Advogada de Rendeiro acusa Tribunal de recusar fiança para não dar má imagem (e conta como um rádio levou presos a pedir dinheiro ao ex-banqueiro)

CNN Portugal , BCE
4 jan, 19:27

June Marks afirmou que a acusação justificou a recusa do pedido de fiança com receio de que o sistema judicial sul-africano pudesse ficar "mal visto aos olhos do público português"

A advogada de João Rendeiro, June Marks, acusou o Tribunal de Verulam, na África do Sul, de ignorar as acusações "sem fundamentos" de que o ex-banqueiro foi alvo, além de não ter tido em consideração a falta de condições de segurança e o estado de saúde de Rendeiro. 

Em declarações à CNN Portugal, June Marks assinalou que a acusação "fez declarações com base na sua própria opinião", bem como "alegações muito vagas", sem apresentar "quaisquer provas".

"O magistrado faz declarações, com base na sua própria opinião, de que o meu cliente tem recursos internacionais ilimitados, sem apresentar quaisquer provas nesse sentido. Ele referiu sem provas que o meu cliente poderia adquirir um passaporte", referiu a advogada do ex-banqueiro, após a apresentação de um recurso contra a medida de coação de prisão preventiva de Rendeiro.

Além disso, acrescentou June Marks, a acusação justificou a recusa do pedido de fiança com receio de que o sistema judicial sul-africano pudesse ficar "mal visto aos olhos do público português".

"Não há qualquer fundamento no Direito da África do Sul que permita recusar um pedido de fiança com base na forma como o público português olha para o sistema judicial sul-africano", sustentou.

June Marks referiu ainda que a acusação usou as críticas que João Rendeiro endereçou aos meios de comunicação social e às autoridades - uma situação que, no seu entender, não é motivo para recusar um pedido de fiança.

"O meu cliente estava totalmente no seu direito para protestar contra a sua detenção, (...) e para fazer críticas. Isso não é motivo para recusar a fiança de alguém", defendeu.

A advogada de João Rendeiro revelou ainda que o ex-banqueiro lhe contou que "havia um rádio dentro da prisão" que transmitia notícias que o apontavam como detentor de "recursos ilimitados", o que levou a que os reclusos lhe pedissem "grandes quantidades de dinheiro, ameaçando-o de morte".

"Eu própria recebi muitas mensagens estranhas de pessoas que pretendiam dinheiro", acrescentou a advogada, que garantiu que, das indicações que lhe foram dadas quando visitou Rendeiro, o ex-banqueiro encontra-se "bem", encontrando-se numa cela partilhada com outros detidos, mas "na secção dos que estão a aguardar julgamento".

Rendeiro está detido desde 13 de dezembro, depois de ter sido encontrado pelas autoridades sul-africanas, perto de Durban, e aguarda uma audiência agendada para o próximo dia 10 de janeiro.

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