ADSE vai pagar mais privados, mas valor não cobre inflação. “Companhias na área da saúde estiveram a subsidiar o Estado”

24 jan, 14:18

Em cerca de um ano é a segunda vez que os preços pagos aos privados pela ADSE vão aumentar, noticiou esta terça-feira o jornal Público

A associação de hospitalização privada pediu ao governo uma atualização das tabelas, que justifica com o impacto da inflação em 2022.  O Executivo deu luz verde ao pedido, mas os hospitais privados dizem que as novas tabelas chegam com quase um ano de atraso. 

“Houve inação do Governo até este momento, diria que entre maio de 2022 e janeiro, houve aqui uma inação que claramente enfraqueceu as companhias portuguesas. A verdade é que nestes nove meses as companhias na área da saúde estiveram a subsidiar o Estado”, diz Óscar Gaspar, líder da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada.  

Porém, não se sabe quando é que os novos valores entram em vigor, nem foi divulgado de quanto será a atualização. A informação dada aos grupos privados de saúde é que a atualização a pagar será de 5% o que consideram que mesmo assim não cobre os custos.

“O que sabemos é que a inflação, em Portugal, em muitos meses rondou os 10%. O que é adequado da parte do governo é que os chamados preços regulados estejam adequados àquilo que é a realidade”, continua Óscar Gaspar.

Até agora, os funcionários públicos têm perdido o acesso comparticipado a hospitais, médicos e atos clínicos. Os grandes grupos de saúde como o Hospital da Luz, a CUF ou os Lusíadas têm retirado muitas consultas de especialidade, exames e cirurgias que tinham convenção com a ADSE. 

Desde 2014 que a ADSE não é financiada pelo Orçamento do Estado. Só com os descontos feitos pelos funcionários públicos este sistema de saúde já criou um excedente, nos últimos três anos, de 500 milhões de euros. Mas há estudos que demonstram que em média a ADSE continua a pagar aos hospitais particulares abaixo dos valores pagos pelos seguros privados. 

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