Roma aceita desembarque seletivo de alguns dos 179 migrantes salvos pelo Humanity

Agência Lusa , DCT
6 nov, 10:48
Migrantes em Itália

Aqueles que desembarcaram foram alojados em tendas no porto da cidade siciliana do sul de Catânia, de acordo com relatos dos meios de comunicação social

O Governo italiano aceitou o desembarque de alguns dos 179 imigrantes salvos pelo navio humanitário Humanity no mar, os mais vulneráveis, enquanto outros foram rejeitados e deixados a bordo, num novo impasse com as ONG que salvam vidas no Mediterrâneo.

A Itália permitiu o desembarque de 155 migrantes salvos por este navio há dias, na sua maioria crianças e mulheres, enquanto outros 24, homens adultos sem problemas médicos, ainda estão dentro do navio, atracado no porto.

Aqueles que desembarcaram foram alojados em tendas no porto da cidade siciliana do sul de Catânia, de acordo com relatos dos meios de comunicação social.

O novo Governo italiano, liderado por Giorgia Meloni, lançou uma batalha contra os navios das ONG, que acusa de favorecer a imigração irregular, e fechou-lhes os seus portos, como fez Matteo Salvini, o atual vice-presidente, em 2018.

O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, tinha avançado que nem todos seriam autorizados a desembarcar, mas que as equipas técnicas seriam enviadas aos navios para "verificar" o estado de necessidade dos náufragos e depois decidir se aceitavam ou não o seu desembarque.

Foi o que aconteceu esta noite, quando o Humanity 1 de bandeira alemã entrou no porto de Catânia escoltada por uma fragata da Guarda Costeira para se submeter a esta "inspeção".

Aboubakar Soumahoro, deputado e ativista, foi ao local e disse nas redes que "selecionar náufragos é contra a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar".

"A vida humana deve estar sempre em primeiro lugar. Temos de proteger a saúde de todas as pessoas, assegurando que podem requerer asilo. Quem aterrar em Itália aterra na Europa", disse.

A intenção do Governo italiano, segundo o ministro Piantedosi, é agora forçar o Humanity 1 a regressar às águas internacionais após este desembarque seletivo.

O ministro do Interior e o vice-presidente Salvini já assinaram um decreto que proíbe o navio de "permanecer em águas nacionais além do tempo necessário para assegurar operações de assistência a pessoas que sofrem de condições de emergência ou de saúde precárias".

Além do Humanity 1, nas proximidades da ilha italiana da Sicília há três outras embarcações com mais de 800 migrantes salvos há dias e semanas no mar, sofrendo as consequências do frio e exaustos pela sua viagem desde as costas do Norte de África.

Dois estão em águas territoriais italianas, uma vez que o Governo lhes deu autorização para entrar para se abrigarem do temporal, o Geo Barents dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) com 572 resgatados e bandeira norueguesa, e o Rise Above com bandeira alemã e 93 (dois foram evacuados ontem por razões médicas).

Enquanto um quarto navio, o Ocean Viking, da SOS Méditerranée com outros 234 migrantes a bordo e bandeira norueguesa, permanece fora do limite das doze milhas ao largo da cidade de Catânia.

A Itália quer que os países de bandeira - Alemanha e Noruega - se encarreguem do acolhimento destes imigrantes e forcem um acordo a nível europeu para a sua redistribuição no continente.

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