Taxas Euribor já subiram mais de um ponto percentual – e isso já custa dezenas ou centenas de euros por mês. Veja quanto

15 ago, 13:20
Renegociar o contrato ou amortizar parte do empréstimo: as soluções para contornar a subida das Euribor

Mês após mês, taxas Euribor sobem e vão encarecendo as prestações dos créditos à habitação. Tendência é de que aumentem mais. Grão a grão, esvazia a galinha o papo.

As taxas de juro continuam a subir mês após mês, o que vai encarecendo as prestações mensais dos portugueses com créditos à habitação. Os efeitos vão chegando aos poucos, à medida que as prestações são revistas. Nos próximos meses, sentir-se-ão cada vez mais.

Nos primeiros 15 dias de agosto, a média da Euribor a 6 meses – a mais utilizada nos créditos à habitação em Portugal - foi de 0,714%. Em julho, a média havia sido de 0,466% e em junho de 0,162%.

Longe parecem ir os tempos das taxas negativas – mas foi só a 6 de junho (há pouco mais de dois meses) que a Euribor a 6 Meses passou a estar positiva, pondo fim a um longo período de cerca de seis anos abaixo do zero.

São apenas décimas, mas os efeitos sentem-se em euros. Em dezenas. Ou centenas. Por mês.

Euribor subiu mais de um ponto percentual este ano

Continuemos na taxa mais usada como indexante em Portugal. Desde o início do ano, a Euribor a 6 Meses subiu de -0,546% (a 31 de dezembro) para 0,745% (hoje). A variação é de mais 1,291 pontos percentuais em 2022.

No caso da Euribor a 3 Meses, a variação é de 0,911 pontos percentuais. E na Euribor a 12 Meses é de subida é de 1,659 pontos percentuais.

As taxas Euribor variam todos os dias (úteis), pois são taxas de mercado: simplificando, são as taxas a que os bancos comerciais emprestam dinheiro uns aos outros. Nos créditos à habitação de taxa variável (que são a maioria em Portugal), tipicamente os bancos cobram Euribor + spread. O spread é fixo ao longo do contrato, a Euribor oscila. 

A tendência é de que estas subidas não fiquem por aqui, uma vez que os bancos centrais em todo o mundo – incluindo o Banco Central Europeu – estão a aumentar as taxas de juro como medida para combater a inflação. De forma simplificada: quanto mais caro é o dinheiro, menos pessoas pedem crédito, logo menos consomem, assim baixando a procura. Com menos procura, baixa a pressão de aumentos de preços.

Quanto (lhe) custam as subidas das taxas

Continuemos com a Euribor a 6 Meses: se a taxa já subiu 1,291 pontos percentuais, isso significa que o capital em dívida custa mais 1,291% do que custava no início do ano. Para uma dívida de 100 mil euros, por exemplo, será necessário pagar mais 1291 euros por ano em juros, o que dividido por 12 dá um aumento da prestação de cerca de 108 euros por mês face ao que pagava antes.

Este valor serve de referência, uma vez que tudo depende das condições específicas de cada contrato. Se tem um crédito à habitação e quer orientar-se melhor, consulte o seu banco (ou por exemplo o último extrato de pagamento de prestações) e veja qual é o neste momento o capital em dívida. Depois, aplique o aumento das taxas de juro sobre esse capital em dívida e divida por 12, isso dar-lhe-á uma ideia de quanto poderá pagar a mais.

Como referência, veja na tabela seguinte quanto é que já estão a aumentar as prestações, comparando com o início do ano.

Esta tabela serve de referência, para ter uma ideia do que vai pagar a mais por mês do que pagaria no início do ano.  

Recorde-se que o valor das prestações bancárias é revisto a cada três, seis ou 12 meses, conforme a Euribor a que está indexado o seu crédito é a de 3, 6 ou 12 Meses, respetivamente.

Se, por exemplo, tem um crédito à habitação indexado à Euribor a 6 Meses e a última revisão da sua prestação foi em abril, só sentirá os efeitos do aumento dos juros na próxima revisão em outubro.

No caso dos contratos com taxas fixas, que são minoritários em Portugal, não há variação da taxa durante o período previsto no contrato de fixação da taxa (que pode até ser a duração completa do contrato).

 

 

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