"A dentada de um gato dói mais do que uma dentada de uma cobra". Cobras, cães, burros, peixes e até aranhas: o importante é cada pessoa encontrar o "seu" animal de estimação

27 jan, 15:00

José diz que não há nada mais tranquilizante do que ficar a olhar para o seu aquário, João e Inês fazem criação de "animais únicos no país". Este fim de semana realiza-se o Pet Festival, em Lisboa, onde é possível ficar a saber tudo sobre todos os animais de estimação

Quando era pequeno, Tiago Oliveira era daqueles miúdos que andava sempre pelo campo e nos canteiros à procura de animais. Levava para casa "cobrinhas, escorpiões, isópodes, camaleões, tudo o que conseguisse apanhar", embora a mãe depois não o deixasse manter os bichos. Assim que teve idade, arranjou uma cobra. A primeira. E tornou-se uma paixão. Tiago é o responsável pela Reptimundo, uma loja online especializada em répteis, e garante que há cada vez mais pessoas a quererem ter uma cobra, um lagarto ou até mesmo um aracnídeo como animal de estimação. "Não são animais que reconheçam os donos, não são animais para brincar. Normalmente são animais de contemplação", explica. 

Quem tiver dúvidas deve visitar o stand da Reptmundo no Pet Festival - Festival das Famílias e dos Animais de Estimação, que decorre até domingo na Feira Internacional de Lisboa (FIL), no Parque das Nações, em Lisboa. Além de vender e dar todas as informações sobre estes animais, o stand tem também uma secção onde os visitantes podem segurar em cobras de diferentes tamanhos assim como noutros animais, como um camaleão, e tirar fotografias. Tudo na maior segurança: "Nós temos medo porque a sociedade nos incute esse medo, as cobras não são más", garante Tiago Oliveira. "Qualquer animal pode atacar, se for um animal nervoso pode morder para se proteger, mas não vai atrás de nós, só morde quando se sente encurralado", explica. E vai ainda mais longe: "A dentada de um gato dói mais do que uma dentada de uma cobra."

Como qualquer outro animal, uma cobra pode custar 20 euros ou milhares de euros. "O investimento inicial pode ser um bocadinho mais elevado porque é preciso montar o terrário, de acordo com o habitat de que o animal é proveniente. Pode ser mais desértico ou mais tropical. Pode precisar de aquecimento e, dependendo do tipo de animal, pode ser necessária iluminação ultra-violeta. Mas é a oportunidade de ter um pedaço de natureza em casa", argumenta Tiago Oliveira.

Um lugar para os animais serem felizes

João e Inês são um casal apaixonado por animais e também são "um pouco loucos". Ele trabalha em marketing digital, ela é médica, mas, há oito anos, decidiram concretizar um sonho comum e criar a Quinta Silfrohn (o nome é feito com a junção dos apelidos de ambos), que é um santuário animal que tem como lema "liberdade, harmonia e respeito". Situada perto de Azeitão, esta quinta é também a casa de João e Inês e o local onde eles, por um lado, fazem criação de alguns animais e, por outro, recolhem animais que precisam de uma casa. Mas não de qualquer maneira, fazem questão de sublinhar.

"Fazemos criação de animais únicos no país, como por exemplo os pastores alemães de linhagem antiga e os burros e cavalos de miniatura americanos", descreve João, frisando que "não é criação pura e dura". "Acreditamos que criar por criar é errado, deve haver princípios e formas de o fazer bem. Somos totalmente a criação desenfreada de animais por dinheiro, nenhum dos nossos animais é forçado a procriar", garante. João e Inês fazem questão de conhecer as famílias que querem comprar um cão, selecionar aquelas que lhes parecem adequadas e adaptar os cães ao agregado familiar. "Seguimos a vida do cão e mantemos a ligação com as famílias", diz João, elogiando estes animais que, apesar de serem cães com alguma dimensão, são " extremamente equilibrados e carinhosos". Já para ter um burro miniatura americano é preciso ter algumas condições de logística, porque são animais de quinta, mas João assegura que são "muito fáceis de tratar". "Eles estão no nosso jardim, mas entram pela cozinha adentro", conta, divertido. "São animais muito especiais."

A quinta é também um santuário de animais de grande porte e exóticos como lamas, póneis, cavalos, galinhas , cágados, répteis. "Tentamos acolhê-los mas escolhemos bem os animais que temos porque não podem estragar a harmonia da quinta", esclarece João. O espaço não está aberto ao público porque não querem "expor constantemente os animais" nem gostam "da ideia de o animal ser forçado a fazer algo", mas organizam algumas atividades, sob marcação. "Temos uma vertente social, pedagógica e científica. Acreditamos no equilibrar da balança, que é importante mostrar como os animais vivem, como devem viver, quem deve ter um animal. E por isso trabalhamos com lares de idosos, juntas de freguesia e câmaras para proporcionar alguns momentos lúdicos e de terapia com idosos e pessoas com necessidades especiais. E também temos parcerias com universidades para que os futuros veterinários possam contactar com os animais. Gostaríamos de ajudar a moldar as jovens mentes que um dia vão ser profissionais, para perceberem que um veterinário tem de tratar o animal mas também tem de dar atenção à família, apelando ainda a que não percam o sentido de humanidade quando entram no mundo dos negócios."

No Pet Festival, além dos cães também é possível ver lamas, alpacas, suricatas, burros e cavalos miniatura americanos. João e Inês estão aqui sempre a sensibilizar as pessoas para a importância de tratar bem os animais e também terão algumas sessões terapêuticas com grupos de idosos. "Os sorrisos das pessoas quando têm oportunidade de estar com os animais vale tudo", diz João.

João e Inês, da Quinta Silfrohn

No Pet Festival estão presentes as principais marcas relacionadas com alimentação e tratamento de animais domésticos, associações ligadas aos animais e outras instituições, como a Guarda Nacional Republicana e os Sapadores Bombeiros. Além de espaços de venda e de divulgação, há uma programação de palestras, workshops e possibilidade de contacto com diferentes animais. Por exemplo, no fim de semana há concursos de caninos e felinos. E os visitantes podem experimentar montar um cavalo.

Um dos espaços que logo na abertura suscita o interesse dos mais novos é o enorme fluviário com peixes de todas as cores e tamanhos. Logo ao lado, fica o stand onde é possível comprar alguns peixes. Gonçalo Cardoso e José Fortunato explicam a quem por ali passa tudo o que é preciso saber sobre os "bettas", os mais populares peixinhos coloridos: "Antes de comprar um peixe é importante que as pessoas se informem, que pesquisem. Aquela ideia de que um aquário é uma bola de vidro com água é completamente errada", avisa Gonçalo Cardoso. "Cada espécie tem os seus cuidados. Já sabemos que a água da torneira não é aconselhável, que é sempre preciso aquecer a água para estar a uma determinada temperatura, que é preciso limpar os aquários, ter filtro, uma bomba de oxigénio... As pessoas queixam-se que os peixes morrem muito, mas morrem por falta de cuidados adequados."

Para começar, basta um peixe e um pequeno aquário. Mas, à medida que o gosto por estes animais cresce, a maioria das pessoas começa a comprar aquários maiores, a juntar mais peixes, a tentar ter vegetação. "O mais importante é recriar ao máximo o ambiente natural daquelas espécies, não tem de ser bonito. Mas é óbvio que as pessoas gostam de ter aquários bonitos. A imaginação é o limite", acrescenta José Fortunato. "Estes são peixes que não gostam de muita luz, que gostam de estar no meio das plantas."

Se há pessoas que gostam de brincar com os seus cães, José e Gonçalo preferem a tranquilidade de cuidar dos aquários. "Chegar a casa ao final do dia e só ficar a olhar para o aquário já é uma forma de acalmar, é como uma terapia, devido ao barulho da água a cair e ao facto de ser um ambiente natural. E depois é um hobby, é preciso verificar os peixinhos, tratar dos aquários, tudo tem de ser feito com muito cuidado. É super relaxante."

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