Hospital de Setúbal: "Faltam médicos, faltam condições de trabalho, sobejam doentes"

25 out, 10:39
Centro Hospitalar de Setúbal-Hospital São Bernardo
Centro Hospitalar de Setúbal-Hospital São Bernardo

Dificuldades em formar e fixar jovens médicos, instalações deficientes e falta de equipamentos são os principais problemas não só neste hospital como em todo o SNS, afirmam os representantes da Ordem dos Médicos

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"Setúbal é o retrato fiel do Serviço Nacional de Saúde: faltam médicos, faltam condições de trabalho e sobejam doentes", afirmou Daniel Travancinha, presidente do conselho sub-regional de Setúbal da Ordem dos Médicos, ouvido esta segunda-feira na Comissão de Saúde da Assembleia da República, na sequência das denúncias registadas nos últimos meses sobre as dificuldades sentidas por esta instituição.

Lembrando que por, "por exaustão, pediram a demissão dos seus cargos de chefia 87 médicos" daquele centro hospitalar, Daniel Travancinha elencou as principais dificuldades sentidas pela instituição, a começar pelas "deficiências estruturais", com "instalações incapazes de acolher de forma digna os doentes".

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Em risco de encerramento ou de funcionamento infra-razoável estão especialidades como a ginecologia-obstetrícia, anatomia patológica, oncologia médica e pediatria.

Sem condições de trabalho e materiais não é possível fixar médicos e jovens médicos, mesmo os que aceitam vagas muitas vezes abandonam, fugindo ao drama das muitas urgências sem condições essenciais nem condições de tratarem com excelência os seus doentes", explica este responsável.

 

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Os que se mantêm lutam estoicamente para tratarem dos seus doentes, dispersando-se em múltiplas horas de urgência, em prejuízo da atividade programada e da formação médica."

A falta de profissionais - médicos mas também enfermeiros e outros - é sentida em vários serviços, mas pode ser exemplificada pela situação na ginecologia-obstetrícia onde as escalas de urgência "são realizadas na maior parte dos dias por tarefeiros não do hospital e ainda assim com lacunas na escala, com dias sem urgência já no próximo mês".

"50% dos médicos que existem em Portugal não estão no SNS"

Respondendo às questões colocadas pelos vários grupos parlamentares, Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, lembrou que a situação do Centro Hospitalar de Setúbal está sinalizada há muito tempo e que, apesar dos vários alertas feitos quer pela Ordem quer pela instituição, "nada foi feito".

Sobre a falta de médicos, Miguel Guimarães lembra que "dos médicos que existem em Portugal, 50% não estão no SNS". Desde 2015, "foram mais os jovens médicos que não ficaram a trabalhar no SNS do que aqueles que ficaram", sublinhou.

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Nós temos um SNS que está a funcionar como há 40 anos, que não se modernizou e que ainda não percebeu que nós estamos na União Europeia onde há livre circulação de profissionais e há competitividade. Os médicos saem do SNS porque têm melhores condições de trabalho [nos hospitais privados ou no estrangeiro]", explicou.

Concretamente em relação à situação do Hospital de Setúbal, Miguel Guimarães afirma que "a situação já era crítica e agrava-se à medida que os médicos saem".

Alexandre Valentim Lourenço, presidente do conselho regional do sul da Ordem dos Médicos, reforçou esta ideia, sublinhando a gravidade da falta de especialistas em Setúbal: "Para formar médicos, precisamos de médicos que os formem, técnicas e equipamentos. Havendo menos médicos, eles estão assoberbados de trabalho e não têm capacidade para formar jovens médicos". Além disso, os jovens médicos não querem ficar ali porque não têm perspetivas de formação nem de especialização e preferem ir para outros hospitais onde possam aprender mais, modernizar-se e trabalhar com equipamentos topo de gama.

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Por requerimento do PSD, a Comissão de Saúde foram ouvidos os representantes da Ordem dos Médicos e o Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, sobre os problemas sentidos no Centro Hospitalar de Setúbal. 

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