“Acabam o curso e têm logo emprego”: estas são as profissões do futuro que já chegou

6 ago, 18:00
Numa nota informativa sobre ‘nómadas digitais’ publicada em março de 2021 a sociedade de advogados PLMJ lembra que o Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) introduziu um novo conceito de estabelecimento estável. (Pexels)

Já cá estão e vão dominar as tendências do mercado de trabalho nos próximos anos. Conheça as profissões mais desejadas e o que precisa para as poder exercer

São bem remuneradas e algumas garantem emprego logo à saída do curso. Um relatório publicado pelo Fórum Económico Mundial aponta aqueles que são alguns dos empregos emergentes para os próximos anos, numa economia cada vez mais automatizada, onde se estima que, até 2025, cerca de 85 milhões de trabalhos poderão passar a ser feitos por máquinas. Mas o desaparecimento destes postos de trabalho, sublinha o documento, deve ser equilibrado com o aparecimento de novas funções.

Num estudo que envolve 26 economias (que representam mais de 70% do PIB) e 15 indústrias, é estimado que mais de 97 milhões de novos empregos possam aparecer. Entre estes, há profissões que se destacam. Da inteligência artificial, à análise de dados, a passar pela cibersegurança e o direito digital, conheça algumas das profissões que já cá estão e que, para os especialistas, vão dominar a próxima década. 

Especialista em Machine Learning e Inteligência Artificial

“Existe um forte aumento da procura em Portugal por parte das empresas. As pessoas saem do curso e vão logo para uma empresa nacional ou internacional. Os alunos acabam o curso e têm logo emprego”, afirma Alípio Jorge, professor associado do Departamento de Ciência de Computadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e coordenador do LIAAD, Laboratório de Inteligência Artificial e de Apoio à Decisão da Universidade.

A procura pela previsão e capacidade de “descodificar” informação em bruto é uma excelente oportunidade para especialistas em machine learning. Estes profissionais são focados em desenvolver algoritmos que possam aprender com a informação, tentando fazer previsões para que as empresas possam tomar decisões acertadas. Ao obter uma nova visão, geralmente em tempo real, desses dados, as empresas podem trabalhar com mais eficiência e até obter uma vantagem sobre os seus concorrentes.

Em áreas como a deteção de fraude, reconhecimento facial ou o desenvolvimento de carros autónomos, segundo dados do World Economic Forum, esta profissão tem o poder de criar mais de 97 milhões de novos empregos até ao ano de 2025.

Porém, requer um elevado grau de especialização. Além de uma licenciatura nas áreas da engenharia informática, matemática, estatística e física, deve procurar tirar um mestrado nas áreas de ciência de dados, ou até mesmo um doutoramento em machine learning.

Analista de dados

São alguns dos profissionais mais desejados do mercado de trabalho e a tendência é para que sejam cada vez mais procurados. Esta função tornou-se cada vez mais importante no funcionamento das economias modernas, com quase todas as indústrias a procurarem profissionais especializados nesta área.

Consiste em “tentar arranjar modelos preditivos para resolver problemas, utilizando ferramentas de machine learning”, explica Alípio Lopes. Estes profissionais são fundamentais para que as empresas compreendam os dados que têm ao seu dispor para tomar decisões de investimento, de avaliação de risco, de compreender o público-alvo, ou de escolher onde alocar capital.

Desengane-se quem pensa que este tipo de profissão está restrito a empresas tecnológicas. Das finanças a empresas da área da saúde, o leque de indústrias que procura estes profissionais é cada vez maior. “Tem havido cada vez mais uma colaboração entre os centros de investigação e as empresas que estão localizadas nestas áreas”, acrescenta o professor universitário.

O facto de existir tanta procura por profissionais desta área faz com que sejam dos mais bem remunerados, até mesmo na realidade portuguesa.

Especialista em Big Data

À semelhança dos especialistas em machine learning e dos analistas de dados, esta é uma área com cada vez mais procura. Os macrodados são a área do conhecimento que estuda como tratar, analisar e obter informações a partir de conjuntos de dados demasiado grandes para serem analisados por sistemas tradicionais. Os profissionais desta área tentam descobrir padrões escondidos que permitam às empresas tomar decisões e ganhar uma vantagem competitiva para com os seus concorrentes.

Existem vários caminhos para se tornar um especialista nesta área. O especialista em Big Data pode ter estudado áreas tão variadas como a engenharia informática, matemática, estatística, finanças e economia, uma vez que esta é uma indústria em constante expansão e desenvolvimento e abrange cada vez mais setores.

Marketing Digital

A pandemia acelerou um processo que vinha a ganhar terreno, mas que agora ninguém duvida: a nossa vida passa cada vez mais pelo digital. A necessidade de as empresas rentabilizarem essa relação com o mundo digital abriu as portas para que o marketing digital venha a tornar-se cada vez mais uma profissão para os próximos anos.

Essa tendência é confirmada por uma análise feita pela rede social LinkedIn, que destaca esta profissão como uma das mais procuradas em 2021, com as empresas a sentirem cada vez mais necessidade de fazerem os seus produtos e serviços chegarem aos olhos dos consumidores. De 2020 para 2021, a procura por profissionais do setor aumentou 33% e não dá sinais de abrandar.

“A análise de dados nasce de uma necessidade do marketing digital, que começou a entregar às marcas dados em brutos que precisam de ser analisados”, explica Fernando Batista, presidente da Digital Marketers, que destaca o facto de existerem “imensos portugueses” a dar cartas em posições de destaque de algumas das maiores empresas do mundo.

Conhecimentos em marketing de produto, estratégia digital, gestão de marcas e SEO (otimização para motores de busca), são alguns dos conhecimentos mais procurados pelos patrões na hora de contratar profissionais. Em Portugal, já existem vários cursos que permitem obter uma especialização nesta área.

“Existem várias escolas em Portugal que têm excelentes cursos nesta área. Portugal é muito bom na formação”, garante o especialista. “As grandes marcas olham para Portugal e veem que o nosso país tem muitos recursos humanos capacitados e com grande qualidade, não só a operacionalizar, mas também a saber pensar.”

Especialistas em Segurança Informática

O número de ciberataques tem vindo a aumentar de forma vertiginosa. Apenas em 2022, Portugal já foi alvo de vários ataques que colocaram em causa infraestruturas críticas para o país, como foi o caso do golpe ao hospital Garcia de Orta ou às operadoras de telecomunicações. Mas este é um cenário comum em várias partes do mundo. É por isso que a profissão de especialista em segurança informática poderá registar um forte crescimento nos próximos anos. 

“Com todos os ataques que aconteceram, tem tido uma procura crescente. Não sinto um bater à porta desesperado, mas claramente as empresas em Portugal têm sido muito negligentes na área de segurança informática”, considera o professor universitário.

O elevado valor dos nossos dados faz com que haja também uma maior necessidade de os manter seguros e várias empresas estão dispostas a pagar cada vez mais para o fazer. Se monitorizar redes de organizações para encontrar problemas de segurança e investigar as suas causas é algo que lhe interessa, talvez este seja um trabalho para si.

Capacidade de continuar a aprender (as vulnerabilidades estão sempre a mudar), atenção aos detalhes e capacidade de trabalhar sob pressão são algumas das características necessárias para estes profissionais. “As pessoas não saem à procura de emprego, vêm para aqui e já têm emprego. Há uma falta de profissionais também”, conta Abílio Jorge.

Os requisitos para exercer nesta área passam por um curso de engenharia, engenharia informática ou matemática, embora existam cursos técnicos que permitem o desempenho desta profissão.

Direito Digital

Tal como a área da segurança informática, a internet veio criar a necessidade de adaptar áreas que já existiam ao espaço digital. Esse também é o caso do Direito, que cada vez mais vai ganhando espaço.

As nossas interações digitais acabam por criar a necessidade de regulamentar todos os agentes envolvidos. Nos próximos anos, novos tipos de crime vão surgir e, como tal, são necessários profissionais do direito a trabalhar na proteção do Espaço Cibernético. 

Developers e engenheiros especializados

“No fundo, estas profissões estão ligadas ao desenvolvimento de programas. Já existem há algum tempo, mas são um sintoma da digitalização do mundo. Os front-end desenvolvem a interface e os back-end são os que desenvolvem os serviços que estão por detrás e alimentam essas interfaces”, explica Alípio Jorge.

Depois de ter gerado 155 mil milhões de dólares em 2020, muitos analistas financeiros acreditam que a indústria dos videojogos vai gerar cerca de 260 mil milhões de dólares até 2025. Estas negócios são cada vez mais rentáveis e a procura por profissionais altamente qualificados capazes de criar e manter estas empresas é bastante considerável. Entre 2019 a 2020, a procura de profissionais especializados subiu 25%, de acordo com o LinkedIn.

Web Developers, Front-end Developer e Game Developer são algumas das profissões mais desejadas pelas empresas, particularmente os que dominam várias linguagens de programação, como Python, Java ou CSS.

Designers de experiência para o utilizador

São responsáveis por melhorar a satisfação de um cliente ao interagir com um site ou aplicação, melhorando a sua acessibilidade, utilização e conveniência. Os designers de UX são responsáveis por criar programas interativos que melhorem a experiência do utilizador com uma marca. Têm de ter capacidade de programar.

Em Portugal, existem já várias escolas e academias que oferecem uma formação especializada nesta área. Além disso, trata-se de um setor que permite uma formação digital, com vários cursos online que oferecem certificação e o conhecimento necessário para desempenhar esta função.

Profissionais do e-commerce e criadores de conteúdos

Foi o grupo de profissionais mais procurado no ano de 2021 no LinkedIn. A pandemia levou a uma explosão do comércio digital e várias indústrias em torno do e-commerce beneficiaram muito com esta explosão. Profissões relacionadas com a distribuição de encomendas e a gestão da cadeia de abastecimento tiveram um aumento na procura a rondar os 73% e a procura continua a crescer, com a plataforma digital a revelar que existem mais de 400 mil ofertas de emprego abertas atualmente.

Criadores de conteúdos digitais

Desde fotógrafos, a gestores de conta, a coordenadores de conteúdos, as redes sociais tornaram-se uma verdadeira indústria na qual um influencer é apenas uma pequena parte. E a procura para estas profissões é cada vez maior. De acordo com a lista do LinkedIn, a procura por este tipo de profissões cresceu uns impressionantes 49% de 2019 para 2020.  

Marketing, comunicação, fotografia, edição de imagem, escrita criativa, gestão de projetos são algumas das áreas que pode estudar para trabalhar nesta área.

Capacidades necessárias

O relatório do Fórum Económico Mundial aponta ainda a lista das capacidades mais procuradas para os próximos anos, bem como aquelas que são cada vez menos procuradas. De acordo com a lista, as empresas procuram cada vez mais profissionais com capacidade de pensar de forma analítica e inovadora, capazes de aprender estratégias e que sejam criativos, originais e com iniciativa. Características ligadas às novas tecnologias mantêm-se muito procuradas, tal como a programação, pensamento crítico, capacidade de resolver problemas complexos e análise de sistemas. As empresas ainda continuam a procurar indivíduos com capacidade de liderança e com elevada inteligência emocional.

Por outro lado, capacidades como a destreza e precisão manual, memória e capacidades verbais e auditórias estão em declínio. Devido ao aumento da utilização de tecnologia, até a capacidade de gestão financeira, instalação tecnológica e manutenção e gestão de recursos humanos vão ser cada vez menos procuradas.

As capacidades de leitura e escrita, matemática, controlo de qualidade e gestão de tempo também não estão a sobreviver ao desenvolvimento tecnológico.

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