODRIGUES (Sport TV) e MARCO PINA (CMtv).

Há ainda os casos de ex-árbitros que se prestam a servicinhos sem qualificação nas televisões de clubes, como são os casos de  ANTÓNIO ROLA (Btv) e CARLOS DUARTE (Porto Canal), este a substituir ANTÓNIO PERDIGÃO, que pagou o preço de não ser exactamente o típico porta-voz da ‘nomenclatura’.

O caso de ANTÓNIO ROLA é particularmente grave, porque a BTV é um dos operadores de jogos da I Liga e, sendo afecto à ‘nomenclatura’, por uma questão de conflito de interesses e de defesa do produto, deveria estar impedido de exibir a sua protecção à entidade que lhe paga.

Não é, obviamente, nada de pessoal contra ANTÓNIO ROLA, que escolheu este caminho para se safar, mas em Portugal as pessoas têm de começar a perceber e a aceitar que há coisas que, por princípio, não podem nem devem acontecer, contra a regra de que neste País pode valer tudo, mesmo aquilo que provoca entorses numa indústria que deveria ter gente a proteger a sua integridade.

E RUI COSTA, se quer marcar alguma diferença no Benfica, em relação ao passado, agora na posse formal de uma liderança que pode e deve exercer, deveria olhar para isto sem contemplações.

Estamos fartos do futebol dos chicos-espertos e de propaganda encomendada - e assim nunca mais vamos a lado nenhum.

A Liga e a FPF deveriam ter um papel regulador nestas matérias tão importantes para a defesa deste produto, mas a Liga está engessada e o seu presidente, PEDRO PROENÇA, não tem condições nem mostra sinais de querer romper com este regime do ‘vale tudo’.

Já chega de faz-de-conta.

Entre ex-internacionais e ex-árbitros sem qualquer relevância nacional (muitos eram desconhecidos do grande público), os chamados ‘comentadores de arbitragem’ transportam memórias, vivências e histórias mais ou menos proibidas, uns terão ambições directivas, outros estarão ultrapassados, mas todos — mesmo sendo considerados ‘especialistas’ — não conseguem ultrapassar a diferença de olhares e opiniões em relação aos lances de interpretação.

Como agora voltou a acontecer, no que diz respeito às análises ao SC Braga-FC Porto (1-0):

2 penáltis (por assinalar): JORGE COROADO, JOSÉ LEIRÓS, FORTUNATO AZEVEDO

1 penálti:   PEDRO HENRIQUES, DUARTE GOMES, JORGE FAUSTINO, MARCO PINA

0 penáltis: MARCO FERREIRA

Dei a minha opinião no “RUI SANTOS EM CAMPO”, em cima da hora, antes de conhecer a visão dos ex-árbitros e ela coincide com a de quem considerou a existência de 1 penálti - o lance, aos 3 minutos, no qual Matheus foi imprudente e derrubou Evanilson.

Isto para se perceber que árbitros ou ex-árbitros têm diferentes opiniões sobre os lances; que a tolerância tem de ser maior e uma coisa não pode acontecer: as decisões serem tomadas por força das pressões dos clubes. E isto é inaceitável, sejam elas oriundas do FC Porto, do Sporting, do Benfica, do SC Braga ou de outro clube qualquer.

Esta indecência tem de acabar!

Isto para introduzir o tema do dia:  o relatório do árbitro HUGO MIGUEL e as queixas tornadas públicas pela ‘comunicação’ do FC Porto, segundo a qual o juiz lisboeta teve palavras menos adequadas para os intervenientes, mostram bem como o rei vai nu.

Cada vez são maiores as evidências, mas continuam quase todos a fazer de conta que “isto faz parte do futebol”. Não faz. E quando faz há consequências: as multinhas em Portugal e este regime de condescendência perante comportamentos que não são tolerados em mais nenhum país civilizado, deviam fazer corar de vergonha todos aqueles que presidem a órgãos cujo grau de eficácia é praticamente igual a zero.

Os árbitros não sabem utilizar a força que têm?  Verdade.

Os árbitros cometem, às vezes, erros do arco-da-velha? Verdade.

Os árbitros satisfazem-se apenas com os comunicados da APAF, não denunciando situações (invisíveis) de tentativa de condicionamento? Verdade.

Houve situações de ‘visitas’ a centro de treinos que não tiveram a resposta adequada? Verdade!

Há árbitros que não são capazes de se manter firmes no seu exercício de autoridade, evitando responder aos protagonistas, como parece ter sido agora o caso de HUGO MIGUEL, embora sem a dimensão que alguns lhe querem dar? Verdade.

O problema é que, dando-se as voltas que se queiram, não é fácil ser-se prior de uma freguesia destas quando o comportamento nos ‘bancos’ ultrapassa tudo o que razoável e, no final dos jogos, sempre que os resultados não são os desejados, monta-se uma espécie de ‘cerco’ absolutamente inaceitável.

Numa Liga a sério, que não estivesse prisioneira dos donos disto tudo, já se tinha arranjado uma solução para proibir o aceso de magotes de credenciados ao relvado no final dos jogos.

Vocês estão a ver PEDRO PROENÇA abordar PINTO DA COSTA nesse sentido?

Estão a rir-se, não estão?

Vemos, de vez em quando, cenas destas noutras Ligas? Aqui e ali, sim. Mas não nesta constância. E porquê? Porque aqui as más práticas repetem-se, a Liga e a FPF estão refugiadas nos seus bunkers de luxo, e não saber perder é igual a não saber ganhar. E gera-se uma dinâmica de réplica destas cópias, do Porto para Lisboa e de Lisboa para o Porto, que torna o futebol português num lugar muito mal frequentado.

Já que os tugas são tão engenhosos a arranjar escapatórias para tudo, não haverá uma forma de exportar este dirigismo desportivo e ganhar dinheiro com essa exportação? É só uma ideia.

Tem de haver saída para isto, mesmo que PEDRO PROENÇA, FERNANDO GOMES, CLÁUDIA SANTOS, JOSÉ FONTELAS GOMES não revelem sinais de quererem sair deste espartilho de forças que consentidamente os sufoca.

Se a JENNIFER LOPEZ impôs a BEN AFFLECK, no seu contrato pré-nupcial, a prática de relações sexuais quatro vezes por semana, já se vê, neste tempo de tantos desamores, que há coisas que “só-lá-vão por decreto.

E é aqui que deveria entrar o Governo para determinar o sexo destes anjos e de outros.

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